Três curiosidades sobre a construção do MASP

O prédio do museu completa 51 anos nesta quinta-feira

by Marcela Palhão
Foto: Divulgação

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Desde os princípios do crescimento populacional de São Paulo, a avenida Paulista se destacava como ponto privilegiado da cidade. No início, com palacetes que seguiam regras arquitetônicas. Atualmente, como um polo empresarial e comercial, que também é referência quando o assunto é circuito cultural, por reunir museus, cinemas, parque, eventos, etc.

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Nesta quinta-feira (07.11), a cidade comemora 51 anos da abertura do atual prédio do Museu de Arte de São Paulo, um dos maiores pontos turísticos de São Paulo. Antes localizado na rua 7 de Abril, o museu fundado em 1947 por Assis Chateaubriand ganhou um novo projeto arquitetônico feito por Lina Bo Bardi e reinaugurou em 1968, no meio da avenida Paulista.

À convite da Goodyear – parceira do MASP e um dos apoiadores do livro “O MASP de Lina” -, a Bazaar fez um tour pelo museu para conhecer mais sobre sua arquitetura, que caminha lado a lado a beleza das obras expostas. Para comemorar o aniversário de inauguração do prédio, veja três curiosidades sobre sua criação:

Foto: Divulgação

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Vão livre
O local atualmente ocupado pelo MASP é um terreno que Joaquim Eugênio de Lima, idealizador e construtor da avenida Paulista, doou à prefeitura de São Paulo sob a condição de que a vista para o centro da cidade daquele ponto fosse sempre preservada. Naquele lugar existia o belvedere Trianon, tradicional ponto de encontro da elite paulistana, que foi demolido em 1951.

Quando o prédio ocupado pelo museu na rua 7 de Abril ficou pequeno para seu acervo, Pietro Maria Bardi, diretor da fundação, achou o número 1578 da avenida Paulista o local perfeito para sua nova localização. Em uma negociação política, o prefeito Ademar de Barros concedeu o terreno ao museu. Foi então que Lina Bo Bardi recuperou o projeto que havia feito para um museu à beira mar e o readaptou para a capital paulistana.

Para manter a vista livre, como era exigido, Lina podia optar por uma edificação subterrânea ou uma suspensa e acabou escolhendo ambas. Foi assim que nasceu a construção única, com o corpo principal amparado por quatro pilares. O resultado foi um vão livre de 74 metros, o maior do mundo na época. Sua inovação foi tão marcante que sua inauguração contou com a presença da rainha Elizabeth II, que fez o discurso de inauguração.

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Obras suspensas
Também é de Lina a autoria dos cavaletes transparentes do MASP. Segundo anotações da arquiteta, sua ideia era tirar os quadros das paredes, ou seja, diminuir a impressão de que obras de arte são objetos intocáveis e intangíveis, pertencentes a um pequeno ramo da sociedade. Sua criação resultou em exposições que parecem flutuar em meio ao edifício, assim como o prédio flutua em meio a cidade.

Durante anos esses cavaletes de vidro ficaram guardados, mas em 2015 o museu os trouxe de volta e reacendeu a paixão do público por sua peculiaridade. Estudos mostram que a ideia de Lina Bo Bardi também era mudar as impressões que o público cria sobre as obras, por isso decidiu que as informações de cada quadro deviam ficar atrás dos mesmo, ao invés do lado. Seu pensamento era que o visitante tivesse um contato particular com a obra antes de tirar conclusões ao descobrir por quem, quando e como foi feita.

Escritório privilegiado
Durante anos, Lina Bo Bardi se culpou pela maneira como projetou a Casa de Vidro, localizada na zona sul de São Paulo. Com a intensão de criar uma das mais belas vistas da cidade, a arquiteta projetou uma construção de vidro, mas que, segundo suas próprias análises tardias, escondia o local onde seus empregados viviam.

Lina viu no MASP uma forma de se redimir, por isso, a sala de funcionários tem, até hoje, um dos locais mais privilegiados do prédio. No primeiro andar, toda a extensão do prédio que fica acima da avenida Paulista é ocupada pelas pessoas que trabalham no museu. A ideia da arquiteta é que qualquer pessoa que passe pela avenida consiga ver seus funcionários, já que o prédio é todo de vidro.

Se depois dessas curiosidades você ficou com vontade de rever todos os cantinhos do MASP não pode perder essa oportunidade: em parceria com a Goodyear, a entrada no museu neste sábado (09.11) é gratuita!