O ano de Nanda Costa: de "Amor de Mãe" a filme hollywoodiano
Foto: Vinicius Mochizuki

O ano era 2018 e Nanda Costa gravava a novela “Segundo Sol”, da Globo, quando cravou uma data na agenda para interpretar a personagem Caetana, em “O Auto da Boa Mentira”, dirigido por José Eduardo Belmonte, e que estreia em maio. Topou até rodar uma das diárias no dia de seu aniversário, 24 de setembro, para dar vida à personagem do admirável universo de Ariano Suassuna.

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“É bem diferente de tudo o que já fiz”, conta a atriz à Bazaar. A trama desbrava quatro factóides do dramaturgo, que tinha o maior respeito ao mentiroso lírico – aquele que distorce um pouco a realidade (só um pouco!) por um objetivo nobre, o amor à arte. “Fantasiado, às vezes, fica mais legal do que como a história aconteceu”, defende Nanda.

Em um destes contos, ela interpreta uma sexy lady com sede de vingança, contrapondo Leandro Hassum, um homem de perfil corporativo bem apagado, que vê sua vida mudar ao viver uma mentira e, claro, suas consequências.

Ao contrário da personagem, Nanda se diz “boazinha demais” na vida real – tema que inclusive já levou para a terapia. Na infância em Paraty, no litoral do Rio de Janeiro, lembra que só podia dar uma enganada em casa no dia dedicado à mentira, o 1º de abril. Seriedade é um traço de sua personalidade, resquício da criação da avó Maria Inês, que duelava com a neta quem seria a primeira enganada nessas pequenas peças corriqueiras e que não faziam mal a ninguém.

Daí porque, conta, viveu um incômodo até assumir publicamente o então namoro com Lan Lahn, também em 2018. No ano seguinte, se casou no civil com a percussionista, a quem adjetiva de companheira leve, esperançosa, com fé e que alegra os dias difíceis.

“Nunca curti muito omitir. Sempre ficava mal porque achava que iam me pegar no pulo”, diz. Ao falar abertamente sobre a relação, vai se humanizando e desmistificando o tema. “Fiquei muitos anos omitindo, não mentindo. Nunca gostei de mentira”, reforça. E essa “coisa errada” era demonstrar carinho em público por quem se ama.

Agora, traz o tema à tona com naturalidade ao introduzir sexualidade à conversa. Depois de tanto tempo se segurando com medo de dar alguma escorregada sobre vida pessoal, quase ou nenhum assunto mais é tabu.

No ar como Érica de “Amor de Mãe”, folhetim da Globo, Nanda comemorou a volta às gravações no fim de 2020, com protocolo rigoroso. “Nova forma de contracenar. A gente confinava para fazer as cenas com mais toque”, lembra. “Reacendeu minha esperança de voltar a trabalhar porque fiquei com muito medo que a novela não tivesse um fim.”

Outro motivo para celebrar foi sua estreia internacional no longa “Monster Hunter”, gravado na Cidade do Cabo, na África do Sul, contracenando com atores do mundo inteiro – entre elas, a lindíssima Milla Jovovich, admirada por atuações em “O Quinto Elemento” e “Resident Evil”, do mesmo diretor, Paul W. S. Anderson, com quem é casada.

“Era uma família porque estavam com as filhas (no set), com professores. Escolheram as pessoas do mundo inteiro a dedo. Foi muito legal”, conta, com ar de encantamento. Além das cenas de ação, por se tratar de um thriller de videogame, tinha um tradutor para ajudar em qualquer situação com o inglês. E tanto Milla quanto o marido foram acolhedores e generosos.

Apesar do début hollywoodiano, seus desafios estão muito mais alinhados com atores e diretores com quem deseja trabalhar do que, de fato, se internacionalizar. “Vou aonde meu coração me levar.” Ainda este ano, lança o filme “Derrapada”, do brasileiro Pedro Amorim, ainda sem data certa. “Faço a mãe de um adolescente que engravida uma jovem. Acabei, no fim, sendo avó aos 34 anos. Isso aconteceria se tivesse repetido os passos da minha mãe”, ri.

Recentemente, teve de dizer não para outro filme internacional por conta da pandemia. “Papel tem endereço certo. Já fui convidada para uma personagem que não pude fazer, fiquei arrasada, aí veio uma outra muito mais legal depois. Não fico me prendendo a isso. Não deu pra ser, não fico sofrendo.” Prestes a voltar ao ar também na reprise da novela “Império”, Nanda se coloca uma condição: falar sobre sonhos em qualquer uma das esferas. Nas telinhas ou telonas, quer contar histórias que tocam. Com calma, um passo de cada vez.