Foto: André Giorgi
Foto: André Giorgi

Por Marina Monzillo

Sofia Borges tem praticado ioga com frequência, algo que não conseguia havia tempo. Por meses, nem mesmo com os pais conversou muito. Afinal, em 2018, a artista plástica de 34 anos encarou um dos maiores desafios da vida: foi uma das curadoras da 33ª Bienal de São Paulo, responsável por quase um andar inteiro de obras.

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

Antes disso, Sofia viveu na ponte São Paulo-Paris, e fez viagens de pesquisa que somavam mais dias do que o tempo que ficava nessas duas cidades. “Muito nova, passei a ser representada por uma galeria francesa, que me convidava a pesquisar e produzir lá. Foi muito importante tanto para o meu aprendizado quanto para a minha prática”, conta ela, que chegou a entrar nas faculdades de moda e jornalismo antes de se descobrir artista.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

As investigações de Sofia sempre tiveram a ver com a imagem fotográfica. “Meu trabalho tem uma espécie de fundamento filosófico, chamo de filosofia selvagem. Criar é indissociável para mim ao ato de pensar a respeito do que é aquilo que estou constituindo”, diz.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Na Europa, fotografava museus, centros de pesquisas, zoológicos – espaços onde havia matéria em estado de representação. Nas andanças, foi a cavernas pré-históricas no sul da França. “A força do desenho ali era tamanha que entendi que o problema que eu estava tentando resolver, sobre o que era uma imagem, era uma incógnita para a qual não havia solução. A manifestação da cultura, a invenção da arte, da ciência, da religião são frutos desse problema inicial: ‘O que é a realidade?’.”

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Daí surgiu o projeto “Nenhum Som”, sua primeira curadoria, em 2015. “Quis observar a questão por meio de outras perspectivas.” A mostra foi um happening que durou 10 dias. As obras mudavam o tempo todo. Quatro artistas dançavam oito horas, todos os dias, sem parar. “Era uma exposição completamente viva.”

A participação na Bienal foi uma consequência dessa experiência. Enquanto estreia uma mostra individual na galeria Mendes Wood, ela ainda absorve o que viveu no ano passado. “Foi uma jornada inenarrável, a curadoria de algo tão grande envolve muitas áreas de atuação. E me senti muito responsável, por ser uma exposição vista por tanta gente – me lembro de ter ido à Bienal quando criança e o quanto isso foi marcante na minha trajetória.”

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

E a investigação de Sofia a levará ainda este ano para a Grécia, para pesquisar mitologia e teatro. “Ser artista me completa de tal maneira que não consigo dissociar isso da minha própria existência.” E isso se reflete no seu jeito de viver, morar e se vestir. “Estou muito interessada no conceito no waste e tento aplicá-lo o máximo possível na minha vida. Na minha casa, reduzi muito a produção de lixo, uma vez que reciclo, composto todo material orgânico e dou preferência aos produtos não industrializados. Também tenho cada vez menos roupas. Quando escolho o que uso ou consumo, privilegio a identidade e a consciência.”

Leia mais:
Samuel de Saboia prepara exposição em Los Angeles
Arte usa a tecnologia para ampliar sensações

Bárbara Wagner e Benjamin de Burca são destaque na Bienal de Veneza