Popload Festival: Bazaar entrevista a cantora Tove Lo

Ela traz para o Brasil o novíssimo álbum "Sunshine Kitty"

by Carol Hungria
Tove Lo - Foto: Divulgação

Tove Lo – Foto: Divulgação

Se a música pop tem se tornado um espaço mais sombrio e triste nos últimos tempos, temos de agradecer a artistas como a jovem americana Billie Eilish, de 17 anos. “Sim, obrigado. Concordo. Eu a amo”, diz, aos risos, Tove Lo em entrevista à Bazaar. Uma das atrações do Popload Festival, que acontece nesta sexta-feira (15.11), em São Paulo, a cantora sueca pavimentou sua carreira com temas autodepreciativos.

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No entanto, sua nova fase solar ganhou um tom mais confessional com o recém-lançado álbum “Sunshine Kitty” (Universal Music). Claro, sem deixar de lado os pensamentos soturnos. “Minhas músicas têm muita melancolia. Mas é como se fossem tristes para dançar, sabe? Você pode dançar e chorar ao mesmo tempo”, indica ela.

Toda vez que lança um álbum, a escorpiana de 32 anos embarca em um processo criativo que vai além do som. Com Lady Wood e Blue Lips, respectivamente de 2016 e 2017, ela produziu belíssimos curtas-metragens que ajudavam a contar histórias. “Estava querendo criar um mundo e, quando fiz isso, senti como se tivesse caído uma ficha”, revela. Se pudesse, levaria essas histórias para além dos videoclipes. Para as telonas? “Adoraria, amo atuar. Então, se surgisse a oportunidade, que fosse um filme com a minha pegada, seria incrível”, empolga-se.

Tove Lo - Foto: Divulgação

Tove Lo – Foto: Divulgação

Para Tove Lo, a atitude vale mais do que mil palavras – a gente bem lembra quando ela mostrou os seios no Lollapalooza Brasil, em 2017. Ela também se desnudou publicamente, no ano passado, quando assumiu sua bissexualidade. “Sou apenas uma pessoa honesta”, diz, sem se tachar como uma artista politizada, que sai por aí levantando bandeiras. “Acredito em direitos básicos, como equidade entre homem e mulher, só isso. Sou feminista e a favor dessa igualdade.”

Após sua passagem pelo Brasil, a cantora fez uma incursão pelo funk. Resultado disso é o paulista MC Zaac em uma das faixas do novo trabalho. “Lembro-me de ter ido a uma espécie de caverna, onde estavam tocando (o gênero). Era tão legal que acabei mandando um monte de músicas para o Ludvig (Söderberg, um de seus produtores, ao lado de Jakob Jerlström, que fazem parte dos Wolf Cousins)”. Com a base de “Are U Gonna Tell Her?” pronta, achou que seria legal ter um brasileiro na collab. “A voz do MC Zaac é muito boa e tem um timbre muito distinto. Esperávamos que ele embarcasse nessa. Para a nossa sorte, ele topou e matou a pau”, conta ela, sobre uma de suas favoritas do álbum.

Se tem uma coisa que ela não pode reclamar é dos encontros musicais da nova fase. Kylie Minogue também empresta sua voz na ótima “Really Don’t Like You”. “Ela é maravilhosa, carismática como uma superstar”, elogia. O primeiro encontro aconteceu por acaso, em Hong Kong, durante um evento de caridade da amfAR. “Ela disse que seria legal se tocássemos juntas um dia. E isso ficou no meu subconsciente”, relembra.

Tove Lo - Foto: Divulgação

Tove Lo – Foto: Divulgação

Quando sentiu que tinha uma música que encaixava a voz de Kylie, enviou para ela, que amou. “Kylie fez o que precisava e arrasou. É muita sorte que ela tenha participado.” Charli XCX, Lorde, Dua Lipa, SZA e Lizzo são outras artistas da atual safra que acredita ter um legado parecido com o seu, e em sua lista-desejo de futuros duetos estão a misteriosa cantora SIA, a flamenca revelação Rosalía e o rapper The Weeknd.

No entanto, no momento, sua maior ambição é colocar de pé uma nova turnê, em 2020. Nesse processo, tem de abrir mão de seus hobbies, como surfar, desenhar e dançar. Antes de se jogar na estrada, vai fazer a plateia de São Paulo dançar – ou dançar e chorar ao mesmo tempo. Tove Lo foi sucinta ao falar sobre a setlist para o show no Brasil.

“Vamos mudar um pouquinho desde a última vez que tocamos por aí. Vai ter um monte de coisa nova”, diz, misteriosa. Vamos aguardar. O Popload Festival será realizado no Memorial da América Latina, e trará também o indie revolucionário do Cansei de Ser Sexy (CSS, para os íntimos) de volta aos palcos; a roqueira septuagenária Patti Smith; a banda do Jack White, The Raconteurs; os britânicos de reputação inabalável Hot Chip e mais atrações, incluindo a baiana Luedji Luna.

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