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Roteiro off Bienal: exposições em São Paulo

Durante a abertura do maior evento de arte da América Latina, não perca também algumas das melhores mostras que acontecem na cidade

by Felipe Stoffa
Fotografia de Mauro Restiffe - Foto: Mauro Restiffe/Cortesia MAM

Fotografia de Mauro Restiffe – Foto: Mauro Restiffe/Cortesia MAM

MAM 70: MAM e MAC USP
Museu de Arte Moderna
Parque Ibirapuera – Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº
Até 16 de dezembro

Ao sair da Bienal de São Paulo, continue o passeio e siga até o MAM, que fica do outro lado da marquise do Parque Ibirapuera. Lá, uma exposição inédita celebra os 70 anos de vida do museu, um dos mais emblemáticos da cidade. A exposição é imperdível, e grandes obras e nomes da história da arte brasileira estão ali.

Para a produção da mostra, o MAC USP emprestou parte de seu acervo, que, originalmente, era de propriedade do Museu de Arte de São Paulo. Acontece que, em meio às documentações históricas que contam um pouco mais sobre a vida do museu, você vai notar que nada alí tem tom nostálgico. Pelo contrário: a curadoria reuniu 103 obras de distintos suportes e períodos que questionam e apontam para o futuro. “Desde sua fundação, o MAM assumiu permanentemente o risco de lidar com a produção experimental. É daí seu compromisso com a prospecção da contemporaneidade”, disse Felipe Chaimovich, curador da instituição.

O visitante encontra esculturas, pinturas, vídeos, fotografias e diversos outros suportes. Das obras, nomes como Alfredo Volpi, Geraldo de Barros, Maureen Bisilliat, Nelson Leirner, Cildo Meireles, Tunga, Anna Bella Geiger, Ana Maria Tavares e Claudia Andujar, para citar alguns. Além disso, artistas internacionais também estão presentes, como Joan Miró, Fernand Léger e Jean Arp.

RISE, Bárbara Wagner & Benjamin de Burca - Foto: Cortesia dos artistas/Galeria Fortes D'Aloia & Gabriel

RISE, Bárbara Wagner & Benjamin de Burca – Foto: Cortesia dos artistas/Galeria Fortes D’Aloia & Gabriel

Bárbara Wagner & Benjamin de Burca – RISE
Fortes D’Aloia & Gabriel
Rua Fradique Coutinho, 1500 – Vila Madalena
Até 6 de outubro

Música e cultura underground são dois universos discutidos em RISE, novo filme da dupla Bárbara Wagner e Benjamin de Burca, que apresentam na galeria sua primeira individual. Filmado nas ruas de Toronto, Canadá, o vídeo retrata jovens poetas e cantores que se reúnem semanalmente em um centro comunitário na periferia da cidade canadense. RISE (Reaching Intelligent Souls Everywhere) dialoga com o movimento de mesmo nome criado pelo poeta Randell Adjei, em 2012. Com o tempo, se tornou uma importante plataforma artística da cena canadense, manifestação de jovens da periferia, principalmente descendentes de africanos e caribenhos.

A dupla acompanhou todos os bastidores do grupo, que subverte a linguagem mais conhecida do rap, feito majoritariamente por letras que falam sobre a glorificação do crime, além de alto cunho machista. Em seu lugar, esses poetas dão voz a sentimentos e compartilham experiências pessoais ao cantar sobre o amor, trabalho e justiça.

Na fachada da galeria, a artista polonesa Agnieszka Kurant instalou uma obra inédita em neón, em cartaz até março de 2019.

Obra de Rodrigo Hernández - Foto: Divulgação

Obra de Rodrigo Hernández – Foto: Divulgação

Rodrigo Hernández – O Mundo Real Não Alça Voo
Pivô
Edifício Copan – Avenida Ipiranga, 200, República
Até 27 de outubro

Durante dois meses de residência artística no espaço paulistano, Rodrigo Hernández apresenta o resultado de seu trabalho na mostra O mundo real não alça voo. É também a primeira vez em que o mexicano ganha uma exposição no Brasil. Sua produção exige longos períodos de pesquisa e, em maioria, o resultado final se dá em um trabalho pensado para o contexto e arquitetura de cada espaço em que ele se apresenta.

Na mostra, Hernández se utilizou das paredes e da arquitetura do Pivô, localizado no edifício Copan (projetado por Oscar Niemeyer), para criar pinturas de parede com referências nos padrões da moda e no movimento da Op Art, que aconteceu entre os anos de 1960 e 1970. Gradientes de cor acolhem o público em um ambiente completamente imersivo. Além da pintura, objetos de papelão foram dispostos em áreas em que as cores das obras se alteram.

CAPA-CANAL, instalação de Hector Zamora - Foto: Divulgação

CAPA-CANAL, instalação de Héctor Zamora – Foto: Divulgação

Héctor Zamora
Galeria Luciana Brito
Avenida Nove de Julho, 5162 – Jardim Paulistano
Até 13 de outubro

Em CAPA-CANAL, 13 performers de diferentes etnias e gêneros sentam-se sobre bancos de madeira e, ao longo de duas horas, modelam mais de 500 telhas de barro em suas próprias coxas. A ação, gravada em vídeo, foi originalmente apresentada pelo artista Héctor Zamora na 11º Bienal do Mercosul. Agora, ela é reapresentada nos fundos da casa modernista que abriga a galeria Luciana Brito.

As telhas produzidas pelos artistas foram posteriormente queimadas e se transformaram em peças de cerâmica, também presentes na exposição, que ainda conta com um vídeo inédito feito a partir de outras imagens registradas durante a performance. A ideia da obra parte da expressão popular “feito nas coxas”, que designa algo mal feito. Ela era associada, na época da escravidão, ao fato de que os próprios escravos moldavam as telhas em suas coxas.

“Está comprovado que nunca foram produzidas telhas nas coxas dos escravos, isso é um mito já descartado por historiadores brasileiros. Acredita-se hoje que a expressão tenha surgido na época do Brasil Império, quando ter relações sexuais antes do matrimônio era proibido”, explica Zamora. “Mesmo assim, essa interpretação sobre o trabalho escravo me parece pertinente e é, sim, parte da obra. Mesmo sendo um mito, reflete algo verdadeiro sobre a realidade brasileira, e simboliza muito bem o racismo e a precariedade das relações de trabalho que perduram no país até hoje”, completa o artista.

Obra do artista Lucas Simões, em exposição na Casa Triângulo - Foto: Divulgação

Obra do artista Lucas Simões, em exposição na Casa Triângulo – Foto: Divulgação

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