Foto: Ann Veronica Janssens

Por Paula Costa

Esta foi a reflexão, para não dizer imposição, proposta pela Semana de Design de Milão, que aconteceu entre 4 e 10 de setembro, após um intervalo de dois anos que abrangeu um período de definhamento coletivo, um mix de depressão e esgotamento, o chamado “mal-estar da pandemia”.

A euforia e a expansão tomaram os pavilhões da principal feira de mobiliário do mundo, o Salão do Móvel de Milão – este ano, chamado “Supersalone” pelo conceito mais experiencial, em celebração à retomada da socialização em espaços físicos – enquanto o restante da cidade abrigou o Fuorisalone, que é a reunião de ativações que provocam interações inéditas, entre arquitetura, design, arte, moda, gastronomia, cultura e consumo em lojas, museus, galerias, restaurantes e espaços urbanos, atraindo pessoas de diversas nacionalidades, gerações, profissões e interesses.

Em uma foto, boomerang, gif ou take de TikTok, em meio a essa grande festa na cidade, tida como o epicentro da moda e do design, seria fácil captar, entre o público, o mood de sede de sobrevivência. Como resposta, soluções e experiências traduzidas pelas linguagens estética e funcional do design, apontam como único caminho para a realidade insustentável que nos trouxe até aqui, a sustentabilidade em todas as suas esferas. E a conclusão é clara: em plena era digital, os maiores avanços da sociedade estão na reconexão com a natureza e no superlativo da humanização.

Arquitetos, designers, estilistas, artistas por trás de marcas e projetos autônomos – cada vez mais valorizados em meio ao palco de profissionais renomados – apresentam inovações e soluções inspiradas pela natureza como fonte de vida e criatividade, provocando um novo olhar para as urgências de um mundo que precisa se voltar para o respeito às individualidades, o empoderamento de comunidades e o diálogo com o meio ambiente para vencer desafios cada vez mais complexos. O grande foco está no equilíbrio de um ecossistema apoiado pela consciência, onde cada parte – pessoas, profissionais e marcas – compreende o papel e o impacto de seu propósito dentro do todo.

Bulgari – Foto: Divulgação

Bulgari

Entre as instalações mais profundas, a Bulgari invadiu a Galeria de Arte Moderna de Milão, convidando os artistas Azuma Makoto, Daan Roosegaarde, Ann Veronica Janssens e Vicent Van Duysen, para transmitirem suas perspectivas de metamorfose enquanto gatilho de uma sociedade em profunda revolução. Uma leitura perfeita de uma marca que se provoca à constante inovação. Nas palavras de Camila Salek, sócia-fundadora da Vimer Retail Experience e colunista da Harper’s Bazaar Brasil, “é impressionante o poder das marcas de luxo em absorver movimentos para continuar sendo tão relevantes ao longo de suas histórias.”

Capital Natural – Foto: Divulgação

Capital Natural

Em parceria com a empresa de energia Eni, o escritório de design italiano Carlo Ratti Associati ocupou o Jardim Botânico de Brera – um dos principais bairros-destino do Fuorisalone – com uma exposição visual de dados que indicam a capacidade de absorção de CO2 de diferentes espécies. A descentralização do ser humano e consciência do papel e cuidado de todos os organismos se destacaram no evento e também refletem no discurso das marcas que se conectam com as novas gerações: segundo pesquisa da Nielsen, 71% dos consumidores dão preferência a produtos de marcas comprometidas com ações ambientais e sociais.

Ermenegildo Zegna – Foto: Divulgação

Ermenegildo Zegna

Assinando o compromisso #UseTheExisting, que enfatiza a responsabilidade de longo prazo da marca com a natureza, o diretor criativo da Zegna, Alessandro Sartori, traz para as novas coleções uma visão consciente, com o uso de recursos sustentáveis na produção. Para a exposição das peças no interior da loja na Via Monte Napoleone, uma das principais ruas da moda de Milão, a assinatura “Moda e design juntos pela proteção do planeta” traz a união entre a marca e o escritório de design Riva 1920 – que também selou o seu compromisso verde durante a Semana de Design de Milão – que apresentam mobiliários feitos da madeira Kauri, extraída da Nova Zelândia.

Dior – Foto: Divulgação

Dior

A Dior ocupou o Palácio Citterio com a exposição de 30 releituras da tradicional Medallion – cadeira inspirada no estilo Rei Luís XVI, criada em 1947 para os desfiles da marca.  É incrível ver o potencial da criatividade nesta harmonia entre a retomada de um clássico icônico e as perspectivas contemporâneas exercitadas pelos 17 designers e artistas convidados para assinar o projeto. Entre eles, a arquiteta e designer India Mahdavi.

Gucci – Foto: Divulgação

Gucci Cartoleira

A entrada em um universo de fantasias foi o que propôs a pop-up da Gucci, que marcou o lançamento pontual – em plena retomada às atividades físicas – da coleção de papelaria assinada por Alessandro Michele, com a intenção de provocar mais magia na vida cotidiana. Muito em linha com as tendências de lojas físicas que reúnem surpresa e descoberta, o espaço é puro encantamento e gerou grandes filas durante todo o evento!

Off-White – Foto: Divulgação

Off-White x Ginori 1735

Virgil Abloh também trouxe luz e criatividade para o cotidiano em mais uma parceria inédita entre as collabs sequenciais que a marca vem traçando. Ao lado da icônica Ginori 1735, a Off-White apresenta em sua loja de Milão a linha “Objetos”, refletindo o propósito do design em transformar espaços físicos em narrativas imersivas.

Hermès – Foto: Divulgação

Hermès

O clássico e a inovação se mesclaram na instalação desenhada por Charlotte Macaux Perelman, para a apresentação das novas coleções para casa da Hermès. Em 5 espaços de despertar sensorial imersivo, com padrões gráficos que referenciam os próprios produtos e jogo de luz e sombra envolvente, a exposição simples e imponente traduz conforto e elegância, transportando o público para o universo provocante da marca.