Foto: Divulgação
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Por Miriam Spritzer

Escrita por Craig Mazin, “Chernobyl” aborda o cenário político ao redor do acidente nuclear de mesmo nome no ano de 1986. Parte dos personagens são baseados em pessoas reais e outros fictícios para simbolizar todos que ajudaram a impedir que um desastre ainda maior acontecesse na Europa. Stellan Skarsgård interpreta o Ministro Boris Shcherbina, que de fato foi responsável por liderar uma comissão governamental de Chernobyl no Kremlin horas após o acidente.

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A série estreia no Brasil nesta sexta-feira (10.05) e também conta com Jared Harris e Emily Watson no seu elenco principal. Em um recente evento de pré-lançamento da série em Nova Iorque, Stellan conversou com a Bazaar BR e contou várias curiosidades sobre a produção. Confira o nosso papo com ele:

Esta série é baseada em fatos reais e é uma história um tanto pesada. Como foi para você participar desse projeto?
Eu me diverti muito fazendo esta série. Você não se sente deprimido só porque está fazendo uma história pesada, na verdade é muito legal trabalhar nesse processo. E eu amei trabalhar em Chernobyl. O roteiro é muito bem escrito e um elenco de cento-e-quatro atores brilhantes trabalhando no programa. Então foi um trabalho extremamente divertido de participar.

A HBO tem sido o lugar para ir quando falamos de roteiros inovadores e grandes projetos, e as séries de televisão estão cada vez mais cinematográfica. Como foi trabalhar neste formato?
Eu adoro trabalhar neste formato. Não fiz muita televisão na minha carreira, basicamente só trabalhei duas séries. Uma foi a River com a BBC e Netflix e agora Chernobyl com a HBO e eu adorei a experiência nas duas. Acho que o bom de trabalhar neste formato em comparação a um grande estúdio de Hollywood em uma produção do estilo que chamamos de “filme pipoca”, é que este formato não tem que vender muita pipoca.

Como assim, vender pipoca?
Isso que dizer, o estúdio e os produtores dão bastante espaço para que o diretor crie a sua própria visão. Você, como ator, não tem a sensação que tem alguém em cima e controlando no diretor o tempo todo. O teto é muito alto para poder criar, o que deixa todo o clima mais leve na produção. Os produtores são extremamente cooperativos e solícitos. Eles têm muita coragem para bancar o projeto e deixar que a coisa aconteça nas mãos do diretor.

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O contexto histórico de Chernobyl é em plena década de 80 na União Soviética e, pelo o que já vi, os figurinos e cenários são bastante peculiares. O quanto que o estilo do personagem e seus adereços ajudam na sua interpretação?
É muito interessante essa pergunta, porque o trabalho de figurino que Odile Dicks-Mireaux (figurinista) fez para esta série é fantástico. A série toda é muito precisa historicamente, em termos de figurino, carros e detalhes técnicos. É quase que uma viagem ao tempo para quem assiste e para nós que filmamos.

Qual foi a sua experiência com o seu figurino?
Eu uso muitos ternos na série porque meu personagem é um ministro no governo. Os meus ternos, especialmente, são fora de série. Foram feitos para mim, com um tipo de tecido autêntico da União Soviética. Tinham um cheiro meio estranho e o tecido é muito duro. Provavelmente estes ternos duram para sempre. Não sei nem como eles costuraram eles, devem ter usado uma maquina daquela época também, o tecido é muito pesado.

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Você deve ter se sentido literalmente no personagem.
É, no início era muito estranho. Mas eu me acostumei com os ternos depois de um tempo. Não sei, mas provavelmente os políticos soviéticos se acostumaram também com esse tipo de roupa e não pensaram muito o quão estranha e desconfortável a roupa é. O visual ficou bem duro e quadrado, no sentido literal e figurativo da palavra. E esse era o look típico da classe política da época. A Odile fez um trabalho fantástico, para quem gosta de figurino vale muito a pena prestar a atenção nos detalhes da série.

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