Foto: Angela Zaremba

Três meses após dar à luz Laura, sua primeira filha (que completou seis meses agora em junho), Ingrid Silva já estava de volta aos tablados. Esta semana, a bailarina do Dance Theatre do Harlem participou de um talk dentro da programação oficial do Festival de Cannes, onde celebra a estreia do curta-metragem Making Space: A Visual Poetry Journey (Sheena Matheiken). “Sempre percebi que a minha história poderia inspirar outras pessoas, de um ponto muito sensível e pessoal”, conta à Bazaar.

O projeto de 20 minutos conta com depoimentos de Ingrid em entrevista a Kim Barker, uma das fundadoras da agência nova-iorquina responsável pelo filme. Por meio de uma narrativa biográfica e poética, a bailarina brasileira de origem humilde conta como conquistou o mundo por meio de sua dança. A ideia, ainda embrionária, é que o curta dê origem a um documentário em longa-metragem, como ela conta abaixo.

Aos 32 anos, Ingrid é fundadora do EmpowHer NY (entidade sem fins lucrativos que atua como um catalisador social estimulando o diálogo entre mulheres para que rompam os paradigmas impostos pela sociedade e vivam de acordo com a própria verdade) e, no ano passado, durante as discussões do movimento Black Lives Matter, co-fundou o Blacks In Ballet – uma rede digital que funciona como uma biblioteca, cujo objetivo é destacar bailarinos negros no mundo da dança e compartilhar suas histórias.

Em agosto, lança sua biografia “Ingrid Silva – A Sapatilha que Mudou o Meu Mundo” (Editora Globo), com histórias inéditas que reuniu durante a gravidez. Leia a íntegra:

Qual o fio condutor deste minidoc? Qual foi o ponto de partida para que dessem o start nas gravações? Há ideia de transformá-lo em longa?

Já fiz dois projetos com a agência The Bloc, em Nova York, que é a mesma agência que entrou em contato comigo recentemente para fazer este curta-metragem. Sempre percebi que a minha história poderia inspirar outras pessoas, de um ponto muito sensível e pessoal. O curta está muito lindo e impactante. Acho que poderia e seria incrível virar filme. A ideia está aí, vamos ver se segue por este caminho.

Foto: Angela Zaremba

Qual história não poderia faltar? O que mais te emocionou ao ver o filme?

Nossa, me emocionou do começo ao fim. Ter a Laura participando junto comigo… Esse é o primeiro vídeo que conto a história da minha vida e a minha filha está fazendo parte. Muito especial tê-la (neste projeto) e acho que o final, também, quando estou dançando… Faz só três meses e poder dançar depois de ter dado à luz tem sido muito desafiador. Mas muito bonito, também. aprendendo muita coisa sobre o meu corpo.

Qual sentimento define ‘palestrar’ em Cannes?

Gratidão! É, ao mesmo tempo, surreal e real ter essa oportunidade. Poder falar para uma audiência variada, empolgada em saber sobre a minha história. Está tomando uma proporção muito maior do que jamais imaginei. Estava muito ansiosa (antes da palestra).

Você acabou de ser mãe, no fim do ano passado. O que espera deixar de legado para ela?

Quero que a Laura cresça como uma criança forte para o mundo. Não no sentido de que ela não possa chorar ou não possa demonstrar emoções. Ela tem tanta história pra contar em seis meses, tanto brilho nos olhos… Quero que ela seja fortaleza de energia, de amor e de alegria. É esse legado que eu quero deixar pra ela. Que ela saiba do espaço dela no mundo, na minha vida e que ela veja as minhas experiências e possa se inspirar. Ser mãe é uma grande responsabilidade.

Qual a sua principal marca como mãe ou no que a maternidade te mudou?

Tenho aprendido muito e é tão fácil, né? Porque ela é tão calma que eu fico impressionada como a maternidade tem, ao mesmo tempo, mudado a minha vida, mas também tem trazido um pouco mais de pé no chão, sabe? Como mãe, estou ainda mais realista do que geralmente sou e mais protetora.

Algo que não perguntamos e gostaria de acrescentar?

Gostaria de acrescentar sobre o livro, que lanço em agosto, chamado “Ingrid Silva – A Sapatilha que Mudou o Meu Mundo”. Escrevi durante a minha gravidez e estou muito orgulhosa que todos possam ler, com coisas inéditas que nunca contei para ninguém. Esse livro vai ser muito especial, também.

Foto: Angela Zaremba