A cineasta brasileira Petra Costa - Foto: Divulgação
A cineasta brasileira Petra Costa – Foto: Divulgação

Por Mariane Morisawa, de Los Angeles

O Oscar 2020, que acontece neste domingo (09.02), vai ter o glamour de sempre e caras conhecidas, dos galãs Leonardo DiCaprio, Brad Pitt e Antonio Banderas aos veteranos Tom Hanks, Anthony Hopkins e Al Pacino, além das maravilhosas Charlize Theron, Scarlett Johansson e Margot Robbie.

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Vai ter Brasil também, na categoria documentário, com “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa. Mas o Oscar deste ano também volta a ser branco como não era desde 2016 – quando a discussão é se o espanhol Antonio Banderas é branco ou não, dá-se a medida do desastre.

Cena de "Harriet" - Foto: Divulgação
Cena de “Harriet” – Foto: Divulgação

Nas categorias dos atores, entre 20 indicados, apenas uma pessoa é não-branca, a inglesa Cynthia Erivo, por “Harriet”. Para comparar, em 2019, entre os 20, havia dois negros (Regina King e Mahershala Ali, ambos premiados), um descendente de egípcios (Rami Malek, que levou a estatueta) e duas mexicanas, uma delas de origem indígena (Yalitza Aparicio). De novo, nenhuma diretora foi indicada.

História de um casamento - Foto: Divulgação
História de um casamento – Foto: Divulgação

Entre nove candidatos a melhor filme, apenas um – “Adoráveis Mulheres”, de Greta Gerwig – é liderado totalmente por personagens femininas. “História de um Casamento” fala do divórcio de um casal, e “Parasita”, de duas famílias de classes sociais diferentes em uma relação simbiótica e tensa.

“Jojo Rabbit” até tem personagens femininas importantes, mas é sobre um menino na Juventude Hitlerista. Todos os outros seis são centrados em homens, com as mulheres como meras coadjuvantes (ou completamente ausentes).

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood tem se esforçado a convidar mais membros do sexo feminino, estrangeiros e pessoas de etnias diversas, mas os avanços têm sido na linha dois passos para a frente e um para trás. Ainda assim, em 2020, 63 dos indicados são mulheres, um recorde.

Primeira(s) vez(es)

Foto: IMDB
Foto: IMDB

Scarlett Johansson fez sua estreia no cinema aos 9 anos de idade e esteve em diversos filmes de destaque, como “Encontros e Desencontros” e “Vicky Cristina Barcelona”, além de encarnar a “Viúva Negra” nos filmes da Marvel. Mas nunca tinha sido indicada ao Oscar.

Em 2020, finalmente, Scarlett concorre à sua primeira estatueta – e à segunda também, pois disputa na categoria atriz principal (por “História de um Casamento”) e coadjuvante (“Jojo Rabbit”). No primeiro, faz uma mulher e mãe se separando do marido (Adam Driver). No segundo, é a mãe que tenta apresentar um mundo mais colorido ao filho, em plena Alemanha nazista.

Outra indicação dupla
Cynthia Erivo, vencedora de um Tony, um Emmy e um Grammy, só fez seu primeiro filme em 2018. Ela disputa o Oscar pela primeira vez e duplamente: como melhor atriz, por “Harriet”, cinebiografia da abolicionista americana, e melhor canção (“Stand Up”, composta em parceria com Joshuah Brian Campbell), pelo mesmo filme.

Fique de olho

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A inglesa Florence Pugh, de 24 anos, foi indicada pela primeira vez, por seu papel coadjuvante em “Adoráveis Mulheres”, de Greta Gerwig. Mas bem poderia ter concorrido já em 2017, por sua atuação em “Lady Macbeth”, ou neste ano, na categoria principal, por sua interpretação visceral de uma jovem em luto em “Midsommar”.

Com o aval de Cannes

"O Parasita" - Foto: Divulgação
“O Parasita” – Foto: Divulgação

Dos cinco concorrentes na categoria filme internacional (até ano passado chamada de filme em língua estrangeira), três não só participaram da competição em Cannes como ganharam prêmios. O sul-coreano “Parasita”, de Bong Joon-ho, vencedor da Palma de Ouro, disputa seis Oscars, inclusive melhor filme.

O francês “Os Miseráveis”, de Ladj Ly, dividiu o prêmio do júri com o brasileiro “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho. E o espanhol “Dor e Glória”, de Pedro Almodóvar, levou o troféu de melhor ator, para Antonio Banderas.

Família que concorre unida permanece unida?

Cena de 1917 - Foto: Divulgação
Cena de “1917” – Foto: Divulgação

Thomas Newman e Randy Newman são primos. E disputam na mesma categoria, melhor trilha sonora: o primeiro, por “1917”, e o segundo, por “História de um Casamento”. Ao todo, integrantes da família – além de Thomas e Randy, Alfred, Lionel, Emil e David – conquistaram 93 indicações.

Números

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

“Coringa” tem o maior número de indicações, 11.
Martin Scorsese é o cineasta vivo que mais concorreu na categoria direção, nove.
O compositor John Williams é figurinha carimbada no Oscar. Esta é sua indicação de número 5.

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