Isolde Brielmaier e Bettina Prentice - Foto: Divulgação
Isolde Brielmaier e Bettina Prentice – Foto: Divulgação

A Art Basel Hong Kong acontece no fim do mês, entre os dias 29 e 31 de março. Parceira da feira, a rede de hotéis The Peninsula aproveita a ocasião para lançar um programa de arte, chamado “Art in Resonance” (Arte em Ressonância em tradução livre).

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As curadoras Isolde Brielmaier e Bettina Prentice escolheram quatro artistas para fomentar o mercado e apoiar projetos, oferecendo aporte financeiro e logístico.

Entre os materiais utilizados pelos artistas estão neon, feltro, redes de pesca, tigelas de cerâmica e madeira com efeitos transformadores. Entre os artistas escolhidos, estão a americana Janet Echelman (conhecida por suas esculturas gigantes), o chileno Iván Navarro (artista que trabalha com luz, espelhos e neon), o australiano Timothy Paul Myers (cria obras a partir de repetições sistemáticas e arranjos em forma de grade) e o coletivo chinês de arquitetura MINAX.

Abaixo, você lê a entrevista exclusiva com as curadoras:

Para vocês, qual a coisa mais importante dessa curadoria?
Isolde Brielmaier – O programa busca usar a arte como plataforma para comunicar através de diferentes culturas e gerações. A rede de hotéis e nós fomos atrás de artistas para criar obras baseadas em experiências físicas, que ampliem os sentidos e promovam a participação coletiva. O tema de amplificação sensorial está intrínseco no programa de arte do The Peninsula e os artistas selecionados usam materiais do cotidiano, como neon, feltro, redes de pesca, tigelas de cerâmica e madeira com efeitos transformadores.

Durante o processo curatorial, houve alguma história engraçada ou algum apuro que possa compartilhar conosco?
Bettina Prentice – Sabendo que o The Peninsula não é uma venue de arte comum, nossas conversas com os artistas foram uma aventura: onde poderíamos apresentar os trabalhos? Sabíamos apenas que as obras deveriam ser expostas em áreas públicas, mas isso ainda deixava muitas possibilidades em aberto para reflexão e consideração. Nós optamos por lugares não comuns, aí demos uma mexidinha e espalhada nos lugares de arte: andar de cima, no andar de baixo, em um canto sossegado, na frente do lobby … um redemoinho que finalmente encontrou o lugar perfeito para cada obra de arte dentro do hotel.

Qual foi o briefing que receberam para fazer essa curadoria? Qual mensagem queriam compartilhar com o público?
IB – Como marca, The Peninsula tem uma rica história de oferecer experiências elevadas aos seus hóspedes e isso vem de um valor central: pensa-se sempre nas pessoas – desde os convidados à equipe que trabalha ao público em geral, que visita os hotéis (ao redor do mundo). Este programa de arte (Art in Resonance) foi desenvolvido levando em conta esses valores, bem como elevar a experiência dos hóspedes. Outra questão: fomenta a arte como uma ponte para conectar pessoas e se envolver com elas em diferentes níveis.
BP – É um pensamento avançado no que diz respeito ao uso da tecnologia, mas, acima de tudo, é um programa composto de trabalhos originais, que exigem sua presença física para se conectar com a arte. No passado, a rede colaborou com apresentações, incentivando a arte local. Agora, o grupo optou por ir atrás de artistas emergentes ou que estão começando a se consolidar no mercado a fim de contribuir para um ecossistema cultural, oferecendo apoio financeiro e logístico com o intuito desses artistas desenvolverem projetos complexos.

Como escolheram esses artistas? Há alguma similaridade entre seus trabalhos? O que eles têm que chamaram a atenção de vocês?
BP – Em uma conversa com o time do The Peninsula, escolhemos os artistas. Passamos muito tempo discutindo o tema geral e os objetivos do programa a uma gama de artistas. Os artistas que selecionamos estão muito focados na experiência – a fisicalidade e o tato da arte e na experiência do público. Esses pontos foram realmente importantes para nós como curadoras e para o impacto do programa como um todo.

Esta é a primeira vez que vocês fazem curadoria para um grupo hoteleiro? Qual a parte mais interessante desse trabalho, uma vez que o foco é arte para um hotel e não especificamente para uma exposição ou faleria?
IB – Sim, esta é a primeira vez que pensamos em como desenvolver um programa de arte com um significado e de impacto, tanto para hóspedes quanto para o público em geral. É um ótimo desafio pensar em como podemos usar a arte para alcançar públicos tão amplos, bem como criar plataformas importantes para artistas emergentes e que estão no meio da carreira.

Há um artista latino na escolha da curadoria, bem como uma americana. Como acham que o público asiático receberá esses trabalhos?
IB – Um dos artistas, Iván Navarro, é do Chile e ele trabalha com luz, um elemento que ecoa através do tempo, espaço e culturas. O importante é que seu trabalho é global, atinge e realmente engaja as pessoas em um nível universal com seus temas – trata-se de percepção, lugar, pertencimento e até mesmo das ideias realidade ou “verdade”.

A primeira parte do programa de arte acontecerá na Ásia, uma vez que a rede se concentra – em sua maior parte – por lá. Depois, no outono, irá para Paris. As peças viajarão ou haverá uma nova curadoria de artistas?
BP – Novos artistas serão adicionados ao programa de arte todos os anos e os trabalhos viajarão, oferecendo acesso à arte para diversas comunidades em todo o mundo. Além disso, também estamos organizamos uma programação robusta durante o Art in Resonance, que incluirá painel de discussões, passeios e mesas redondas para informar e inspirar comunidades locais, visitantes e hóspedes ao redor do globo.

Há alguma chance de algum artista brasileiro entrar nessa curadoria?
IB – Como curadoras, pensamos de maneira muito ampla em um caminho contínuo sobre artistas em potencial para incluir à medida que o programa vá expandindo e viajando. Estamos sempre procurando (artistas), fazendo visitas aos estúdios e explorando o que os artistas estão criando em todo o mundo. Seria maravilhoso aprender mais sobre o que os artistas no Brasil estão fazendo, também.

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