Majur veste Burberry – Foto: Guilherme Nabhan, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, styling de Bruno Pimentel, beleza de Magô Tonhon, Rapha da Cruz e Maria Ágata Ignácio, cabelo de Welida SOuza, direção criativa de Bruno Pimentel e Gulherme Nabhan, arte e set design de João Arpi e produção executiva de Bruno Uchoa

Majur tem fome de viver. Ao sair da natal Salvador e desbravar o mundo, tendo a música como plataforma, já demonstrava toda a sua potência. “Essa fome me fez chegar até aqui, querer uma sociedade igualitária porque vim da pobreza e de um lugar de invisibilidade”, conta ela à Bazaar sobre seu novo momento.

Ela acaba de soltar aos quatro cantos seu primeiro álbum de inéditas, “Ojunifé”, cujo significado representa “olhos do amor” em iorubá – idioma da família linguística nígero-congolesa. Com participações de Liniker, que foi importante para sua descoberta, e a conterrânea Luedji Luna, as faixas narram sua história e afirmação nessa trajetória, todas baseadas em fatos reais. “Não sei falar de outra forma que não esse caminho que minha mãe ensinou.”

Majur veste Burberry – Foto: Guilherme Nabhan, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, styling de Bruno Pimentel, beleza de Magô Tonhon, Rapha da Cruz e Maria Ágata Ignácio, cabelo de Welida SOuza, direção criativa de Bruno Pimentel e Gulherme Nabhan, arte e set design de João Arpi e produção executiva de Bruno Uchoa

Celeiro da música afro-brasileira, a Bahia incorpora instrumentos africanos e indígenas à musicalidade de Majur. “Soteropolitano, baiano de axé e de espiritualidade com o pop, que é o novo, é o revolucionário, transformador e dançante, cheio de efeitos tecnológicos e alternativos”, explica, sobre seu trabalho. “Toda vez que vamos falar sobre cultura preta, a gente não dá a devida importância à riqueza dos detalhes, que resgatei.” Bastante autoral, resumir tudo em 10 músicas não foi tarefa fácil, ainda mais juntar todas as mensagens aspiracionais que gostaria de passar para iluminar a vida de outras pessoas.

Majur veste Burberry – Foto: Guilherme Nabhan, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, styling de Bruno Pimentel, beleza de Magô Tonhon, Rapha da Cruz e Maria Ágata Ignácio, cabelo de Welida SOuza, direção criativa de Bruno Pimentel e Gulherme Nabhan, arte e set design de João Arpi e produção executiva de Bruno Uchoa

Oriunda da Cidade Baixa, Majur morou no Uruguai, um bairro periférico. Aos 4 anos, ingressou no projeto social Coro da Orquestra Sinfônica da Juventude de Salvador. Ainda cantou na igreja, onde descobriu o soul e a MPB, e desbravou a música gospel. Deslanchou na música, mas ainda não entendia sua existência enquanto corpo dissidente. “Poucos sabem sobre a vida trans. Agora, a gente está falando muito mais para que outras pessoas comecem a descobrir”, pontua.

Naquele momento, ainda não binária, se identificava com artistas fora da caixa como, por exemplo, a dançarina de funk Lacraia, que depois de sua morte foi identificada como trans, e Jorge Lafond, intérprete de Vera Verão, em “A Praça é Nossa”.

Majur veste Burberry – Foto: Guilherme Nabhan, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, styling de Bruno Pimentel, beleza de Magô Tonhon, Rapha da Cruz e Maria Ágata Ignácio, cabelo de Welida SOuza, direção criativa de Bruno Pimentel e Gulherme Nabhan, arte e set design de João Arpi e produção executiva de Bruno Uchoa

Viver no País que mais mata pessoas LGBTQIA+ e mulheres transgênero no mundo faz Majur clamar por seu espaço. “Sou uma mulher trans, com perspectiva de viver até os 33 anos. Tenho 25 e luto diariamente para que essa estatística não chegue”, repudia. Por isso, a importância deste trabalho. “Sem respeito, a gente discrimina, pratica racismo”, acrescenta.

Majur veste Burberry – Foto: Guilherme Nabhan, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, styling de Bruno Pimentel, beleza de Magô Tonhon, Rapha da Cruz e Maria Ágata Ignácio, cabelo de Welida SOuza, direção criativa de Bruno Pimentel e Gulherme Nabhan, arte e set design de João Arpi e produção executiva de Bruno Uchoa

Com a mãe socioeducadora, aprendeu a ouvir ao invés de sentenciar. Na infância, foi agredida por outra criança da escola, um típico caso de homofobia nos primeiros anos. “Aquilo mudou muito a minha vida”, diz ela, relatando que a mãe foi conversar com a responsável pelo coleguinha. E alertou sobre o despertar da raiva ao lidar com a diferença, violentando um corpo que não era o dele. “Jamais vou condenar uma pessoa antes de conversar. Esse diálogo é necessário para encurtar os caminhos.”

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