Parque tem de residência artística a oficinas; transformou antigos edifícios em escritórios, biblioteca e acervo para a fundação(Foto: Divulgação)

Existe um lugar na África do Sul preocupado com os artistas locais e em preservar suas belas paisagens no meio-ambiente. É um espaço de reconexão com a natureza e de harmonia interior – lugares como este devem ganhar ainda mais popularidade depois que a pandemia por Covid-19 passar. “Meu conselho é andar pelo parque, tomar um tempo (para si), encontrar um lugar para descansar, ficar quietinho. Absorva a atmosfera, há algo que transcende a nossa presença. Não tenho muita certeza do que é, mas sei que há”, explica Benji Liebmann, diretor e fundador do Nirox Foundation Sculpture Park, em entrevista à Bazaar.

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Localizado em Krugersdorp (distante 47 km da maior cidade daquele país, Joanesburgo), o parque era uma antiga fazenda que o empresário costumava passar os finais de semana. “Foi uma resposta ao acaso. Abandonei os negócios para encontrar uma maneira melhor de viver a vida na natureza”, comenta. Em busca de mais privacidade, acabou comprando as terras ao lado, onde funcionava uma fazenda de piscicultura, com criação e venda de trutas. “Tentei achar um uso alternativo e adequado para a propriedade. Minha ideia era estabelecer um complexo de artes, seguindo minha obsessão desde a infância.”

Tudo o que Liebmann pensou desde a concepção foi se materializando: de residência artística a oficinas à transformação de edifícios e galpões (que já existiam) em escritórios, biblioteca e acervo para a fundação mantenedora do Nirox. “Há um constante interesse no parque, em seus prédios e nas peças de arte que permeiam o lugar, seja para fotografar ou filmar, devido à diversidade de cenários”.

E foi lá que clicamos “Força da África”, ensaio publicado na edição de #IncrívelEmQualquerIdade (maio e junho/2020), com mulheres sul-africanas de discurso contundente sobre igualdade (vestidas de Dolce & Gabbana, marca que defende uma moda para todas as mulheres, independentemente de idades e corpos).

Em sua vasta vegetação, o parque expõe artistas do mundo todo. Vai dos ingleses Richard Long e Rebecca Chesney, passando pelos italianos Valerio Berruti e Rosenclaire, dando um pulo na Índia, com a artista Priyanka Choudhary, sem deixar de lado os sul-africanos Willem Boshoff, Caroline Bittermann e Thomas Mulcaire. Se o parque tivesse um “primo” brasileiro, com certeza seria o Inhotim, em Brumadinho (distante 57 km da capital Belo Horizonte). “Estive no Brasil no ano passado e havia intenção de visitar o Inhotim, mas não consegui. É um lugar espetacular (pelo que pesquisei). Espero poder conhecer em breve.”

Foto: Divulgação

Além do desejo de Liebmann em conhecer o maior museu a céu aberto da América Latina, ele revela que foi discutido com a Embaixada brasileira, na época que abriu as portas (nos idos de 2007), em colaborar com o Inhotim de alguma forma, mas nada aconteceu ainda. “Há ótimas razões e oportunidades para essa troca com o Brasil, há muito em comum para explorar, estamos muito abertos para isso”, assegura.

Além das paisagens verdejantes (e um dos mais belos pores do sol), chama atenção a vocação para a música. “Embora tenhamos construído o anfiteatro, nossas aspirações por apresentações (de música) eram vagas. Não sabíamos o que esperar. A forma com que os músicos e a audiência responderam foi gratificante”, conta ele empolgado, dizendo que é um tipo de evento que leva ao parque uma audiência diversa. “Meu maior prazer é ver toda essa gente em meio à natureza.”

Liebmann tem o privilégio de morar e trabalhar lá, mas mesmo assim não arrisca uma dica para quem for ao parque pela primeira vez. “Cada um tem sua própria perspectiva. Espero que ofereça diferentes formas de ver o mundo pelas artes, trazendo as pessoas para perto da natureza”, indica. Como o parque ainda está fechado por conta da pandemia de Covid-19, ele ainda não sabe qual vai ser o próximo evento. Ensaia a abertura do restaurante aos domingos e, possivelmente, deve organizar o ArteBotanica (dia de atividades, com exibição de obras, instalações artísticas e apresentações), programado para novembro. “Estamos em calma contemplação, aguardando pacientemente”, pontua.


Ao seu redor

Além de empregar a comunidade local e presenteá-las com as belas paisagens, o Nirox tem papel fundamental no fortalecimento da comunidade e negócios em seu entorno. “O impacto é intangível (não só) porque incentiva a conexão com outras pessoas e a natureza”, reforça Liebmann. “Há impactos práticos para a comunidade local, que desfruta de empregos, (eles) desenvolvem habilidades, além do profundo impacto nos pequenos negócios e empresas, que se estabeleceram (na região) por conta dos serviços prestados ao parque.”

Preservação

O parque de esculturas é composto por paisagens preservadas e vias aquáticas projetadas para exibir esculturas aos seus visitantes. A beleza e tranquilidade do parque são uma homenagem ao seu design sensível e manutenção meticulosa. Localizado dentro da reserva natural Khatlhampi, a propriedade privada possui mais de 40 quilômetros de trilhas para caminhadas, ciclismo e passeios de carro por pradarias intocadas, antigos vales de dolomita, fontes naturais, cavernas, florestas, cumes e colinas. É um ambiente bio-diverso, com povoado indígena que circula livremente por seu habitat.