Tudo em família no suspense nacional ” O Juízo”

Diretor Andrucha Waddington trabalha com a mulher, Fernanda Torres, a sogra, Fernanda Montenegro, e o filho Joaquim, que estreia como ator

by redação bazaar
Foto: Divulgação

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Por Mariane Morisawa

Família que trabalha unida permanece unida? Para Andrucha Waddington e Fernanda Torres, é por aí. “A gente é meio uma família de circo”, diz Waddington à Bazaar, em conversa sobre seu novo filme, o suspense sobrenatural “O Juízo”, com roteiro da mulher, Fernanda Torres, e com a sogra, Fernanda Montenegro, no papel de Marta, uma vidente. “É natural eu querer escalá-la para qualquer personagem, é uma honra tê-la conosco”, diz o diretor.

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A novidade é a presença de seu primogênito, Joaquim Torres Waddington, 19 anos, em sua estreia no cinema. “Foi um acaso”, explica Waddington. “Eu não estava achando o ator para fazer o personagem, tinha feito mais de cem testes. Meu produtor sugeriu o Joaquim. Falei que precisava ver se ele queria, porque nunca tinha feito nada. Aí ele ficou a fim, se preparou, fez um teste em que eu não estava presente e foi superbem. Então, ele ganhou o papel no teste.”

O pai-diretor ficou feliz com a participação do filho, que chegava ao set preparado por Laís Corrêa, e ajudado pelos colegas de elenco, inclusive sua avó. “Foi muito gostoso ver sua dedicação e sua entrega.” Joaquim interpreta Marinho, o filho de Augusto (Felipe Camargo) e Tereza (Carol Castro).

Os três se mudam para a fazenda semiabandonada da família de Augusto quando ele perde o emprego e se entrega ao álcool. Mas o lugar é marcado por uma traição cometida pelo avô de Augusto. Ele abrigou o escravo Couraça (Criolo) e a filha dele, Ana (Kênia Bárbara), que tinham em sua posse um diamante, mas chamou a guarda. Ao longo de 200 anos, Couraça busca sua vingança. Augusto, por sua vez, é tomado pela ganância e por visões que colocam em dúvida sua saúde mental.

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Waddington sempre teve vontade de fazer um filme de terror ou suspense e cita “O Iluminado” como um de seus favoritos – “O Juízo” tem um quê do longa de Stanley Kubrick, com a família isolada numa construção praticamente abandonada. “O terror é um gênero que ficou meio de lado no cinema brasileiro, mas teve uma safra bacana este ano. Acho que o público brasileiro, que gosta dos filmes de suspense gringos, vai ver que a gente sabe fazer também.”

O roteiro, porém, surgiu quando o diretor e Fernanda Torres visitavam a fazenda de amigos em Minas Gerais. “Começaram a contar histórias de assombração, e a Nanda imediatamente rabiscou uma história, ainda incipiente”, conta Waddington. Ali, passava a Rota do Ouro, então o casal escutou muitas coisas sobre mineração de ouro e diamante.

Em princípio, o personagem que tinha a pedra era um holandês, mas, como na época existia a escravidão, acharam que fazia sentido incluir isso em uma trama. As filmagens isolaram elenco e equipe durante dois meses na fronteira do Rio com Minas, em um lugar sem sinal de celular.

A locação principal era em uma casa original da virada do século 18 para o 19 que estava sendo restaurada. “O casarão tinha muita história, então as pessoas ficavam meio griladas à noite naqueles corredores, mas nada específico”, diz Waddington, que não acredita nem desacredita em fantasmas. “Não sei se existem ou não, mas respeito.”

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