Trio curitibano Tuyo lança álbum "Chegamos Sozinhos em Casa"
Foto: Divulgação

Lay, Lio e Machado são – no fundo – operários musicais experimentando novas facetas, dando oportunidade para drops vazios entre letras profundas e pela busca incessante de contar como é e o que se vive na vida adulta para quem – assim como eles – acabou de chegar ali. O trio de folk afrofuturista Tuyo ganhou mais uma parcela do mundo ao se apresentar, recentemente, na edição online do festival de inovação SXSW, quando arrancou suspiros de críticos do gigante The New York Times. Tudo isso em meio à efervescência e o pulsar intenso do coração de estrear o álbum “Chegamos Sozinhos em Casa” (Natura Musical), segundo de estúdio do trio curitibano.

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

E eles são audaciosos. Segundo trabalho de estúdio do trio que se divide entre São Paulo, Curitiba e, agora, o mundo, o álbum, dividido em duas partes, terá 18 faixas, com o prólogo estreando na segunda quinzena deste mês nos fones de ouvidos por aí, e o epílogo ainda no primeiro semestre deste ano.

Na primeira parte, a tríade quis catalogar o que se vive ao tomar as rédeas da própria vida aos vinte e poucos anos, quando os boletos insistem em chegar. “Entendo o nosso trabalho como uma espécie de catálogo de sintomas do que te torna uma pessoa adulta. Um grande menu do que é ser adulto, das aflições e dos sentimentos”, diz a líder Lio, em papo via Zoom com Bazaar, que mais pareceu um café da tarde entre amigos de infância, mas que, na verdade, acabaram de se conhecer.

Trio curitibano Tuyo lança álbum "Chegamos Sozinhos em Casa"
Foto: Divulgação

A identificação citada acima é o que o grupo busca ao entregar um álbum uníssono em meio a tantas variações sonoras, permeado de grooves e batidas que nos fazem refletir sobre a vida sem nem perceber. Some tudo isso a letras intensas compostas em conjunto. Ao ouvir, a dinâmica é uma só: olhar para si, reavaliar o que se faz e o que se tem até aqui e o que você tem sentido e amado. Mas sem estar em frente a um espelho ou vendo o próprio reflexo em uma poça d’água. “O primeiro movimento que queremos com este disco é, sim, olhar para dentro, nos reavaliarmos. Fomos obrigados a fazer isso agora [por conta da pandemia da Covid-19], mas esse não é um disco pandêmico”, completa Lay.

Pode parecer praxe dizer que um álbum lançado neste momento distópico de isolamento faz com que as pessoas voltem os olhares para si mesmos, mas o convite para isso não era a intenção primária. Composto e gravado em janeiro do ano passado, antes do mundo eclodir frente a um inimigo invisível, os autores de “Pra Curar” (2018) estavam em um movimento individual de olhar em volta e buscar um eu ainda não conhecido nem por eles mesmos.

A partir daí, o convite para os outros fazerem igual era inevitável: o disco se tornou pandêmico a partir do momento que todo mundo – assim como eles – precisou chegar sozinho em casa. “A gente estava em auto-observação e, agora, todos estamos. Talvez existam pessoas que estejam lutando contra isso ou não tiveram a oportunidade para tal. O disco pode ser um fio condutor, uma provocação nesse sentido”, conta Machado, com seu jeito observador e calado.

Trio curitibano Tuyo lança álbum "Chegamos Sozinhos em Casa"
Foto: Divulgação

“Chegamos Sozinhos em Casa” é um disco colaborativo, segundo seus integrantes. Conta com participações de Jaloo, Luccas Carlos, Lucas Silveira e Jonathan Ferr. Estes encontros não foram ao acaso. “Temos em mente que a colaboração existe para que a música cresça, para que seja um universo completo. Nossos convidados aprenderam nosso dialeto, mas o discurso é deles”, finaliza Lio.

No mais profundo consenso entre os três artistas, o nome do disco fala também muito sobre como a vida de cada um está neste momento. Agora, depois de anos morando juntos, eles – literalmente – estão chegando em casa sozinhos, tanto na vida real como no espaço sonoro criado pelo Tuyo.

A distância física que existe entre eles se mostra no som, que transmite a individualidade de cada um, seja na vida adulta em que estão inseridos, seja na estante de cada sala, que agora aparece em demasia nas chamadas de vídeo. “’Chegamos Sozinhos em Casa’ é um retrato documental do nosso movimento em busca das nossas individualidades”, afirmam em bom tom. Play!