Sakima - Foto: Reprodução/Instagram/@sakimamusic
Sakima – Foto: Reprodução/Instagram/@sakimamusic

Por Marina Monzillo

O trabalho de Sakima, “marca” criada pelo britânico Isaac Sakima, vem sendo chamado de a voz queer do pop. Ele incorpora a uma base eletrônica R&B letras com temática gay e erotismo explícito, uma representatividade até então ausente nesse universo.

Nos EPs “Facsímile” e “Ricky”, essas narrativas são tiradas das sombras e corajosamente inseridas no mainstream, ainda que de forma independente. Bazaar entrevistou o artista com exclusividade. Leia:

Como sua sua música apoia a liberação sexual gay?
A história mostra que a música pode ser plataforma para mudanças. Minhas letras são escritas pela perspectiva de um homem gay, o que espero que ajude outros artistas gays a perderem o medo de se comunicar. Há uma riqueza de narrativas heterossexuais no mainstream e nada LGBTQI+, especialmente na música. Mesmo os ícones gays não falam de sexo gay nas letras, como os héteros fazem o tempo todo. Esse desequilíbrio é o que me motiva a fazer música pop inclusiva. A arte heterossexual não é inimiga, só está ocupando todo o espaço.

Sakima - Foto: Reprodução/Instagram/@sakimamusic
Sakima – Foto: Reprodução/Instagram/@sakimamusic

Como descobriu sua voz como artista?
Percebi que precisava fazer algo prático quando chegou 2016 e ainda não havia ninguém na música com quem eu me sentia conectado. Sempre tive um senso de humor explícito, mas preciso estar atento em como usar narrativas sexuais na música, porque podem, facilmente, cair no estereótipo de que todo gay é promíscuo. A sexualização é parte da minha marca, mas não é um reflexo de quem sou. O mais valioso é quando fãs comentam como minha música os ajudou a se sentirem menos sozinhos e mais aceitos.

Como é sua relação com a moda?
Para mim, a moda é como uma pele que representa ideias e crenças. Há referências nos meus clipes e Instagram à era de ouro da moda queer, como os New Romantics da Londres dos anos 1980.

O que conhece do Brasil?
Adoro os elementos rítmicos da música brasileira. E acho que há uma grande necessidade de mais artistas como Pabllo Vittar, especialmente diante do aumento dos crimes de homofobia no país.

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