Foto: Divulgação
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por Ana Ribeiro

No restaurante francês, cardápio na mão, Marília Gabriela aponta para a ave estampada: “Vou querer este”. O garçom não se altera: “Esse é o nome do restaurante, madame. A Cegonha (La Cicogne). Nós não servimos esse prato.” É a própria Gabi quem, entre risadas, conta essa história. Uma comprovação de que seu espírito aventureiro pode, às vezes, ir além da possibilidade. Marília Gabriela – ou Gabi, como todo mundo a chama – é uma mulher corajosa. Nos restaurantes, não tem erro: pede sempre o prato mais exótico. Só para experimentar. E é mais ou menos assim que ela dá movimento a sua vida. Com pitadas de curiosidade, toques de ousadia, vontade de alguma outra coisa e audácia para, se necessário, atirar-se na frente de um trem.

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A carreira de jornalista está indo bem? Ótimo. Então, que tal fazer um programa como apresentadora de televisão? O programa deu certo? Maravilha. Então, que tal ser repórter de novo – em outro país? O outro país está no papo? Então, quero ser entrevistadora. Já foi considerada a melhor entrevistadora do Brasil? Conquistou o maior salário pago para uma jornalista na TV brasileira? Então, agora, eu quero continuar a ser feliz. Só que de outro jeito. E Gabi vai acumulando funções. Repórter, apresentadora, atriz de teatro, de cinema, de novela, cantora, escritora.

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Os filhos são dois, Theodoro e Christiano. Theodoro, o mais novo, herdou da mãe essa vocação para a multiplicidade: é ator, diretor, figurinista, cenógrafo, DJ. Christiano voltou para os Estados Unidos, onde fez faculdade de Relações Exteriores, e levou com ele a neta de Gabi, Valentina, que ela viaja para visitar.

Gabi nunca vai pelo caminho mais curto. Em suas viagens intercontinentais, passa pela Dinamarca para encontrar o casal de amigos que vive lá, faz escala em Nova York e só então chega a Los Angeles, onde, enfim, pode se dedicar a coisas mundanas, como levar a neta à escola, atividade que registra em fotos e vídeos na sua próspera conta no Instagram.

Pela rede social, ela avisa: “Fique longe de mim quando estou de mau humor”. Ou aconselha: “Quem não arrisca não petisca”. Ou, ainda, confessa: “Não sou contra rotina. Acho que ela localiza a gente, no nosso espaço, na nossa vida, dá uma segurança. Tenho rotinas diárias: ler jornal, fazer pilates, trabalhar, escrever, ler”. E, ninguém é de ferro, amaldiçoa chatices necessárias da vida, como ir ao dentista e fazer mamografia. “Blerghh.” Gabi está em todas as partes nas redes sociais. Tem site, blog, canal no YouTube, página no Face e o Instagram, com entradas diárias. Nessas plataformas faz um pouco do que todos nós fazemos: divulgar nosso trabalho, mandar sinais de fumaça, mostrar como nossa vida é interessante. Mas faz também o que poucos de nós ousamos fazer: fala de suas tristezas e de suas inseguranças, de suas dores e de suas decepções.

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E lança sua queixa de geminiana: como é difícil não poder estar em todos os lugares nesta vida. No limite do possível, está em quantos lugares conseguir estar. É sempre fácil encontrá-la nas estreias de teatro. Depois de atuar em cinco peças com talento e intensidade, garantiu seu lugar de profissional querida pelos pares no meio teatral. Ela prestigia os colegas, elogia e recomenda os trabalhos, e é sempre recebida como a excelente atriz que é. Está tudo no Instagram.

Viajar é outra de suas paixões. Aprendeu a gostar de viajar sozinha, mas, depois, como lhe é típico, cansou. Não pela parte dos museus e dos programas culturais, porque estes até apreciava curtir por conta própria. O problema é que sentia falta de companhia na hora do almoço e do jantar. Ela não gosta de comer sozinha. Está tudo no Instagram.

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A volatilidade da vida profissional não se aplica, entretanto, ao seu círculo íntimo. Protege os filhos como a mãe presente que é, frequenta os mesmos amigos há muitos e muitos anos. Sua assistente, Belmira, é a mesma há décadas. Na cozinha, é Maria Odete quem garante a alimentação balanceada que é um dos ingredientes da boa forma de Gabi. Seu cabelo quem faz, há tempos, é o gaúcho Mauro Freire.

Todo dia 31 de maio Gabi se celebra. Nos anos 1980, quando o Gallery era “a” boate da cidade, seu aniversário era festejado com um baile à fantasia que marcou época na noite paulistana. Suas roupas eram sempre assinadas por estilistas, como no ano em que foi de dançarina de cancã em modelo criado por Ney Galvão. Na mesma noite, o colecionador Conrado Malzoni, de Gandhi, conversava com o decorador Rodolfo Scarpa, que apareceu de Branca de Neve, devidamente paramentado por sete anões. Hoje, as festas são mais discretas. Os amigos da vida toda estão lá, junto com os novos amigos e quem mais estiver envolvido nos projetos do momento. Hebe Camargo não perdia uma.
Gabi faz o que seu coração manda e conquistou o direito de viver como quer. Em determinado momento, tinha dois programas de entrevista simultâneos, em dois canais concorrentes, e ainda um terceiro, de debates, em outra emissora. Até há pouco, mantinha os dois primeiros: De Frente com Gabi, na TV aberta (durou cinco anos no SBT), e Marília Gabriela Entrevista, na TV por assinatura (quase 20 anos no GNT).

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Seu mais recente movimento de mudança pegou todos de surpresa. Para quem assistia de fora, pareceu meio súbito deixar os dois programas de uma vez e partir para novas – e ainda misteriosas – empreitadas.
Por que será que ela não se contenta em se sentar no seu trono de Marília Gabriela e viver a vida de rainha da TV que conquistou com tanto trabalho? Claramente, ainda não chegou a hora de Gabi parar.

Agora, está livre para ir atrás de todos os personagens que surgirem pelo caminho. Enquanto houver combustível em seu baú de novidades, Gabi terá sempre algum novo projeto engatilhado. E alguma novidade que ela ainda não pode revelar.

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