por Michele Oliveira

Se tudo é permitido entre quatro paredes, assim também acontece quando artistas contemporâneos encontram no sexo inspiração para suas pesquisas. A diversidade de suportes multiplica a variedade de abordagens que hoje resultam em pinturas sobre questões de gênero, aquarelas que sugerem experiências sexuais, vídeos que flagram personagens à beira do gozo, performances com corpos nus.

Selecionamos quatro artistas brasileiros e um espanhol que tratam de sexo (e seus desdobramentos) em trabalhos recentes. Todos eles  são representados por alguma das 124 galerias que vão participar da maior feira de arte da américa do sul, que acontece entre 7 e 10 de abril, no pavilhão da bienal. São nomes como o paulistano Rodolpho Parigi, da galeria Nara Roesler, que desenha “anatomias inventadas”, em alusão a partes do corpo humano, e, nos últimos anos, passou a experimentar o campo da performance para dar voz a seu alter ego feminino, a personagem Fancy Violence. Na arte contemporânea, como se vê, o sexo é apenas um dos muitos fetiches.

Daniel Albuquerque - Foto: reprodução
Daniel Albuquerque – Foto: reprodução

1. Daniel Albuquerque: 

Em seu primeiro ano na SP-Arte, a Boatos Fine Arts levará apenas obras do carioca Daniel Albuquerque, que isola partes do corpo humano, como a língua, em esculturas cheias de textura. Afinal, como ressalta a galerista Anna Bergamasco, “Assim como na experiência que nós temos do sexo, não é só o sentido da visão que conta”. Acima, Janus Awake (2014), de porcelana esmaltada e cera.

Juan Francisco Casas - Foto: reprodução
Juan Francisco Casas – Foto: reprodução

2. Juan Francisco Casas:

Os desenhos e as pinturas do espanhol Juan Francisco Casas se apropriam da linguagem da fotografia instantânea para mostrar mulheres em poses picantes ou em noitadas entre amigos. Chamada de Wetyas #2 (2015), a obra que será trazida à SP-Arte.

3. Alice Miceli:

Referência ao filme Blow Job, de Andy Warhol, no qual a câmera capta as expressões faciais de um homem que supostamente recebe sexo oral, a obra Jerk Off (Dízima Periódica), de 2011, é composta de nove monitores que exibem personagens à beira do gozo. Fotógrafa e videoartista, Alice, representada pela galeria Nara Roesler, tem profunda pesquisa ligada a temas políticos e sociais.

Rodolpho Parigio - Foto: reprodução
Rodolpho Parigio – Foto: reprodução

4.  Rodolpho Parigio:

Paulistano pesquisa o corpo e o sexo tanto em suas pinturas e desenhos de “anatomias inventadas” – como na obra Black Bestiaire 179335 (nanquim sobre papel, de 2014) – quanto na personagem Fancy Violence. Vestido de mulher, Parigi (Galeria Nara Roesler) assume seu alter ego feminino para explorar o campo da performance, fase importante de sua produção recente.

5. Fabio Cardoso:

Alternando obras mais abstratas com outras mais figurativas ao longo da trajetória de mais de 30 anos, Fabio Cardoso, natural de São Paulo, vira e mexe usa o corpo humano como inspiração. Na série Zéfiras, de 2015, da galeria Lume, ele troca a pintura pela aquarela para sugerir posições sexuais que só se completam totalmente quando encontram o imaginário do espectador.