Foto: Divulgação
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A ideia é simples: se jogar na festa e fazer o corpo suar. Esse parecia um dos motes no momento de criação da Transpira, festa carioca organizada pela dupla Camila Molica e Amanda Grimaldi. O que começou como um projeto de performance – as duas são atrizes, formadas em Artes Cênicas –, aumentou e ganhou voz como um grito de liberdade.

Mas também um ato político. Lá se fala sobre a igualdade: social, econômica e entre os sexos. Tudo isso regado a música boa e ações performáticas. “Queríamos uma pista que colocasse as pessoas para dançar até os corpos derreterem! Quando surgiu o nome Transpira, entendemos que era a tradução perfeita do que idealizamos: fazer as pessoas suarem, que, em nossa linguagem, é promover a sudorese melada e coletiva”, divertem-se Amanda e Camila.

Há mais de 10 anos no Rio de Janeiro – Amanda é de Porto Alegre e Camila, de Brasília –, elas colhem bons frutos. Já tocaram em ruas, armazéns e galpões espalhados pela cidade. A música de abertura das noitadas, feita por elas, vai ganhar versão para as plataformas digitais, e participaram do festival Meca Inhotim, no ano passado.

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A festa também ganhou outro braço: se tornou bloquinho de carnaval e reuniu, na primeira edição, mais de 1.500 foliões. Isso sem perder a pegada feminina e feminista. “A gente procura se adaptar no modo como passamos nosso recado, para que ele chegue a todos. Mas nunca deixamos de levantar as bandeiras que acreditamos.”

Transpira acontece de forma multiplataforma: performance, teatro e audiovisual. Os três pilares sempre foram pensados desde a primeira edição, em 2017, no entanto, a ideia da performance ecoou até a criação da festa. “Começamos uma pesquisa a partir do que era mais latente para nós: a liberdade de ser quem se é”, diz Camila. “O corpo da mulher sempre foi um campo de batalha. O modo como nos colocamos no espaço e como nos vestimos já comunica muita coisa, mesmo se estivéssemos paradas, em silêncio. A performance é, por si só, a definição de um corpo artístico livre. Transpira fala do corpo da mulher, do corpo livre, por meio desse corpo da arte e para a arte”, afirma a dupla.

A mensagem é transmitida durante todo o momento da festa, desde o figurino – parte importante e integral do projeto, sempre com muito glitter, bodies e divertidas headpieces – até as músicas tocadas. “No nosso set não entra nada que denigra a figura da mulher, e procuramos sempre priorizar as intérpretes femininas”, conta Camila.

A cenografia possui detalhes à parte, como o estandarte-xota. “É o desenho de uma vagina linda, grande e peluda!”, divertem-se. “Mas sempre lembramos que ser mulher é muita coisa e que não necessariamente você precisa ter uma vagina para ser considerada uma”, completam.

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Outro acontecimento é o panfleto Lambe Buceta, feito pela artista @sunsarara_, e distribuído ao longo da noite. Nele, há um passo a passo de como praticar sexo oral na mulher. “O panfleto é uma provocação a esse mundo falocêntrico em que vivemos.” As intervenções variam de festa para festa. Algumas ocorrem com mais frequência, enquanto outras são mais esporádicas. “Acontecimentos mais efêmeros falam mais sobre situações do nosso cotidiano que estão em discussão no momento.”

Em uma das edições da Transpira, realizada em um galpão lotado de contêineres, elas criaram em algumas das caixas diversas atmosferas. Enquanto o público podia se divertir em um estúdio de tatuagem improvisado, outro contêiner virou um dark room. Apesar de privilegiar o feminino, o público é muito misturado. E a noite é garantia de diversão para qualquer um que chegar. “A Transpira é um convite a todos, para criarmos juntos nosso mundo ideal: sem censura, sem julgamento e sem opressão. Cada um pode transpirar como quer transpirar. Mas queremos que esse pensamento ecoe para além da festa. É um diálogo sem fim.”, diz Camila.

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