Foto: divulgação
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Por Luísa Graça Elizabeth Debicki entra no salão de um hotel em Roma vestindo blusa branca, terno azul-marinho Lanvin e um par de saltos vertiginosos, adicionando alguns centímetros aos seus já impressionantes 1,90 m de altura. “Vejo a moda da mesma forma que vejo meus papéis. Não acho que uma roupa demonstra quem você é, necessariamente. Se viesse como eu mesma, estaria de pijamas”, fala, bem-humorada e serena, com postura ladylike bem de acordo com sua beleza delicada, porém imponente. “Tem dias em que quero um look mais andrógino, noutros quero um vestido florido Valentino.” É fato que durante o encontro com Bazaar, parte do rosto emoldurado por uma longa franja loira, a australiana de 25 anos pouco se parece com a golfista Jordan Baker, de O Grande Gatsby, seu début no cinema. Tampouco com a glamorosa vilã que interpreta em O Agente da U.N.C.L.E. ou ainda com a médica, sempre vestida em agasalhos, de Evereste. “As pessoas sempre dizem que eu fico muito diferente. Acho isso um tanto bizarro.” No caso de uma atriz, ser comparada a um camaleão, é, na verdade, definitivamente um elogio. E de elogios, Debicki deve entender bem. Foi chamada de “a nova Cate Blanchett”, em referência à conterrânea com quem dividiu palco na peça The Maids (junto ainda com Isabelle Huppert), e ouviu elogios sinceros de Meryl Streep. O papel em Gatsby, em que contracena com Leonardo DiCaprio e Carey Mulligan, veio apenas quatro meses depois de se formar como atriz na Victorian College of the Arts, em Melbourne. Desde então, esteve sempre acompanhada por atores de alto escalão como Jake Gyllenhaal e Michael Fassbender. Em The Night Manager, nova minissérie do canal AMC, a atriz divide cenas com Hugh Laurie (o Dr. House) e o galã da vez, Tom Hiddleston. “O bom é que temos todos a mesma altura. Isso nunca me aconteceu antes no trabalho”, brinca, satisfeita por seus colegas não precisarem subir em caixas para se nivelar. “TV é uma novidade para mim. Recentemente cheguei à conclusão de que não sei trabalhar se não estiver com medo. Penso que uma certa dose de medo é importante para te empurrar além do limite. Você cai e falha, mas encontra algo novo”, diz. Baseada no bestseller de John Le Carré, The Night Manager é uma sofisticada trama de espionagem em que um ex-soldado (Hiddleston) é recrutado pela inteligência britânica para se infiltrar no círculo íntimo de um empresário internacional (Laurie). A personagem de Elizabeth, Jed, fica no meio disso tudo ao se envolver num triângulo amoroso com os dois. “O mais perto que cheguei de uma espiã na vida real foi viajar por quatro países em três dias, com várias trocas de figurino e uma taça de martíni”, conta ela, que vive entre Sydney, Londres e Los Angeles. Filha de bailarinos – o pai, polonês, a mãe, irlandesa–, a atriz, que nasceu em Paris, mas não se reconhece como francesa, cresceu dançando e viajando. A dança acabou ficando de lado por conta da altura, mas não as viagens. “Sou meio nômade. Amo ir de um filme para o outro, de um país para o outro. É o que me motiva.” Distrai-se lendo livros que nada tem a ver com o trabalho e fazendo doces, como o crumble de ruibarbo e coco, receita que inventou – “Comer se classifica como hobby?” E nunca nega o tal sangue cigano pelo qual se define. “Há algo de empolgante em viver na incerteza.”