Poltrona de Oscar Niemeyer em frente à fotografias de Oskar Metsavaht | Fotos: divulgação

Depois da ocupação Mauá, que invadiu um galpão abandonado na zona portuária do Rio de Janeiro, durante a ArtRio, o Arte Clube Jacarandá desembarcou na costa oeste americana durante a Art Basel Miami Beach, para mais exposição coletiva mostrando o melhor da produção brasileira em arte e design. Dessa vez, o cenário foi a penthouse do Shore Club, o icônico  clube art déco, cujas operações acabam de ser assumidas pelo Fasano.  O hotel, que esta sendo redesenhado pelo premiado arquiteto brasileiro, Isay Weinfield, deve ser inaugurado em 2017. Para celebrar o novo projeto o Arte Clube Jacarandá e a Espasso (especializada em design brasileiro) se uniram e apresentaram, obras de: Lenora de Barros, José Bechara, Carlito Carvalhosa, Cabelo, Antonio Dias, Carlos Motta, Raul Mourão, Oscar Niemeyer, Oskar Metsavaht, Mauro Restiffe, Claudia Moreira Salles, Daniel Senise, Carlos Vergara, Zanini de Zanine.

O conceito da exposição colocava frente a frente os melhores nomes da arte e do design. Foi assim que Oscar Niemeyer foi posicionado de frente para Oscar Metsavaht. Como um convite à relfexão e ao diálogo a poltrona alta, primeira peça de mobiliário desenhada por Oscar Niemeyer e sua filha Anna Maria Niemeyer, em 1971, foi colocada de frente para uma série de fotografias de Oskar Metsavaht, que oferecem uma releitura dos icônicos parangolés de Hélio Oiticica. Oskar promovia dessa forma o encontro entre mestre do modernismo e o ícono do neoconcretismo brasileiros, mostrando que a linha que a sua arte, design e arquitetura de ambos, não é a linha reta, mas sim a curva. Enquanto para Niemeyer o que interessava era “a curva livre e sensual”, para Oiticica o parangolé era a possibilidade da experiência artística como fruição sensual. Uma certa semelhança no trato com as formas e procedimentos geométricos, e o rompimento com sua rigidez e racionalidade pura,  é que os aproxima –  e é o que torna a ambos referências na obra de Oskar Metsavaht.

No filme-performance Interfaces I, de 2014, Oskar usou um tecido de organza branco sobre o corpo de uma modelo como tela para projeção de imagens da natureza local de Inhotim. O que vemos na série de fotografias apresentadas esse final de semana em Miami é o registro dessa performance, porém sem a projeção de imagens: agora é apenas o corpo em pulsação extática que aparece na tela.  A fluidez e o ritmo, quase palpável,  expressam uma sensualidade que poderia ser descrita como parte da tradição brasileira, notadamente carioca, que reintroduziu no modernismo e no concretismo geométrico, o sensualismo da curva, da dança, do movimento.

Oskar recupera e atualiza essas referências através de sua estética minimalista e linguagem contemporâneas, promovendo o reencontro entre um corpo neutro que pulsa e a natureza que o acolhe. Se os parangolés de Oiticica eram geralmente (multi)coloridos e em geral usados em happenings urbanos, os de Oskar são brancos e foram registrados contra o fundo natural de Inhotim – um local onde natureza e cultura se encontram e se misturam, assim como nas obras do artista.  Tanto nos parangolés de Oiticica quanto nos de Oskar é o movimento pulsional do corpo que ativa a estrutura e os torna obra, uma obra que reside no limiar entre o sujeito e objeto da arte, entre a vida e a arte, não sendo nunca possível precisar aonde uma começa e outra termina.