Foto: Divulgação

Merritt Wever interpreta Ruby Richardson na série “Run”, da HBO, cujo último episódio vai ao ar neste domingo(24.05) no canal pago. A trama é uma comédia intrigante e inteligente, escrita e produzida por Vicky Jones (criadora, roteirista e produtora executiva). Ao receber uma mensagem de texto de seu ex-namorado, Ruby se vê prestes a mudar radicalmente sua vida. Na nota, uma proposta para que largue tudo e vá encontrá-lo em Nova York, cumprindo assim, o pacto que fizeram 17 anos atrás.

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“Escrevi para a Vicky dizendo que tinha medo de não poder fazer aquela mulher. Ela me respondeu, mas o que ficou para mim, em sua longe mensagem, foi: ‘A Ruby pode ser tudo’. Então deixei que ela fosse tudo”, conta ela à Bazaar. “Por vezes, achei que ela era muitas coisas ruins. Estava em todos os lugares, só tinha de me entregar.”

A série entrou no ar quando o mundo já estava em quarentena, uma época “muito estranha”, segundo ela. “Não posso fingir que não estou distraída pelo que está acontecendo no mundo, que tenho controle de tudo. Esta série não vai resolver os problemas do mundo. Mas, ao mesmo tempo, acho que as pessoas precisam se desconectar da realidade durante meia hora. Existe o desejo de poder colocar a cabeça e o coração em outro lugar. Então, se ‘Run’ puder fazer isso, estará prestando um serviço.”

Ao lado de um elenco estrelado, Vicky Jones (Fleabag), Phoebe Waller-Bridge (Killing Eve) e Domhnall Gleeson (Black Mirror, Star Wars e Harry Potter), a série se enquadra em diferentes categorias. E, ao longo da trama, vai puxando cada hora para um lado. “Acho que, no início, não percebi o quanto o tom iria mudando. Isso nos manteve alerta. Espero que aconteça a mesma coisa com o público”. Leia a íntegra:

Merrit Wever e Domhnall Gleeson (Foto: Divulgação)

Harper’s Bazaar – Você acha que os telespectadores vão pensar em reinventar a própria vida após assistir à série?
Merritt Wever –
Algumas pessoas, com certeza, vão. Sou capaz de pensar nisso. Às vezes acho que se soubesse dirigir teria fugido de algumas coisas! Teria simplesmente pego o carro e dito: ‘Sem chance, estou indo embora’. Mas, sabe uma coisa? Sempre vi a Ruby como uma pessoa que estava correndo em direção à vida dela, o oposto de fugir. Na minha cabeça, não aparecia o que ela tinha deixado para trás. E sim o que ela estava buscando e por quê. Para mim, isso tornava o que a Ruby estava fazendo muito valente e corajoso. Estava orgulhosa dela porque acho que fazia muito tempo que ela não corria em direção à vida.

Durante as gravações, qual foi o seu momento preferido na série?
Aproveito pouco quando estou trabalhando. Estou sempre cheia de dúvidas e muito preocupada. Mas estou fazendo esta série! Sempre que conseguia fazer o Domhnall rir, era bom. Era um dia bom.

Vicky Jones e a Phoebe Waller-Bridge ficaram famosas com Fleabag e Killing Eve. Você era fã das séries?
Claro! Tinha visto Fleabag e amei, como todo mundo. Não tenho TV por assinatura, então não pude ver Killing Eve quando foi lançada e esperei ansiosamente pelo DVD. Na verdade, tinha acabado de começar a ver quando surgiu o teste para Run. Parei naquele ponto. Costumo fazer isso. Quando começo a trabalhar com alguém, deixo outros trabalhos dessa pessoa de lado. Não sei por quê.

Você ficou animada ao trabalhar com o Domhnall Gleeson?
Muito. As pessoas envolvidas na série são uma das coisas que me levaram a querer fazer esse projeto. Quando eu soube que ele estava no elenco, fiquei muito entusiasmada. Quando eu fui fazer a leitura com o Domhnall, apareceram algumas partes da Ruby que não estavam lá antes. Me lembro de ter observado como ele estava presente, como ele prestava atenção e escutava. Ele é um grande ator.

No que ‘Run’ te atraiu na hora de aceitar participar da produção?
Havia muitos atrativos. O roteiro é extraordinário e é uma proposta incrível. O roteiro do piloto era único, que oferecia diferentes opções interessantes de continuar a história. Acho que os telespectadores vão sentir a mesma coisa, eles vão querer continuar vendo para descobrir que rumo a história vai tomar.

Fiz o teste, depois fiz a leitura com o Domhnall (Gleeson), conheci a Vicky (Jones) e a Kate Dennis (diretora e produtora executiva). Quando fiz o segundo teste, vinha de um mês de trabalho em Inacreditável (série policial da Netflix, baseada em fatos reais) e a energia era muito diferente – direcionada, implacável, firme, determinada. Me dei conta de que desejava algo mais divertido. Run me deu espaço para brincar, entre muitas outras coisas.

Para quem ainda não viu, como você descreveria sua personagem, Ruby Richardson?
Meu Deus, é difícil descrevê-la. É isso que a torna tão interessante! Na minha experiência de interpretar a Ruby, tentei defini-la, e me agarrar a ela. Isso, de certa forma, reflete o ritmo da série. Sempre a estava perseguindo. Poderia me relacionar muito com a emoção dela, e há coisas nela que realmente ecoam em mim, mas também a considero imprevisível e temperamental. Quanto mais queria criar raízes, mais a terra se movia. Às vezes era frustrante, mas também emocionante – e talvez isso não fosse inadequado neste tipo de obra. Eu só tinha que ir trabalhar, prestar atenção e estar apaixonada.

Você a vê como heroína, anti-heroína, mulher fatal ou um pouco de tudo isso?
Como atriz, costumo pensar nos personagens no seu interior, não externamente. Então, em geral nem faço essas avaliações. Mas me lembro de ter ficado tão impressionada por ter sido escolhida para o papel que pensei se eles não teriam me confundido com outra pessoa.

Escrevi para a Vicky dizendo que tinha medo de não poder fazer aquela mulher. Ela me responde, mas o que ficou para mim, em sua longa mensagem, foi: “A Ruby pode ser tudo (o que ela quiser)”. Então deixei que ela fosse tudo. Às vezes, achava que ela era muitas coisas ruins! Ela estava em todos os lugares, só tinha que me entregar. Tinha a esperança de que se ficasse em um momento, qualquer momento, ela acabaria sendo sincera.