Foto: Divulgação
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Por Luísa Graça

É uma tarde chuvosa de outono em Nova York, e uma quantidade considerável de jovens garotas faz fila em frente ao Webster Hall. Elas estão ali debaixo de água na esperança de conseguir um ingresso para o show da sensação pop Charli XCX, sold out naquela noite. Dentro da casa, a atração de abertura, a britânica Laura Bettinson, ex-integrante da banda Ultraísta, agora em projeto solo como Femme, está sentada em um banquinho do bar de cima, lendo. Até poderia se passar por uma pessoa discreta, não fosse o cabelo rosa e o casaco de pelo sintético – grande demais para ela, mas Laura não faz o tipo que precisa de atenção. “É assim que me visto no dia a dia. Uma versão menos exagerada de quando estou no palco, onde capricho na dose de acessórios dourados”, ri.

Femme, assim como Charli, é parte de uma safra de novas artistas que não fazem pop convencional. Formada em Música pela Universidade de Londres, ela é do tipo do-it-yourself. Compõe, produz, toca, canta e também faz a arte dos discos e dirige seus vídeos – tudo charmosamente imperfeito. Fever Boy, seu hit contagiante que figurou em listas de melhores músicas de 2013, ganhou um vídeo em que Laura e suas melhores amigas, todas bem maquiadas em mood sessentinha,cantam em frente à câmera enquanto dão banho em um cachorro.“É o que fazemos quando estamos juntas – cantamos com uma escova de cabelo na mão e criamos coreografias. E é bem engraçado poder fazer isso profissionalmente, porque faríamos em casa de qualquer maneira.”

Ela e suas duas Bullet Girls, as amigas e dançarinas que a acompanham ao vivo e nos clipes, têm rodado EUA e Europa fazendo shows, conquistando plateias, como a legião de garotas que esperava para ver Charli XCX naquela terça- -feira. Um crítico do The New York Times até nomeou Femme como a nova voz da revolução pop feminina. “Pop não deveria ser um palavrão. Sinto que, às vezes, as músicas que figuram nos to- pos das paradas têm construção preguiçosa, e não precisa ser assim. Pop pode ser açuca- rado e inteligente ao mesmo tempo”, diz à Bazaar. Ela tem feito sua parte. Das ótimas Daydreamer e Double Trouble, faixas de seus primeiros EPs, à S.O.S., single que lança neste mês, a britânica cobre suas letras com melodias doces, floreios sônicos e muita textura nos sintetizadores. Uma mistura de grupos femininos dos anos 1960, como Shangri-Las e The Shirelles, com um pouco de Robyn. É divertido, é doce e cor-de-rosa e um tantinho estranho – e não há nada de errado nisso.