Ana de Armas (atrás) interpreta viúva de Sérgio Vieira de Mello na trama da Netflix (Foto: Divulgação)

Por André Aloi

O filme que narra a história do diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, “Sergio”, estreia nesta sexta-feira (17.04) na Netflix. O longa, com Wagner Moura como protagonista, interpretando o Alto Comissário brasileiro na Organização das Nações Unidas (ONU) retrata o lado humano e romântico daquele que lutou pelo direito à vida de diferentes povos e acabou perdendo a vida por isso. O roteiro é baseado na biografia “O homem que queria salvar o mundo”, de Samantha Power e cujo diretor, Greg Baker, já havia lançado um documentário homônimo para a HBO, em 2009.

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“Aconteceu de forma natural, meio que nos encontramos”, explica Barker em entrevista à Bazaar, por telefone, sobre a escolha de Moura. “Ele estava procurando o papel, eu alguém. (…) Acho que ele me disse que queria fazer o papel de um herói que não fosse um traficante, policial ou algo do gênero (risos)”, brinca sobre as atuações do brasileiro em “Narcos” (em que vive o lendário traficante Pablo Escobar), da Netflix, e a franquia “Tropa de Elite” (do brasileiro José Padilha), que interpreta o Capitão Nascimento, do Batalhão de Operações Policiais Especiais, o Bope da PM do Rio de Janeiro.

Sobre “Sergio”, Barker afirma que quis mostrar o lado humano e com problemas de uma pessoa que via o mundo de forma tão transparente, tinha acesso a pessoas poderosas do mais alto escalão, ainda conseguia abrir diálogo com pessoas com opiniões divergentes e de diferentes pontos de vista. “No entanto, ele não conseguiu se ver claramente, lutava para ser verdadeiro e autêntico para os mais próximos”.

O diretor explica que este é um filme sobre empatia, como olhamos para o mundo e nos enxergamos. “Você também pode vê-lo como uma espécie de poema sobre o amor, que é o mais importante sentimento na vida. E como se orgulhar ao ser fiel àqueles que estão mais próximos de nós e têm um objetivo no mundo”, pontua. Leia a entrevista abaixo:

Daniel Dreifuss, Greg Barker, Brent Travers e Wagner Moura, que trabalharam juntos em ‘Sergio’, no festival de em Sundance (Foto: Getty Images)

Durante o filme, as o português, o espanhol e o inglês vão se alternando. Qual foi a intenção por trás disso?
Queria parecer o mais autêntico possível. Sergio sabia falar cinco idiomas diferentes. Quer dizer, o idioma principal é o inglês. Ele é fluente em inglês e francês e, obviamente, português e espanhol. Tentamos, realmente, fazer com que soasse natural. Ele fala muito português com o general Gusmão em Timor-Leste, mas eles também falam inglês na frente dos funcionários que não falam português. E era assim que deveria ser. Mas há outra coisa. Ele era um tipo real de cidadão internacional que, para melhorar o mundo, não fala apenas em uma língua.

Como foi a aproximação com Wagner Moura?
Aconteceu de forma natural, nós meio que nos encontramos. Ele estava procurando o papel, eu alguém. Acho que me disse que queria fazer o papel de um herói que não fosse um traficante, policial ou algo do gênero. A gente se esbarrou, eu estava procurando (alguém para o papel), ele também estava fazendo a mesma coisa (só que do outro lado). Se não me engano, ele assistiu ao documentário e me procurou. Sabia que eu tinha os direitos para produzir um filme a partir do livro da Samantha Power. Juntamos forças. O mais importante: acabamos vendo o filme da mesma forma e desenvolvemos (isso) juntos. Em seguida, tivemos uma conexão profunda no desenrolar do filme, na escrita do roteiro e em todo o restante. Foi incrível vê-lo meio que se tornar esse personagem. E sim, nos tornamos muito, muito próximos.

Há uma cena de sexo em que Wagner aparece em nu frontal, mas há um blur…
(Ele diz não se lembrar da cena exata e responde) Obviamente, nós fomos muito cautelosos em como iríamos retratar essas cenas. Então, usamos alguma tática (para esconder). Isso aconteceu em alguns pontos do filme.

Depois de “Sergio”, há algum projeto engatilhado? O que pode adiantar?
Oh, eu não tenho muitas ideias ou projetos dos quais esteja trabalhando no momento. Vamos ver. Agora, estamos focando nossos esforços em em cuidar do lançamento deste filme no mundo.

SINOPSE
O filme conta os últimos episódios na vida do diplomata, que passou por missões importantes, como a Administração Transitória da ONU no Timor-Leste e, a missão seguinte, em teve sua vida tirada em um ataque terrorista no Iraque na época da ocupação dos Estados Unidos naquele território, em 2003. À época, o então presidente americano George W. Bush (com quem Sérgio mantinha diálogo) alegava que o presidente iraquiano, Saddam Hussein, mantinha um arsenal de armas químicas que ameaçavam a paz mundial. Em 2015, a noiva de Sérgio, a argentina Carolina Larriera, foi reconhecida como mulher pela Justiça Brasileira. É sobre o amor e encontro deles, também, que o longa se debruça.