Carlos Miele na "I Journée Du Luxe" - Foto:Arthur Vahia
Carlos Miele na “I Journée Du Luxe” – Foto:Arthur Vahia

por Anna Del Mar

A semana começou agitada com a primeira edição da Journée Du Luxe, um workshop sobre o mercado de luxo organizado pela agência Bico Fino em parceria com a Harper’s Bazaar. No auditório da Livraria da Vila do Shopping JK Iguatemi, big names do setor como nossos editores de moda e beleza, Sylvain Justum e Vânia Goy, ao lado de Giulio Garbin, da Ermenegildo Zegna, Carlos Diniz, Carlos Mieli e muitos outros, dividiram sua expertise sobre esse mercado que, no Brasil, já movimenta mais de 20 bilhões de dólares por ano.

Siga conosscos os highlights do evento:

Carlos Miele
O estilista, que no começo do mês anunciou seu retorno às passarelas brasileiras, abriu o evento expondo sua visão, enquanto uma marca brasileira, sobre o desenvolvimento da indústria de luxo nos últimos anos. “A moda brasileira mudou muito na última década. A crítica está mais aberta agora.” comentou, ressaltando que somente nos últimos anos o mercado internacional passou a enxergar e consumir moda brasileira.“Hoje temos orgulho de falar que somos brasileiros.”

Giulio Garbini
Business development manager da Ermenegildo Zegna na América Latina, o empresário apresentou a visão de uma marca estrangeira que, como tantas outras, vislumbrou no Brasil um mercado em potencial e rapidamente traçou planos de fixar raízes por aqui. A Zegna, juntamente com a Armani e Louis Vuitton, foram as primeiras marcas a desembarcarem nesses trópicos. “O mercado de luxo no Brasil começou em meados dos anos 2000,” afirma o representante da label italiana que traçou uma linha do tempo bem explicativa.

Depois da Daslu (1960), a Louis Vuitton abriu sua primeira loja (1988) e mais tarde (1996) no Shopping Iguatemi. Em 2001 chegaram a Zegna e a Armani, seguidas pela Bulgari (2003) e tantas outras de lá pra cá. Garbin ressaltou a importância de dados sócio-economicos – como o aumento do PIB e da população- como os principais fatores para o repentino interesse das grandes maisons no Brasil. “2014 será a segunda etapa desse processo”, dita, explicando que o ano será marcado pela expansão das marcas para outras cidades como Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Recife.

Harper’s Bazaar na I Journée Du Luxe

Sylvain Justum comentou a democratizacão do luxo, ressaltando que atualmente ele pode ser dividido entre luxo puro e luxo acessível. Explicando o segundo gênero, nosso editor de moda lembrou que, ao mesmo tempo em que pregam a exclusividade associando-se com as revistas de luxo, as marcas são pulverizadas com suas inúmeras parcerias fast fashion – Lanvin para H&M, Stella McCartney para C&A etc – que são avidamente consumidas no mundo inteiro e dão a chance do grande público ter peças grifada em seu guarda-roupa.

Sylvain Justum e Vânia Goy,  editores de moda e beleza da Harper's Bazaar - Foto:Arthur Vahia
Sylvain Justum e Vânia Goy, editores de moda e beleza da Harper’s Bazaar – Foto:Arthur Vahia

Porém, Sylvain lembra o luxo não está nas marcas, “o segredo está em saber misturar peças grifadas com básicas adquiridas em qualquer loja, o famoso high-low que as francesas sabem fazer tão bem e todas as mulheres querem copiar”, explica ele. “A chegada das fast fashion vai amadurecer a cultura de luxo brasileira. A abertura da GAP, por exemplo, é mais relevante para a cultura de moda local do que o boom das marcas de luxo, pois fornece instrumentos para os brasileiros trabalharem o seu estilo pessoal”, completa, lembrando que o mercado nacional carece de básicos passíveis de serem coordenados com peças de labels poderosas.

Nossa editora de beauté, Vânia Goy, falou sobre o mercado de beleza brasileiro, o terceiro maior do mundo, atrás apenas dos EUA e Japão. Vânia explicou como a chegada de duas gigantes, a M.A.C e a Sephora, revolucionou o consumo de beleza brasileiro. “Até então, as brasileiras compravam por catálogo, não existia a cultura de experimentar a maquiagem antes de levá-la para casa”, explica, lembramdo também da transformação do setor em relação a produtos capilares, naturais, exclusivos e genéticos. “A rotina capilar será equivalente a skincare e os cosméticos com ingredientes naturais deixaram de ter conotação hippie.” garantiu, completando que o “desenvolvimento na área de beleza hoje só perde para a área de tecnologia e as marcas tem que renovar seu mix de produtos de quatro em quatro anos.”

Para Vânia, o que se tem de mais luxuoso hoje em dia é a exclusividade como fragrâncias personalizadas e tratamentos sob medida, “atualmente, a análise de células troncos é o crème de la crème dessa indústria”. A técnica desenvolve produtinhos específicos para as necessidades de cada pessoa através de uma análise detalhada das células. Atualmente só existem três laboratórios que fazem esse trabalho no mundo inteiro e o Brasil está prestes a receber o próximo com uma iniciativa ainda pouco difundida da Boticário.

Mimos para os convidados - Foto:Arthur Vahia
Mimos para os convidados – Foto:Arthur Vahia

A tarde seguiu com uma enriquecedora aula sobre whisky com Eduardo Rotella da Chivas, uma mini-aula de Suzane Strehlau, da ESPM, e Claudio Diniz, da Maison Du Luxe, e ainda um bate papo com Ayres Cury, Victor Megido do IED, Mayara Abbondanza da Dedo de Moça, André Abbucham da Engerom e muitos outros. A jornada segue agora para Rio de Janeiro, Brasília e Curitiba, ainda sem datas definidas, e depois retorna a São Paulo para uma segunda rodada com mais dias e mais palestrantes.

Para outras informações é só acessar o site do evento.