O pavilhão de verão das Serpentine Galleries, projetado pelo Bjarke Ingels Group - Foto: divulgação
O pavilhão de verão das Serpentine Galleries, projetado pelo Bjarke Ingels Group – Foto: divulgação

Por Kênya Zanatta

Em mais de 50 anos de carreira, o búlgaro Christo já embrulhou o Reichstag, em Berlim, e instalou uma cerca de quase 40 km no norte da Califórnia. Sua mais recente empreitada se intitula The Floating Piers (Os Píeres Flutuantes) e marca seu retorno à Itália depois de 40 anos sem realizar um grande projeto no país.

A partir do dia 18 de maio, os visitantes poderão literalmente caminhar sobre as águas do Lago de Iseo, próximo a Milão. Um sistema de doca flutuante modular sustenta 70 mil metros quadrados de lona amarela. Nessa passarela de 3 km, que ondula ao ritmo dos movimentos da água, será possível andar do vilarejo de Sulzano até a ilha de Monte Isola e dar a volta na pequena ilha de San Paolo.

O tecido amarelo que identifica a nova obra de Christo também será estendido por um trecho de ruas pedestres de Sulzano e Peschiera Maraglio, em Monte Isola. As montanhas que circundam o lago oferecem um ponto de vista ideal para apreciar o conjunto do descomunal projeto.

Essa é a primeira obra em grande escala de Christo desde que ele e Jeanne-Claude – sua mulher e parceira criativa, morta em 2009 – realizaram The Gates (Os Portões), instalando mais de 7 mil portões inspirados na tradição japonesa em pleno Central Park, em Nova York. Como todas as intervenções do artista, The Floating Piers é financiado exclusivamente pela venda de suas obras de arte e esboços preparatórios. De 18 de junho a 3 de julho :: thefloatingpiers.com

Olafur Eliasson oferece novas perspectivas do Palácio de Versalhes - Foto: divulgação
Olafur Eliasson oferece novas perspectivas do Palácio de Versalhes – Foto: divulgação

Arquitetura efêmera
Vitrine para levar a arquitetura contemporânea ao grande público, o tradicional pavilhão de verão das Serpentine Galleries, no Hyde Park, em Londres, já foi projetado por alguns dos principais nomes da área, como Zaha Hadid, Oscar Niemeyer, Frank Gehry e Jean Nouvel.

A versão 2016 é assinada pelo Bjarke Ingels Group (BIG), um grupo de arquitetos baseado em Copenhague e Londres. Partindo de um dos elementos mais básicos da arquitetura, a parede de tijolos, o projeto buscou unir aspectos geralmente tidos como opostos: uma estrutura de forma livre, mas regular, ao mesmo tempo modular e em vez de tijolos ou blocos de cimento, a parede foi construída com fibra de vidro e dividida ao meio para formar uma cavidade, onde acontecem os eventos do pavilhão. Embora pareça uma linha reta no alto, ela desce em suaves ondulações até o chão.

Neste ano, o programa arquitetônico da instituição ganhou um escopo maior: além do pavilhão, foram construídas quatro casas de verão em Kensington Gardens,concebidas pelo nigeriano Kunlé Adeyemi, pelo escritório Barkow Leibinger (baseado em Berlim-Nova York), pelo célebre arquiteto franco-húngaro Yona Friedman e por Asif Khan, estrela em ascensão da arquitetura britânica. Todas foram inspiradas no vizinho templo da rainha Caroline, uma clássica casa de verão do século 18.

Operários instalam doca flutuante no Lago de Iseo na Itália em abril - Foto: divulgação
Operários instalam doca flutuante no Lago de Iseo na Itália em abril – Foto: divulgação

Ainda em Londres, a Tate Modern inaugura, no dia 17, seu novo prédio, projetado pela dupla de arquitetos Herzog & De Meuron – a mesma que comandou a transformação da usina de energia elétrica construída nos anos 1950 em sede da instituição, aberta no ano 2000. A nova construção de dez andares, erguida sobre os tanques do antigo prédio, incorpora uma parte que era inacessível ao público e aumenta em 60% o espaço para exibição de obras de arte e outras atividades. No verão, o grande atrativo é o terraço, que oferece vista de 360 graus da cidade. Serpentine Pavilion and summer houses.De 10 de junho a 9 de outubro ::serpentinegalleries.org New Tate Modern. Inauguração no dia 17 de junho :: tate.org.ukescultural

Ponto de vista
Autor de obras monumentais com grande sensibilidade ambiental e um marcado interesse por questões de percepção e apreensão do real, o dinamarquês-islandês Olafur Eliasson ocupa, a partir do dia 7, os jardins do Palácio de Versa- lhes, nos arredores de Paris.

A cada verão, a instituição escolhe um artista contemporâneo de renome para propor um novo ponto de vista sobre a simetria dos jardins de Lenôtre e a opulência barroca do palácio projetado por Louis Le Vau.

Em vez de instalar esculturas nas alamedas verdejantes, Olafur Eliasson criou dispositivos que demandam uma participação ativa do visitante.Todas as obras foram concebidas levando em conta o local onde seriam colocadas.

A maquete da casa de verão concebida por Asif Khan - Foto: divulgação
A maquete da casa de verão concebida por Asif Khan – Foto: divulgação

As instalações ao ar livre dialogam com o tema da água, predominante no jardim clássico. No Grande Canal, o artista colocou uma cascata, prevista no projeto original, mas jamais realizada. No Bosque da Estrela, os visitantes deparam com um véu circular de nevoeiro fino e, no Bosque da Colunata, com um tapete de resíduos de geleira vindos diretamente da Groenlândia. Segundo o artista, o nevoeiro e a água amplificam o sentimento de impermanência e transformação.

Dentro do palácio, ele se aproveita da maleabilidade do barroco e utiliza espelhos e luzes de maneira sutil para criar jogos de reflexos, multiplicar os pontos de vista e ampliar os salões, trazendo frescor ao monumento histórico e permitindo que o espectador seja confrontado com a própria imagem em ângulos inusitados.
De 7 de junho a 30 de outubro :: chateauversailles.fr