Bazaar entrega todos os detalhes da Fondazione Prada. Fotos: divulgação
Bazaar entrega todos os detalhes da Fondazione Prada. Fotos: divulgação

Por Priscilla Portugal

Redefinir a cultura e a arte contemporâneas são al­guns dos objetivos que Miuc­cia Prada nunca escondeu. São anseios que aparecem em seus desfiles, nas criações de moda, em seus pontos de venda e, agora, nos edifícios­-sede da Fondazione Pra­da. O primeiro, inaugurado em 2011, em Veneza, funcio­na em um palácio construído entre 1724 e 1728. O segun­do, este o mais aguardado, deve abrir suas portas neste mês em Largo Isarco, na zona in­dustrial de Milão.

A fundação em si já realiza projetos de arte, arquitetura, cine­ma e filosofia desde 1993, mas as sedes possibilitam mostras tem­porárias e permanentes do acervo da marca, instalações site-speci­fic, exibições de filmes e um bar cool, que tem causado frisson nos fãs do trabalho do cineasta Wes Anderson (de O Grande Hotel Budapeste). Isso porque Wes foi convidado pela marca para em­prestar sua visão nostálgica ao local, que reproduz a atmosfera tí­pica dos cafés milaneses da Belle Époque. Mas o bar assinado por Anderson está longe de ser a única atração do espaço projetado pelo starchitect Rem Koolha­as, detentor do prêmio Prit­zker de 2000. Ele reformulou uma área de 19 mil m², que já foi ocupada por uma des­tilaria.

E, além de explorar os sete edifícios existentes, cons­truiu um pavilhão, um cine­ma e uma torre de nove anda­res, que deve funcionar como uma tela em branco. “Nossa proposta é oferecer um catá­logo de condições arquitetô­nicas diferentes, a ser usado, à vontade, por artistas e curadores”, explica Koolhaas. Já o cinema estreia com a exibição de um documentário inédito e uma série de filmes de Roman Polanski. Neles, o diretor polonês mostra suas influências, como um longa de Doris Day, que foi inspira­ção para as primeiras cenas de O Bebê de Rosemary.

Em resumo, Miuccia justifica a imponência da Fondazione Prada como um espaço que incentiva a investigação artística e a experimentação, e não uma oportunidade de branding para a marca – que faturou cerca de € 3,5 bilhões em 2014 e empre­ga 10 mil pessoas. “O que me interessa não são as certezas, mas, sim, as dúvidas e os conflitos”, costuma dizer.