Atriz lança “Aos Pedaços”, no Festival de Cinema de Gramado, RS (Foto: Vinícius Mochizuki)

Simone Spoladore acredita que os anseios de suas personagens vêm antes de seus desejos humanos. Assim ela encara os desafios para dar vida a outras pessoas de forma livre, como uma mulher-plataforma – tema da Bazaar deste mês. Nesta terça-feira (22.09), ela participa da estreia do longa “Aos Pedaços” [de Ruy Guerra] como parte do Festival de Cinema de Gramado, no Rio Grande do Sul.

Na ocasião, haverá um tapete vermelho virtual, comandado por Simone Zuccoloto, no Canal Brasil. Os atores vão entrar ao vivo e dar as boas-vindas ao público, que estará em casa. “Acho maravilhoso que um filme como o do Ruy passe na televisão. É uma bela oportunidade para atingir um público diverso”, conta a atriz.

Na trama, com direção e roteiro original de Guerra, sua personagem tem uma supersensibilidade e consegue adivinhar o que Eurico (Emílio de Mello) não lhe conta, mas na vida real é bem diferente. “Não tenho o dom da clarividência e não gostaria de ter. Também não sei se seria bom adivinhar o futuro. Sou muito sensível e posso, facilmente, embarcar na história dos outros. Isso é uma benção para uma atriz”, conta.

Gravado em Cataguases (MG) durante um mês, no ano passado, a coisa mais legal na opinião da atriz foi ser dirigida por Guerra. “Ele tem uma visão própria do cinema e dialogar com isso era muito divertido. Ao mesmo tempo em que ele exige muita precisão do ator, também exige a mais profunda liberdade. Era como dar um salto no escuro.” Sem saber como o público irá se identificar com o filme, está curiosa para saber como será a recepção.

Simone estava gravando um curta como diretora quando veio a pandemia (Fotos: Vinícius Mochizuki)

London Calling

Dividida entre Brasil e Londres, Simone conta que isso aconteceu de forma inesperada. “Nunca foi um plano morar fora do Brasil”, diz ela, que enfrentou a pandemia na Europa. “Aqui os governos estão sendo mais conscientes e eficazes no combate ao vírus, o que deixa a população mais tranquila”, garante. Antes da pandemia, estava filmando seu segundo curta como diretora, ainda sem previsão para finalizar. No último fim de semana, a atriz fez uma leitura dramatizada de “Amuleto” (novela de curta duração), de Roberto Bolaño, como parte do Festival Babel de Literatura, na Suíça – projeto encabeçado pelo seu namorado, Vanni Bianconi. “Como o Vanni é apaixonado pela literatura do Bolaño, ele me ajudou com a pronúncia das palavras em italiano e também em encontrar o tom da leitura.”

Novelas

Recentemente, Simone esteve no remake de “Éramos Seis”, na Globo. Ela explica que a principal lição deixada por Clotilde é aceitar ser levada pelo coração e não pela mente. “Ela muda a sua visão do mundo. E enfrenta o que for preciso para viver o seu amor. Guardo comigo a sua coragem e aprender umas das mais difíceis tarefas, que é a da transformação de si mesma”, reforça, sem planos de fazer outra novela.