Dakota e Rebel Wilson, em "Como Ser Solteira"- Foto: reprodução
Dakota e Rebel Wilson, em “Como Ser Solteira”- Foto: reprodução

Por Luísa Graça

“Tive muitas oportunidades de trabalho desde que fiz 50 Tons de Cinza e me sinto muito sortuda por isso. Fui tomada de assalto”, diz Dakota Johnson. “O lado ruim é que o filme me deixou meio paranoica quando estou em público, achando que todo mundo que vejo segurando um telefone está secretamente tirando uma foto minha. Isso até me dar conta de que a maioria das pessoas do mundo não está nem aí para mim…” E, então, cai num riso desconcertado. Ela está falando sobre a fama súbita que ganhou ao ser incumbida de encarnar, no cinema, Anastasia Steele, personagem adorada por milhões de leitores da trilogia de E.L. James, e que a tirou da sombra de uma dinastia hollywoodiana (ela é filha dos atores Melanie Grifith e Don Johnson, neta de Tippi Hedren e enteada do Antonio Banderas).

É fato que sua carreira mudou. Em menos de dois anos, deixou de fazer participações pequenas em longas-metragens como A Rede Social e Anjos da Lei para ganhar um posto de leading lady. “São poucas as ocasiões em que me sinto uma pessoa segura, firme. Sempre surge algo que me surpreende e fico um pouco perdida de novo”, fala, espontânea e perspicaz, com maneirismo suave, dando vida a uma sala sem graça de um hotel em Beverly Hills, onde conversou com Bazaar. Lá fora, um sol cintilante e um vento gelado batem sobre a cidade. Dentro, Dakota acolhe os primeiros sinais da chegada do inverno californiano vestindo jeans, suéter azul-marinho e um par de tênis Converse de cano alto.

Diz que deveria ter escolhido uma roupa mais arrumada, mas não quis. Para que se preocupar com isso? É sua falta de pretensão que a torna interessante. Cool sem esforço. É garota introspectiva, de humor sutil. Não tão sutil, porém muito divertido, é Como Ser Solteira, filme protagonizado por ela (e coestrelado pelas excelentes Rebel Wilson, Alison Brie e Leslie Mann), que estreia neste mês e retrata a vida de quatro solteiras em Nova York. Cada uma com seu jeito e ideias diferentes, lidando com questões tais como amor na era digital, sexo casual e independência feminina. “Você aprende muita coisa quando divide a vida com alguém. Mas ser ou estar solteira pode ser subestimado. É mais exploratório. Você pode vagar por aí, fazer o que quiser, sem precisar responder a ninguém”, afirma Dakota, que namorou Matthew Hitt, modelo e vocalista da banda Drowners, durante a filmagem do longa. Consegue ser bastante discreta na vida pessoal. “Quero casar e ter filhos. Só não sei quando nem com quem.”

“Sou do tipo que precisa ter um tempo sozinha. É quando consigo ler, ver e aprender coisas”, confidencia. No ritmo acelerado que vai a vida de uma atriz em ascensão – vários projetos, entrevistas, aparições em eventos etc. –, não é de admirar que aprecie tal tranquilidade. No encontro com Bazaar, acabara de promover filmes na Europa e já estava prestes a embarcar para o Japão (com mala e cachorro esperando por ela no lobby). Há pouco tempo, voltou a praticar balé, o que não fazia desde os 16 anos. “Posso dizer que meu corpo não se mexe nem dobra como antes [risos].” Faz parte da preparação para interpretar a bailarina Suzy Bannion no remake do horror cult Suspiria, de Dario Argento – agora em versão de Luca Guadagnino, com quem Dakota “amou” trabalhar em A Bigger Splash, estreia prometida para 2016. “Ainda quero fazer muita coisa! Mas não vou contar para não agourar.”