Rachel Maia – Foto: Reprodução/Instagram/@rachelomaia

Como Bazaar já anunciou por aqui, Rachel Maia lança um livro autobiográfico. A trajetória da infância pobre na periferia de São Paulo, quando ajudava a mãe a fazer faxina, até a bem-sucedida carreira de CEO de sua própria empresa de consultoria é mais do que uma inspiração.

“Meu Caminho até a Cadeira Número 1”, da GloboLivros, é o tema da entrevista de hoje da Harper’s Bazaar Brasil. Leia na íntegra:

Como nasceu a ideia de escrever um livro?

A ideia do livro surgiu com a vontade de colocar no papel toda a minha trajetória, incentivada pela minha mãe, Dona Pretinha. As histórias têm o dom de inspirar e incentivar as pessoas. Então pensei, poxa, a trajetória de uma menina preta, que nasceu em zona periférica, onde muitas veem suas vidas ditadas por outras pessoas de que dificilmente sairão daquela situação e sem qualquer perspectiva, eu quis mostrar que não. É possível sonhar grande e atingir os objetivos, eu não quero ser a única. Eu abri a porta, e agora está na hora de outras mulheres pretas passarem. Mulheres se empoderem de si, o seu lugar é onde você quiser estar.

Quais foram os autores que inspiraram você a escrever este livro?

Não tive autores específicos e sim pessoas que me inspiram. Meus pais que criaram todos os filhos de forma modesta, mas com toda a honestidade, que sempre me mostraram o valor do trabalho e como ele modifica o ser humano. Minha família como um todo, todos sempre muito presentes em minha vida, sem contar as grandes mulheres como Michelle Obama, Viola Davis, Angela Davis, Maria Carolina de Jesus, Djamila, Oprah Winfrey, Vernā Myers entre tantas outras que me inspiram diariamente.

Como foi para você revisitar toda sua trajetória de vida para escrever um livro?

Foi uma experiência única, poder voltar ao passado e revisitar as memórias, meu período fora do Brasil e a saudade que eu sinto de todos que compartilharam comigo dessa trajetória, como foi a minha carreira cargo por cargo de como sempre foquei no próximo step e como faria para alcançá-lo, o autoconhecimento, ver os depoimentos que eu recebi, foi um sentimento de gratidão muito intenso.

Qual foi o momento mais doloroso durante o período de escrita?

Reviver os momentos que foram difíceis que algumas vezes me atravessaram ou me atingiram de alguma forma. Vivemos em um país com barreira sociais, preconceitos de todas as formas. Vivi momentos que eu jamais vou esquecer. Eu gostaria que muitas pudesse se sentir representadas pela minha trajetória, pelas conquistas, pelos desafios, o melhor é poder falar sobre minha ancestralidade numa boa, mas infelizmente, essa ainda não é uma realidade do país em que vivemos, eu junto com minha RM Consulting estou trabalhando para mudar essa realidade, e por menor que seja as mudanças, estamos avançando, eu sei que o caminho ainda é longo, mas chegaremos lá.

E o momento de maior felicidade?

Poder contar minha experiência, como era feliz na minha infância, mostrar que apesar da vida parecer desafiadora, temos que encará-la de frente, e quando cair, aprender a levantar, porque ao fazer isso voltamos mais fortes, é com os desafios que vem os maiores aprendizados, e é assim que eu me sinto feliz, e mostrando que olha, se eu consegui você também pode! É mostrar o lado positivo de tudo sempre mesmo quando tudo parece desmoronar.

Quais foram as maiores dificuldades que você enfrentou para escrever?

Tempo, esse para mim sempre foi o meu maior desafio, eu sou uma pessoa que se pudesse me transformaria em dez Rachel para dar conta de tudo que eu tenho vontade de produzir e realizar na minha vida. O sentar com tranquilidade sem o telefone tocar, sem ter compromissos, foi algo bem desafiador, e mesmo na correria, eu consegui fazer com o livro saísse da forma que eu gostaria.

E o que veio de forma fácil e natural?

Eu adoro conversar, compartilhar, então contar a história foi bem fácil para mim, eu só precisava me sentar e concentrar que fluiu naturalmente. Acredito que quando a história é sentida na pele o desenrolar é mais fácil. Sem contar as ajudas que eu recebi durante este processo.

Quem são as pessoas que você quer atingir com o conteúdo do seu livro?

A todas as mulheres que querem chegar a posição de liderança, que querem transformar o mundo que as rodeia, eu quero incentivá-las, empondera-las para que o futuro seja cada vez melhor.

Você já tem planos para escrever mais um livro?

Por enquanto não, mas quem sabe nos próximos anos! (rs)