Sarah Jessica Parker em cena do seriado "Divorce" - Foto: Divulgação
Sarah Jessica Parker em cena do seriado “Divorce” – Foto: Divulgação

Por Mariane Morisawa, de Los Angeles

Sarah Jessica Parker adiciona mais um trabalho em seu currículo. A atriz e produtora (ela está à frente do sucesso “Divorce”, do canal HBO) agora é editora de livros. Ela acaba de fundar, em parceria com Molly Stern, publisher do selo Crown and Hogarth, uma nova editora, chamada SJP for Hogarth.

Ela lançará apenas livros de ficção, e a estreia é com a autora Fatima Farheen Mirza, com quem divide a capa da Harper’s Bazaar britânica. Sarah Jessica conta, no site oficial da sua nova empreitada, que ela mesma escolhe o que será publicado pelo selo.

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Sarah Jessica Parker com Fatima Farheen Mirza na edição de agosto da Harper's Bazaar britânica - Foto: Divulgação
Sarah Jessica Parker com Fatima Farheen Mirza na edição de agosto da Harper’s Bazaar britânica – Foto: Divulgação

Como sua personagem mais famosa, a Carrie Bradshaw de “Sex and the City”, Sarah Jessica Parker pode morar numa área nobre de Nova York e estar sempre bem vestida. Mas ela anda preocupada com as outras mulheres, principalmente aquelas em situação bem menos privilegiada que ela. É uma das vozes mais eloquentes do movimento Time’s Up, que arrecada fundos para vítimas de assédio e abuso sexual em qualquer área e luta pela igualdade entre os sexos. “É bastante complicado o que estamos tentando fazer, e isso se formos falar só da indústria do entretenimento”, diz ela, em entrevista em Nova York, onde produz a série “Divorce”, que estreou sua segunda temporada em janeiro de 2018, na HBO.

“Queremos 50% de mulheres nas equipes até 2020. O problema é que, no passado, não fizemos direito o trabalho como mentoras. O que é um desafio também é uma grande oportunidade de recrutar nas universidades e escolas e ensinar garotas e mulheres sobre todos os trabalhos importantes em um filme ou série de TV. A mesma coisa no teatro. E o mesmo em todas as indústrias. Essas mudanças não podem surgir se os marginalizados, digamos, não tiverem participado das equipes da base, sabe? É o que vai começar a acontecer. Mas estamos fazendo muitas coisas e vamos continuar.”

E ela não é só discurso sem ação. Sua produtora, por exemplo, sempre foi composta quase exclusivamente por mulheres. “Durante um período tivemos um jovem maravilhoso com a gente, que se tornou psiquiatra após sair”, conta, entre risos. “Mas, basicamente, é uma companhia de mulheres. Não é nem arbitrário nem uma declaração de objetivos. É como somos mais produtivas. Em ‘Divorce’, a própria HBO tem trabalhado muito no seu programa de diversidade com padrões que precisam ser seguidos. Temos uma equipe com bastante presença feminina. Muitas das nossas cabeças de departamento são mulheres, iríamos ter mais diretoras do que diretores nesta temporada, mas por mudanças na agenda perdemos duas.”

Sarah Jessica Parker em cena de Divorce - Foto: Divulgação/HBO
Sarah Jessica Parker em cena de Divorce – Foto: Divulgação/HBO

Quando é indagada sobre seu lado de empreendedora, com sua famosa linha de sapatos, prefere mudar o foco. “Foi muito bom aprender sobre negócios. O que tem mais valor é o que quero para tantas mulheres que estão começando seu próprio business. É algo aterrorizante e difícil, e muitas delas não estão na posição que eu estou de conhecer alguém para quem posso ligar e propor uma sociedade”, diz.

“Mulheres têm ideias muito mais originais. As pessoas gostam de me perguntar sobre meus negócios, mas eu gostaria de destacar as empreendedoras nos Estados Unidos e em outros países que estão sozinhas, sem um George Malkemus (CEO da Manolo Blahnik e sócio da atriz) para guiá-las, sem o investimento inicial que eu tinha por causa da minha sorte. Esses são os empreendimentos interessantes aos quais deveríamos prestar atenção. Isso tem sido uma fonte enorme de crescimento da economia nos Estados Unidos e em outros países também. Gosto de procurar, nas viagens, pequenos negócios nos quais posso encontrar coisas que não sou capaz de achar em Nova York.”

Mas ela evita dar conselhos. “Fico chateada quando ouço sugestões de pessoas brancas e ricas para outras mulheres. Quero ser clara: não sei como posso dar conselhos para uma mulher sozinha, trabalhando em dois ou três empregos, mãe solteira, a não ser para dizer que estou prestando atenção. Se eu puder participar de algo que seja útil para elas, estou aqui”, afirma.

Sarah Jessica diz que não começou a usar sua voz para defender suas posições depois de se tornar atriz famosa. “Cresci assim. Meus pais protestaram contra o apartheid antes de eu nascer, quando as pessoas não estavam falando disso, especialmente não numa pequena cidade de Ohio. Protestamos contra a guerra. Trabalhei em todas as campanhas antes de ser atriz. Era o que se fazia. Como cidadã, como membro da comunidade, você trabalhava, se oferecia, participava. Fui educada assim. Isso não é novo para mim, ajudei a registrar eleitores minha vida toda. E vou continuar”, promete.

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