“Vergel”: Camila Morgado vive protagonista que se reconstrói com affair gay

Filme estreia no Brasil nesta quinta-feira (07.02)

by redação bazaar
Foto: Divulgação

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Por Ana Ribeiro

Alguém morreu. A angústia da mulher (Camila Morgado) a mantém em estado de anestesia. O que aconteceu? De quem será o corpo que a estrangeira precisa liberar para transportar de volta para casa? O filme inteiro se passa em um apartamento no oitavo andar, de onde Ana – sabemos que esse é seu nome ao vê-lo de relance num e-mail – assiste, de cima, ao movimento do mundo, enquanto acompanha, pelo telefone, em uma língua que compreende mal, as etapas burocráticas do processo.

A cidade, também sem nome, fica na Argentina – conforme notamos no carimbo do passaporte. Assim é “Vergel”, da diretora Kris Niklison, que estreia nesta quinta-feira (07.02) nos cinemas brasileiros.

Nada é dado de graça ao espectador, que tem de unir os elementos que vão aparecendo para montar o quebra-cabeça. As cenas não mostram o quadro inteiro, e nos fazem observar a ação de um ângulo desconfortável. Camila é Ana, a viúva, o centro do filme.

A atriz leu o roteiro e ficou atraída imediatamente. “Achei muito sensível. O que mais gostei foi de contar essa história de um ponto de vista feminino. O filme é todo voltado para essa mulher, a gente fica com ela do começo ao fim. Ela sofre uma perda e, a partir dela, passa por um processo de reconstrução”, conta.

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O longa foi filmado em Buenos Aires, durante 45 dias. “Me senti próxima daquela mulher, como se ela fosse uma conhecida minha.” Um dos refúgios que Ana encontra no filme é a água, que se transforma quase que em coadjuvante, assim como as plantas que ela tem de regar para mantê-las vivas. “A água no filme tem o signo da vida, do renascimento”, explica Camila. “Só mais tarde soube que Vergel tem a ver com verde, com jardim, com árvores.”

Apesar da pele muito clara, a atriz, que mora no Rio de Janeiro, adora ir à praia – sempre com muito protetor – e também toma banhos nas quedas d’água que ficam no meio da floresta da Tijuca, nas Paineiras. “É um lugar mágico, com uma vista maravilhosa do Rio.”

Pela água, Ana começa a se reconectar com a própria vida, que se intensifica quando surge a vizinha de baixo (a atriz argentina Maricel Álvarez), com quem ela tem uma relação íntima. A partir do desejo, do sexo, do prazer, a personagem é colocada em contato com seus sentimentos e consegue, inclusive, sentir com mais intensidade a dor da perda do marido. “Acho que o sexo, nesse filme, tem o papel de tirar a mulher de um estado de suspensão, onde ela não estava morta, mas também não estava viva. O desejo devolve a ela o primitivo, o animal. Ela volta a sentir a pulsão vital.”

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Cenas de sexo são difíceis de fazer, concede Camila. O fato de ter sido com uma mulher não altera muito o processo. “É sempre difícil estar em cena. Na hora em que liga a câmera, que abre a cortina, você se joga no abismo, não sabe onde vai dar. No caso do sexo, a exposição é ainda maior. É complicado”, explica.

Mas foi mais simples desta vez, ela conta. “Eu e Maricel nos demos bem logo de cara. São coisas que não dá para explicar. Tudo depende do seu companheiro de cena, e ela foi maravilhosa. É uma grande atriz e uma pessoa incrível. Isso ajudou muito. Não tem muito a ver com o gênero, tem a ver com a pessoa que está ali com você, se vocês estão falando a mesma língua.”

Camila tem trabalhado muito. Além de Gabriela, a protagonista adulta de “Malhação: Vidas Brasileiras”, na Globo, fez quatro filmes que estrearam recentemente, entre comédias e dramas. Vergel é um deles. “Eu queria me testar naquele lugar. Se colocar em situações diferentes é um grande exercício. A partir dos personagens a gente também acaba se conhecendo.”

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