Pablo Picasso - Foto: Divulgação
Pablo Picasso – Foto: Divulgação

Por Kênya Zanatta

Empreendedores, curiosos, corajosos, céticos – esses são alguns dos adjetivos que caracterizam os artistas bem-sucedidos. Muitos considerados gênios da humanidade, eles têm pontos de vista próprios, mas não hesitam em roubar ideias alheias. Param para pensar antes do próximo passo e mantêm um olho no contexto e outro no detalhe, além de utilizarem o fracasso como trampolim para saltos ainda mais ousados. Essa é a receita de Will Gompertz, autor do best-seller Isto é Arte?, para injetar mais criatividade no dia a dia.

Ele não nega o viés de autoajuda de seu novo livro, Pense Como um Artista…e Tenha uma Vida Mais Criativa, que sai neste mês. “Somos todos criativos”, diz o autor britânico e editor de arte da BBC, em entrevista à Bazaar. “A diferença dos grandes artistas para as outras pessoas é que eles aprenderam a usar seus músculos criativos de modo mais eficiente. O que nós podemos fazer se formos autoconfiantes, e roubarmos uma ou duas ideias dos Picassos e Shakespeares – afinal de contas, foi isso o que eles fizeram”, completou.

Pequeno Baco Doente, de Caravaggio.; Arlequim, de Picasso - Fotos: Divulgação
Pequeno Baco Doente, de Caravaggio.; Arlequim, de Picasso – Fotos: Divulgação

 

No livro, Gompertz passeia pela história da arte recolhendo exemplos para ilustrar suas teses. Que o empreendedorismo era parte da arte de Andy Warhol não surpreende ninguém. “Um bom negócio é o melhor das artes”, declarou o papa da pop art. o inusitado é associar o termo a Van Gogh. Gompertz defende que o pintor holandês, tido como boêmio e romântico, era um “empreendedor ativo e atento ao mercado”. A inspiração não surge do nada, aponta o escritor, e Pablo Picasso foi um especialista em combinar ideias alheias em uma nova criação. Após se apropriar do expressionismo de Van Gogh, dos contornos rígidos de degas, das cores de Gauguin e da temática de Toulouse-Lautrec, o catalão foi capaz de associá-los de modo inovador. Mas não basta surrupiar boas ideias. Um artista sabe, segundo Gompertz, a hora de pensar. O britânico David Hockney é conhecido por ficar horas diante de suas telas antes de aplicar a pincelada que faz toda a diferença. Mais paciente, o francês Marcel Duchamp levou 20 anos para completar Étant Donnés, espécie de instalação que virou peça de culto para artistas de todo o mundo.