Foto: Globo Filmes/Divulgação
Foto: Globo Filmes/Divulgação


Por André Aloi

Foi uma preparação de cinco meses e três coaches até que Andreia Horta se colasse à semelhança de Elis Regina, que ganha a cinebiografia Elis em novembro. O olhar, os movimentos dos braços em formato de hélice, o sorriso gengival e a gargalhada da personagem impressionam. “Ela era uma alma indecrifrável. Conseguia oito frases em uma respiração só. Foi muito difícil cantar com a mesma embocadura. A veia saltar na mesma hora, encher o pulmão e aguentar as frases”, conta a atriz à Bazaar. Andreia nasceu um ano depois da morte de Elis.Apesar de suas matérias não terem se cruzado, sentiu-se conectada em algumas passagens da vida, como quando leu sua biografia mais famosa, Furacão Elis (de Regina Echeverria), lá pelos seus 20 anos – ela tem 33. Ou, então, quando cortou o cabelo no estilo joãozinho.“Meu período de adolescência e de faculdade foi com esse corte”, relembra ela, que, além de Elis, também gosta de ouvir Maria Callas, Ella Fitzgerald e Cássia Eller. “Estou carregando a energia da Elis”, diz Andreia, que teve conversas com Miele e outras pessoas do círculo íntimo da cantora para entender sua essência.“Ninguém mais gravou tanto. Vocêpensa:morreucedo,mascomoviveu,né?” Mineira, a atriz é comedida ao falar da vida pessoal e ri de quem tenta furar essa barreira.

“Escolho o que mostrar publicamente. Não estou na roda da fofoca, não tenho interesse nela”, afirma.“Não me exponho e nem me autopromovo demasiadamente.Tenho uma responsabilidade com isso.”Talvez saber pouco de Andreia endosse ainda mais a verossimilhança com a Pimentinha, que fez parceria com Miele e Ronaldo Bôscoli nos áureos tempos do Beco das Garrafas e deu um twist ao estrelar, com Jair Rodrigues, o programa O Fino da Bossa. De forma didática e cronológica, o diretor Hugo Prata esmiúça no longa a vida da intérprete, que confunde-se com a da música brasileira.“Queria retratar a curva emocional, compreender os fatores que a levaram a se fragilizar a ponto de, aos 36 anos, morrer de repente”, conta ele. A morte, em janeiro de 1982, em São Paulo, causada pela mistura de álcool e drogas, foi contada de forma tímida e delicada. O filme, de quase duas horas, tem ritmo frenético. Começa mais cômico e termina como drama, pautando-se pelas conquistas rápidas e pelas relações pessoais, como os casamentos com Bôscoli e César Camargo Mariano.“Ela tinha uma batalha diária como mulher, cantora, mãe,líder de um pensamento alternativo nos anos de chumbo”, pontua Prata.