“O Discurso do Rei” evidência o fardo e o glamour da monarquia britânica

Fashion filme da semana é pura elegância

by Beatriz Poletto
Foto: Reprodução/IMDb

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São as emoções que guiam os homens e as mulheres pela jornada da vida. O amor, o ódio, a alegria e a tristeza são responsáveis por tomadas de decisões e ações no dia a dia. Mesmo os acontecimentos mais importantes do mundo foram inspirados por elas. Por exemplo, em dezembro de 1936, o rei Eduardo VIII renunciava seu título real inglês. Apaixonado por Wallis Simpson, o então rei preferiu abdicar do trono para se casar com uma mulher divorciada – e para piorar, duas vezes. Em meio a um escândalo real, foi Albert Frederick Arthur George Windsor - seu irmão mais novo – quem passou a ser o primeiro da linhagem real. É esta trajetória é o que constrói a trama da obra “O Discurso do Rei“, que levou quatro estatuetas do Oscar e é o fashion filme da semana.

Dirigido por Tom Hooper e lançado em 2010, o longa-metragem é um respiro entre filmes típicos da realeza. Com um toque de humor, típico britânico, o diretor consegue um resultado extremamente nobre: o filme é chique. Como suas outras produções – “Garota Dinamarquesa” e “Os Miseráveis” – todo o conjunto da obra é pura finesse. O roteiro – escrito por David Seidler - é repleto de diálogos inteligentes, interpretados pelos maiores atores da atualidade. Colin Firth, que levou  o Oscar de melhor ator por seu papel como rei George VI, é a pessoa perfeita para contracenar com Geoffrey Rush, que dá a vida ao fonoaudiólogo Lionel Logue. Helena Bonham Carter é a rainha Elizabeth, e Michael Gambon interpreta o falecido rei George V.

Enquanto isso, a fotografia é levemente escura e realça a sobriedade da realeza inglesa. Essa sobriedade vem do comportamento, do respeito e da tradição da família real. Discretos, enquanto a indumentária exibe glamour e riqueza. Sobre o figurino, assinado por Jenny Beavan, podemos afirmar que ele retratou de forma exata a indumentária dos anos 1930. No limbo entre a primeira e a segunda Guerra Mundial, a Europa ainda possui dinheiro, ainda mais as pessoas da monarquia. Joias, peles, chapéus e, para os homens, o corte impecável da alfaiataria inglesa enchem os olhos de qualquer amante da moda.

Voltando para a trama original, o diretor fez questão de evidenciar o fardo que é se tornar rei. Ao contrário do que muitos pensavam, não existe glamour o suficiente que apague as responsabilidades de carregar uma nação nas costas. Apesar do rei em si não possuir de fato o poder de ação do primeiro-ministro, é ele quem precisa manter as aparências. Além de não ter sido preparado para o cargo, afinal, quem recebia toda a atenção educacional era seu irmão mais velho, predestinado originalmente ao trono, George VI era gago. É aí que a trama se desenrola, onde nasce a amizade do rei e de Lionel Logue.

Emocionante, delicado – mas repleto de força – o filme é must-see!

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Foto: Reprodução/IMDb

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