ARO, em ensaio de divulgação de sua nova fase musical - Foto: reprodução
ARO, em ensaio de divulgação de sua nova fase musical – Foto: reprodução

Por Luísa Graça

“Sempre gostei de músicas levemente sombrias.” Vinda da filha do príncipe das trevas do rock, a frase pode parecer a mais natural do mundo. Mas a cantora Aimée Rachel Osbourne, cujo pai é apenas o í dolo do metal Ozzy, já, de cara, desvincula seu estilo de algo próximo ao hard rock ou quetais para se dizer movida por canções sombrias, sim, mas desde que com uma “autenticidade emocional”. Ela chega a falar que seus pais, na música, na verdade são artistas como Annie Lennox, Portishead. Ou seja, com menos ocultismo e mais dor de cotovelo mesmo.

Aimée, ou ARO (suas iniciais), cria seu próprio mundo atmosférico escrevendo canções que defende ser sinceras e pessoais.“Ser uma garota e crescer em Los Angeles em um contexto familiar bastante raro teve impacto sobre mim. E, mais ainda, ter o meu coração partido, descobrir quem eu sou…Tudo isso foi catalisador e ressoa na música que faço hoje”, conta a mais reclusa dos filhos de Ozzy, em entrevista à Bazaar. ARO nasceu na Inglaterra, mas cresceu na cidade onde há, possivelmente, a maior concentração de pessoas famosas por metro quadrado e, consequentemente, a maior concentração de filhos de famosos por metro quadrado.Aos 15 anos,já sabia que queria seguir carreira na música,como seu pai, mas foi esperta para não ir pelo caminho mais provável. Até hoje, muita gente se refere a ela como a “filha misteriosa” de Ozzy Osbourne, só porque se recusou a fazer parte do reality show que mostrava o dia a dia da família na tela da MTV e que lançou à fama seus dois irmãos, Kelly e Jack.

Aos 31 anos e com o primeiro trabalho como cantora no forno, um EP a ser lançado neste mês, ainda se fala nesse assunto, mas ARO não se sente presa à sombra do pai e se expõe à fama em seus próprios termos.“Passei muito tempo pensando por que demorou tanto para eu conseguir me encontrar criativamente, mas aprendi a apreciar o processo”, diz, segura. Esguia, com traços fortes e rosto anguloso, aparece quase toda coberta no vídeo de seu primeiro single, Raining Gold, que puxará o EP. “Meu estilo é bem específico, nunca fui de ter fases. Acho que não há nada mais sexy e feminino do que vestir roupas que, de fato, cobrem o corpo”, resume. Não deve demorar muito a fazer a cabeça do povo da moda e,apesar de rir desconcertada com essa possibilidade, diz que adoraria fazer possíveis parcerias com designers, para enriquecer a estética do projeto. Tudo a seu tempo, claro.