Joshua Becker é autor do livro “A Casa Minimalista” (Foto: Divulgação)

Se no início de 2020 o método da série Marie Kondo – A Mágica da Arumação (Netflix) nos fez repensar o acúmulo de coisas inúteis que guardamos ao longo da vida, a pandemia veio para acentuar o desejo por arrumação e acumular menos – ou pelo menos tentar. Nem para todo mundo, vamos deixar isso bem claro. Expert do assunto, o escritor Joshua Becker (autor do livro  A Casa Minimalista) é um dos destaques do Congresso Personal Organizer Brasil, que acontece a partir deste sábado (17.10). “Só porque algo lhe trouxe alegria no passado, não significa que você precise guardá-lo para sempre.”

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

“Todo o excesso que acumulamos em nossas vidas não está mais contribuindo para nossa felicidade, está na verdade nos distraindo”, explica o autor, que acredita que o minimalismo torna as pessoas menos consumistas. Viver com menos não quer dizer que você escolha gastar menos, mas investir melhor em alimentação, viagens, serviços ou doações beneficentes. “Eles ainda são consumidores, é apenas um mercado diferente. Tornar-se minimalista é mais do que descartar. Trata-se também de repensar o consumismo e superá-lo como um estilo de vida.”

Outro exemplo dessa onda organizacional é o reality The Home Edit (também disponível na plataforma de streaming, cuja primeira temporada apresenta ao público duas organizadoras pessoais queridinhas de nomes a lá Khloe Kardashian e Reese Witherspoon: são elas Clea Shearer e Joanna Teplin. A cada episódio, elas ajudam anônimos e famosos a ocupar melhor os espaços e arrumam as coisas por meio de métodos de arrumação. Quer começar a pôr a sua vida e casa em ordem? Becker ensina no papo, que você confere a seguir.


Qual é o primeiro passo para poder se libertar do consumismo e viver com menos?
Reconhecer que seu excesso de posses está realmente impedindo-o de viver a vida que quer viver. Todos devem prover para sua família e suas necessidades, portanto não é disso que estamos falando aqui. O que eu falo é de todo o excesso e nossa busca contínua e constante por mais e mais. Todo o excesso que acumulamos em nossas vidas não está mais contribuindo para nossa felicidade, está na verdade nos distraindo.

Quando gastamos dinheiro e tempo e energia e nos concentramos na coleta de bens, sacrificamos dinheiro e tempo e energia que poderiam ser gastos em outras buscas – fatos que de fato trazem sentido, alegria e significado para nossas vidas. Uma vez que percebemos que nossas vidas são muito valiosas para desperdiçar perseguição e acumulação de bens materiais, damos o primeiro passo para nos libertarmos.

Ter uma casa minimalista significa que você é menos consumista?
Sim, em geral, o minimalismo nos torna menos consumistas… com algumas compreensões. Os minimalistas procuram possuir apenas as coisas de que precisam para viver a vida que desejam. E isso varia de uma família ou uma pessoa para outra, portanto não há uma definição estabelecida do que torna uma pessoa minimalista ou não. Eu defino desta forma: minimalismo é a divulgação intencional das coisas que mais valorizamos, removendo qualquer coisa que nos distraia dela. Portanto, sim, possuir menos é o objetivo.

(Foto meramente ilustrativa: Getty Images)

Há alguns minimalistas que gastarão muito e muito dinheiro naquelas poucas coisas que possuem, então eles são menos consumistas, pois compram menos coisas, mas podem gastar a quantidade exata de dinheiro comprando aqueles itens de maior qualidade. Quando alguém se torna minimalista, eles não param de gastar dinheiro. Eles simplesmente param de comprar bens físicos que não precisam. Podem gastar mais dinheiro em comida, viagens, serviços ou doações beneficentes. Eles ainda são consumidores no mercado, é apenas um mercado diferente onde eles estão gastando seu dinheiro. No geral,  tornar-se minimalista é mais do que descartar. Trata-se também de repensar o consumismo e superá-lo como um estilo de vida.

Os brasileiros adoram guardar coisas… Sejam elas sentimentais, papel ou apenas inúteis. Marie Kondo diz que precisamos abraçar as coisas e dizer adeus para deixá-las ir. Você também tem um método de deixar as coisas ir?
Descobri que a generosidade é resultado do desprendimento e também um poderoso motivador para o desprendimento. Quando começamos a ver que os itens não utilizados em nossa casa são desesperadamente necessários para outra pessoa, talvez até mesmo em nossa própria cidade, ficamos mais motivados a deixá-los ir.

Com  frequência, achamos que não temos dinheiro ou tempo extra suficiente para ajudar. Mas então, olhamos ao redor de nossas casas, e cada gaveta, armário e armário é preenchido até a borda. Todos esses itens não utilizados poderiam ser usados para ajudar alguém – além de apenas juntar pó em nossas casas. Quando vemos essa oportunidade, e nos tornamos mais sintonizados com a necessidade ao nosso redor, somos liberados para nos soltar.

Concordo com a abordagem de Marie em agradecer a um item. Só porque algo lhe trouxe alegria no passado, não significa que você precise guardá-lo para sempre. Pode ter servido a uma necessidade em sua vida em algum momento, mas talvez seja hora de passar esse item para outra pessoa que precise dele hoje.


MENOS É MAIS
A sétima edição da Feira Organiza Brasil acontece a partir deste sábado (17.10) e segue até a próxima sexta (23.10) em um evento totalmente digital e gratuito. Reúne, em uma plataforma própria e interativa, soluções práticas, produtos, serviços e conteúdos exclusivos para quem gosta do assunto. O evento vem acompanhado de um congresso, pago, que conta com a participação do “guru” de A Casa Minimalista.