Foto: Luciano Fileti

Por Nessia Leonzini

Thelma Golden é uma das pessoas mais queridas no mundo da arte. Todos sabem quem ela é, até os rappers Kanye West e Jay Z: “Put some colored girls in the MoMa… Don’t make me bring Thelma in it… Halle, Penelope, Salma…”, dizem no rap “That’s my bitch” .

Conhecida pela vivacidade, inteligencia, pelo corte rente de cabelo e pelas suas conexões sociais que vão do ex-presidente Clinton ao atual casal Obama, foi a primeira curadora negra do Whitney Museum e, desde 2004, dirige o Studio Museum of Harlem, onde organizou exposições que transformaram o lugar em um catalizador de novas ideias.

Vestindo modelos assinados pelo marido, Duro Olowu – designer anglo-nigeriano e um dos favoritos de Michelle Obama -, não passa desapercebida. Seu senso de humor é caracteristico. No documentário The Black List Project, reflete sobre os dias em que começou a trabalhar com arte. “As pessoas sempre assumiam que eu trabalhava para Thelma Golden , não que eu era a Thelma Golden. Essa espécie de demissão que vem de pessoas que não imaginam que você seja quem voce é foi uma das coisas mais liberadoras para meu trabalho”.

Isso já não acontece tanto porque, hoje, porque a sua reputação a precede.Thelma dá palestras pelo mundo – apresentou a famosa conferencia Ted em 2009 – , foi nomeada líder emergente pelo Aspen institute em 2008, faz parte da lista Crain’s de mulheres mais influentes de Nova York. Mas ela tem uma segunda paixão. “Não coleciono arte”, disse em 2004. “Tenho, entretanto, montes, montes, montes e montes de roupas”. Em entrevista à Oprah, revelou que seu armário  tinha 5 metros de comprimento e que só de sapatos, eram 50, todos Prada e Sigerson Morrison.

Nascida no Queens, já adolescente pegava o metrô para ver arte nos museus e galerias de Manhattan.  Nas férias, trabalhou como estagiária no Met e no proprio Studio Museum que ela viria a dirigir anos depois. Na sua passagem de sete anos pelo Whitney – e na direção do Studio Museum – ela conseguiu abalar o status quo, abrindo, tenazmente, o mundo da arte para os artistas afro- americanos .

“Thelma defendeu uma nova geracao de artistas negros, que agora, e em parte por causa dela, já não podem mais ser descritos assim. Ela criou novas discussões” diz Lisa Phillips, diretora do New Museum.

A carreira de Thelma é pontilhada por controvérsias.  Ela organizou a sua primeira grande exposição em 1994, no Whitney,  intitulada Black Male. O tema era a representação da masculinidade negra na arte contemporanea norte-americana e dela participaram artistas, fotógrafos, diretores de cinema e escritores. “Black Male  sinalizou uma transição entre gerações e abriu um diálogo reinvigorante sobre raça na arte contemporanea”,  diz Lisa Phillips. As exposições seguintes continuaram a indicar a preocupação sobre o que é ser negro na America.  “Nao tento responder a essas perguntas e nem procuro as respostas no trabalho dos artistas”, diz a curadora, categórica.

Depois de assumir a direção do museu do Harlem, Thelma foi morar no bairro. Adora caminhar por lá, curtir os edificios marcantes do passado como o famoso Teatro Apollo. Um de seus hang outs favoritos é o Red Rooster, o badaladissimo restaurante do chef sueco (nascido na Etiópia) Marcus Samuelsson, onde frequentemente comanda uma alegre  mesa de artistas.

Thelma ciceronea a primeira dama dos EUA, Michele Obama, na visita que ela fez ao Studio Museum in Harlem, em 2011