Foto: Nadja Kouchi/Divulgação

Sarah Oliveira ajudou a moldar o caráter musical de boa parte de quem a acompanha na TV desde o extinto Disk MTV, na antiga MTV Brasil, nos idos de 2000. Duas gerações depois, Roberta Martinelli faz o mesmo, no comando Cultura Livre, da TV Cultura. Acostumadas a contar histórias em diferentes plataformas e amigas de longa data, nunca haviam trabalhado juntas até então. Chegou o momento de compartilharem suas experiências e ouvir histórias afetivas, e que se conectam, no podcast Nós, que estreia nesta segunda-feira (10.05), com exclusividade no Spotify.

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“O podcast tem essa coisa da intimidade, que é como o rádio”, conta Sarah, que na época de O Nosso Amor a Gente Inventa (YouTube) lembra que as pessoas travavam quando a câmera ligava ao narrarem suas histórias de amor. O fato de as pessoas não aparecerem, ser tudo por voz, dá uma abertura maior e mais íntima. Apesar de ser um processo desgastante, é muito bonito ver como as falas se cruzam em meio ao roteiro feito a quatro mãos. Ao costurar esse texto, colocam o ser humano na frente das apresentadoras. “Não tem moral da história, ninguém é psicanalista nem tem divã. É uma troca”, conclui.

Roberta lembra com afeto o início da amizade com a também apresentadora em uma premiação do Multishow, e que, desde então, nunca mais se separaram. Essa simbiose foi importada da vida real para o novo podcast, com direito até piada interna, disparada pelo companheiro de Roberta, o diretor Pedro Granato: “casou de novo, né?”, disse ele certa vez porque ela bate tudo com a amiga – até legenda do Instagram. “Casei, tô casada”, riu. E Sarah completa: carinho, respeito e admiração mútuos.” Quando tem algo no roteiro que está escrito para uma ler, mas no embalo preferem que seja falado pela outra, só se olham.

Acostumadas a estarem em um meio musical, a escolha de anônimos aconteceu de forma natural. “Todo mundo tem histórias lindas para contar”, argumenta Roberta. Mas a música não poderia deixar de ajudar a contar essas histórias. A cada episódio, montam uma playlist exclusiva. Inclusive, a trilha de abertura exclusiva foi gravada por Mahmundi, que reinterpreta “O Seu Olhar”, de Arnaldo Antunes e Paulo Tatit. São 24 episódios, lançados toda segunda, que devem ir ao ar até meados outubro.

Foto: Nadja Kouchi/Divulgação

E SE FOSSEM ELAS?
Se fosse ela a contar uma história no podcast, Sarah compartilharia a amizade com a própria Roberta. “A gente tem muita intimidade, conexão muito forte de almas e a gente consegue, através das histórias que as pessoas contam pra gente, por causa da nossa amizade, fazer com que esse programa aconteça.” Para se ter ideia, cada uma ouve um lado da história e ambas vão costurando os depoimentos com sua narração. “O valor da amizade no momento da pandemia, da confiança, você pegar na mão do outro e falar: vamos conseguir.” Antes com medo de afetar a amizade, hoje Roberta comemora o processo de gravação, que aprofundou a amizade “de uma maneira que nunca havia pensado”.

Mas, se ela fosse uma ouvinte, Roberta adoraria compartilhar outra história. “Minha mãe e meu pai tiveram uma filha que morreu antes de mim depois de 15 dias de nascida. Acho que faria o meu lado e o da minha mãe, o que sei dessa história e o que me contaram”, recorda. “Quando fiquei grávida, foi uma coisa que falei muito na terapia. Porque tinha lembranças e construções, mas nunca soube de fato, mas minha mãe não ia topar nunca.”

Com total de 24 episódios, primeira temporada deve ir ao ar até outubro (Foto: Divulgação)

FORTALEZA
Mulheres fortes e que inspiram, dona Fátima, mãe de Sarah, foi quem a ajudou nesse caminho, que se estendeu para as amigas. “Hoje, minha psicanalista fala: nem tudo o que a gente quer, a gente consegue. Porque minha mãe falava: ‘vai conseguir porque é perseverante’. É muito engraçado porque dá uma confiança e segurança absurdas, mas a vida é cruel. E você precisa ter uma casca. Fui criando depois”, diverte-se.

Roberta também teve isso com a mãe, mais pelo exemplo. “Meu companheiro (Pedro Granato), me fortaleceu muito a ser quem eu sou”, alerta sobre uma possível polêmica. “Era muito tímida, muito quieta e aceitava as coisas meio sofrendo.” No campo profissional, Sarah destaca os irmãos, que também são das artes – caso do cineasta Esmir Filho.