A escritora Stephanie Danler - foto: divulgação
A escritora Stephanie Danler – foto: divulgação

Por Ana Carolina Monteiro

Há duas versões para o sucesso de Stephanie Danler, ex-garçonete de Nova York e atual membro da crescente lista de “novas escritoras com contratos milionários” do mercado editorial. Uma de­las é mais romântica e conta como, despretensiosamente, Danler entregou uma cópia de seu livro para um reno­mado editor, cliente do res­taurante onde trabalhava, culminando em um contrato com uma das maiores editoras do mundo. A outra, mais realis­ta, envolve uma escritora com mestrado em Criação Literária que, durante seus longos turnos, conseguiu finalizar um ro­mance e fazer com que alguém o lesse. Nenhuma delas é fal­sa, são apenas duas maneiras de se ver a mesma história.

Aos 32 anos, e há mais de uma década trabalhan­do em todas as funções (e hierarquias) possíveis de atendimento em restaurantes, o encontro entre Danler e Peter Gethers, vice-presidente sênior e editor da Random House, realmente aconteceu da maneira descrita acima. Na ocasião, em 2014, já para despistar a costumeira abordagem de “aspi­rantes a escritores”, ele pediu que a agente da sim­pática garçonete enviasse o livro para seu escritó­rio, conselho que ela seguiu prontamente. O que falta à primeira versão, no entanto, é destaque ao ingrediente fundamental: talento. Stephanie é um caso que vai muito além do (somente) estar no lugar cer­to, na hora certa. Sua escrita leve e cheia de metáforas e sua descrição perfeita de sa­bores e experiências fazem de Sweetbitter, lançado no fim de maio (R$ 33,99 o e-book, na Amazon) e já cobiçado por editoras nacionais, um livro, com perdão do trocadilho inevitável, delicioso de ler. O clichê é proposital: ela analisa as descobertas da vida da jo­vem protagonista Tess, garçonete de um bombado restaurante em Williamsburg, fazendo analogias primorosas com os senti­dos e com os sabores (amargo, doce, azedo, salgado).

Sweetbitter revela os bastidores de um badalado restaurante em NY - foto: divulgação
Sweetbitter revela os bastidores de um badalado restaurante em NY – foto: divulgação

“Você vai desenvolver um paladar”, diz a primeira frase do li­vro. No caso de Tess, que, aos 22 anos, saiu de uma cidade qualquer do interior dos EUA para se perder na cidade grande, o “novo paladar” vale tanto para os pratos elaborados, ostras e vinhos que irá co­nhecer no restaurante (inspirado no clássico Union Square Cafe, em Manhattan, onde a auto­ra trabalhou) como para os altos e baixos de sua vida pessoal, que incluem um triângulo amoroso e drogas compartilhadas no fim do expediente. A desenvoltura de Danler em suas linhas gastronô­micas fizeram com que o livro virasse queridi­nho também de foodies & chefs, recebendo