Sophie Van der Stap hoje aos 30 anos - Foto:divulgação
Sophie Van der Stap hoje aos 30 anos – Foto:divulgação

Por Carol Almeida

Eram dias de inverno na Holanda com sabor daquela típica ressaca de virada de ano, quando as pessoas ainda estão naquele banho-maria, sem saber se o ano já começou. Mas, em 26 de janeiro de 2005, Sophie Van der Stap, 21 anos, ouviu de seu médico o que soava como anúncio de fim. Ela tinha um câncer raro e agressivo. A estudante ainda não sabia que, poucas semanas depois, aquele diagnóstico seria apenas um novo começo. Não de ano, mas de vida. Uma pela qual hoje ela agradece a nove pessoas: Stella, Sue, Daisy, Blondie, Platina, Uma, Pam, Lydia e Bebé. Todas tinham a mesma pele: a da própria Sophie.

A Garota das Nove Perucas (Livros de Safra, R$ 40) - Foto: divulgação
A Garota das Nove Perucas (Livros de Safra, R$ 40) – Foto: divulgação

A história da jovem holandesa que criou nove identidades distintas a partir de nove diferentes perucas, todas usadas durante seu tratamento contra o câncer, está, hoje, em livrarias do mundo e acaba de chegar ao Brasil. Recentemente, o relato ganhou até filme, dirigido por Marc Rothemund. Enquanto isso, Sophie, agora aos 30 anos e completamente curada, divide seu tempo entre Paris, onde mora, a Holanda e viagens pelo mundo para divulgar novas traduções de A Garota das Nove Perucas . Em São Paulo, conversou com Bazaar.

Sophie como Pam, Daisy e Blondie - fotos: divulgação
Sophie como Pam, Daisy e Blondie – fotos: divulgação

“Sem as perucas, eu era essencialmente uma garota com câncer. Com elas, eu era várias garotas sem história. Podia ser qualquer coisa. Pra mim, na época, essas personagens foram válvula de escape. Mas, hoje, revendo o que fiz, me parece que elas foram também uma fonte de energia”, diz Sophie. Segundo a escritora, cada uma dessas personagens dava a ela uma força distinta.

Sophie como Platina, Sue e Uma - Fotos: divulgação
Sophie como Platina, Sue e Uma – Fotos: divulgação

“Com Sue [a ruiva comportada], me sentia mais forte e durona. Mas com Uma [a ruiva sedutora] ou, especialmente, Platina [a loira platinada femme fatale], me sentia mais feminina, de uma maneira que nunca havia experimentado antes. Talvez porque associasse esses looks às mulheres em capas de revista”, lembra. Os looks que ela menciona eram criados instintivamente, segundo Sophie. “A identidade de cada uma veio de forma natural. Claro que ajudou muito o fato de eu ter um guarda-roupa vasto para criar diferenças entre elas.”

Sophie como Bebé, Lydia e Stella - Fotos:divulgação
Sophie como Bebé, Lydia e Stella – Fotos: divulgação

Hoje em dia, convidada sempre por estilistas para desfiles, Sophie se tornou uma “celebridade com conteúdo”, com direito a palestra no TED e convite do célebre Rijksmuseum para gravar um filme e divulgar a reinauguração do museu. Fã confessa de Chanel e de brechós onde descobre preciosidades, Sophie vive de seus textos. Escreveu mais dois livros após A Garota das Nove Perucas, sendo um deles de ficção, e se debruça agora sobre mais um projeto de romance. De oito em oito meses, faz um check up completo e, nos dias de inverno, se arrisca a resgatar uma de suas nove amigas do armário. “De vez em quando, ainda experimento sair com elas”, diz Sophie, a garota das nove vidas.

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