Um dos700 retratos instantâneos da expo de Nan Goldin, colocados em sequência e acompanhados por música - Foto: divulgação
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700 retratos instantâneos da expo de Nan Goldin, colocados em sequência e acompanhados por música – Foto: divulgação

Por Mariane Morisawa

A americana Nan Goldin é uma artista destemida quando se trata de se expor por meio de sua arte. The Ballad of Sexual Dependency, produzida entre 1979 e 2004, é uma grande instalação de construção imersiva composta por 700 retratos instantâneos colocados em sequência e acompanhados de uma trilha sonora. Junto com Lovers (1994), de Teiji Furuhashi, e Imponderable (2015-16), de Tony Oursler, The Ballad of Sexual Dependency reabre as galerias de arte contemporânea do segundo piso do Museu de Arte Moderna de Nova York e fica em cartaz até 12 de fevereiro do próximo ano.

Na obra, cujo título vem de A Balada da Dependência Sexual,uma canção da obra A Ópera dos Três Vinténs, de Bertolt Brechte Kurt Weill, Nan Goldin estabelece uma narrativa extremamente pessoal de suas próprias experiências em Boston, Nova York, Berlim e outros lugares desde o final dos anos 1970. Ela retrata momentos íntimos de amor e perda, de êxtase e dor pelo sexo e uso de drogas, tanto de si própria quanto de pessoas que dançam em clubes e passam tempo com seus filhos, sofrem com violência doméstica e com as consequências da Aids.“É o diário que deixo as pessoas lerem”, diz a artista sobre a obra. Um diário que, acima de tudo, permite a ela ter controle sobre sua própria vida, obsessivamente registrando cada momento, para que não se esqueça.

Foto: divulgação
Foto: divulgação

Originalmente, a instalação foi se formando por meio de performances ao vivo improvisadas,em que ela passava os slides manualmente e amigos ajudavam a compor a trilha sonora, que vai de Maria Callas a Velvet Underground. No MoMA, The Ballad of Sexual Dependency vai ser apresentada no formato original em 35 mm, acompanhada por performances ao vivo,além de fotos da coleção do museu que também aparecem como imagens do show de slides e também peças do arquivo de Nan Goldin, incluindo pôsteres e flyers que divulgavam as primeiras performances.A instalação foi organizada pelo curador-chefe do MoMA e diretor do MoMA PS1 Klaus Biesenbach, do curador-chefe de cinema do Centro The Celeste Bartos do museu, Rajendra Roy,e Lucy Gallon, curadora-assistente do departamento de fotografia também do MoMA.

Já Lovers, do japonês Teiji Furuhashi (1960- 1995), traz imagens do artista e de outros membros do coletivo Dumb Type, baseado em Kyoto, projetadas nas paredes como espectros que se encontram em determinados momentos, sem jamais se tocarem. Em Imponderable, Tony Oursler trabalha na interseção dos avanços tecnológicos e dos fenômenos ocultos nos últimos dois séculos.