Foto: Fernanda Garcia

Ela tem só 20 anos e já aparece como uma promessa na TV. Vitoria Bohn faz sua estreia na televisão como uma das protagonistas de “Cara e Coragem”, trama das 19h da TV Globo, escrita por Claudia Souto. Natural de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, a jovem atriz se preparou intensamente para viver Lou, uma corajosa bailarina de dança aérea. Além dos treinos de força e preparação corporal, ela fez aulas específicas de dança vertical em uma enorme estrutura montada no próprio Projac (centro de produção televisiva da TV Globo).

Vitoria sonha em ser atriz desde muito nova e estuda interpretação desde os dez anos. Fez teatro em sua cidade natal e em Porto Alegre. Com o passar do tempo, foi amadurecendo esse desejo e fazendo cursos mais específicos, em São Paulo e no Rio, mas sempre sob a supervisão dos pais.

No Sul, já havia feito uma minissérie exibida também como longa-metragem, “Redenção”, um projeto importante para a cultura gaúcha. Também participou de alguns curtas-metragens e peças de teatro.

Em “Cara e Coragem”, Lou vive uma relação complicada com o pai, personagem de Leopoldo Pacheco. Ela é meia-irmã de Pat (Paolla Oliveira). A bailarina também vive um relacionamento abusivo com o personagem vivido por Bruno Fagundes, coreógrafo da companhia de dança, mas vai se interessar por Rico (André Luiz Frambach).

Tudo isso já está acontecendo na vida dessa menina do Rio Grande do Sul, mas ela não é só um rosto bonito, Vitoria, até chegar onde está, foi uma incansável batalhadora. Ainda adolescente, pegava o nome dos produtores de novelas nos créditos da TV para tentar, na sorte, enviar um email para eles dizendo que seu sonho era o de ser atriz. Um dia deu certo, a combinação que fez entre nome, sobrenome e email acabou lhe rendendo a oportunidade de fazer um vídeo para deixar na TV Globo. E ela foi. Depois disso, dedicou-se sem parara a cursos de interpretação, até que uma oportunidade de de testes caiu na sua frente, e óbvio, ela não deixou passar. Aconteceu que foi chamada para fazer a bailarina Lou em “Cara e Coragem”, onde vem se destacando e com sonhos de crescer cada vez mais. 

Leia a seguir entrevista que Bazaar fez com Vitoria via Zoom. 

Foto: Fernanda Garcia

Como nasce seu interesse para a carreira de atriz?

Desde muito cedo, eu comecei a fazer comerciais no Rio Grande do Sul, tinha a magia da câmera, de todo aquele universo, do set de filmagem, depois ver na TV, era tão mágico. E desde então eu já pensava que queria trabalhar com TV. 

Com 12 anos eu pedi para a minha mãe me colocar em aulas de teatro, e comecei a fazer na minha cidade, que é Novo Hamburgo. Quando eu tinha uns 15, 16 anos já fazia curso em Porto Alegre, porque podia ir sozinha, e então pensei que era isso mesmo o que eu queria fazer. Comecei a fazer pequenos cursos em São Paulo e no Rio. Quando chegou a época do vestibular, eu disse para os meus pais que não queria fazer faculdade naquele ano, pois queria tentar a carreira de atriz. Então me mudei para São Paulo, e um mês depois veio a pandemia, então voltei para casa e passei a pandemia inteira lá. 

Como surgiu a oportunidade para encenar Lou, em “Cara e Coragem”?

Então, a história é longa, mas vou dar uma resumida. Meu sonho sempre foi fazer uma novela, mas não é uma coisa tão simples assim, não é um vestibular que você presta todos os anos, tem de acontecer muitas coisas. Eu tinha duas possibilidades, por meio de uma agência, o que nunca nem tentei, e a outra era chegar em alguém da TV Globo, mas eu não tinha contato de ninguém. Só que eu comecei cedo com a minha estratégia pela internet. Quando eu tinha uns 13 anos eu já ficava de olho nos créditos das novelas e pegava o nome dos produtores, e ia arriscando a escrever, porque eu tampouco tinha o email dessas pessoas, então eu arriscava várias combinações de nomes e de emails para tentar chegar em alguém, eu mandava umas 30 possibilidades diferentes. Até que teve um dia que deu certo. Só que eu era muito novinha, tinhas uns 14 anos, e fui orientada pela emissora a esperar ter 16 e ser emancipada ou com 18, para ir até lá e fazer um vídeo. Quando eu me formei no Ensino Médio, um produtor da Globo me escreveu dizendo que eu podia ir fazer o vídeo em um sábado, só que era justamente o dia da festa da minha formatura. Eu abri mão da festa e fui para o Rio gravar o vídeo. Aí, corta, dois anos de pandemia, e começaram os testes. Eu fiz para vários testes, tudo online, até que uma produtora de elenco me viu e me chamou para “Cara e Coragem”, em março do ano passado [a novela sofreu um adiamento de sua gravação posteriormente].

Como se preparou para o papel?

De cara me falaram que eu seria uma dançarina aérea, que faz dança vertical,  feita na parede, uma coisa superespecífica, nova, diferente. Só que no Rio Grande do Sul não tinha essa dança, então fiz dança aérea com tecidos e dança contemporânea. Aí, quando eu fui para o Rio, já para gravar, comecei a ter a preparação da dança aérea, que exige um lugar maior, os cabos de segurança, é bem complexo. 

E foi difícil?

No início, foi. Porque eu tinha muito medo de altura. Então na primeira aula subimos eu, a professora e a Paolla [Oliveira]  uns cinco metros, eu não conseguia me mexer, só pedia para me descerem. Mas nisso a gente fazia aulas todos os dias e fui pegando confiança. Hoje eu não tenho mais medo de altura, sobretudo cabeada, eu confio muito no equipamento. Na minha primeira cena eu dançava em um prédio, e subi 30 metros. Foi demais. E a dublê subiu a 100 metros.

Como é interpretar seu primeiro papel na TV, qual a expectativa com a novela?

Que pergunta difícil. Eu sempre tenho boas expectativas, acho que dá para perceber pelo meu jeito que eu sempre espero coisas boas. Eu espero que as pessoas sintam a minha personagem, que tenha uma boa aceitação do público, que passe a mensagem que tem que passar e que conte a história que precisa ser contada, principalmente. 

Conte sobre a minissérie “Redenção”, que você fez no Rio Grande do Sul, fale sobre ela.

Foi um trabalho muito importante, principalmente para mim, pois foi um dos meus primeiros trabalhos, uma da minhas primeiras experiências, eu tinha 13 apenas. Era uma série que tinha uns cenários muito diferentes, era como se a terra tivesse sofrido um apocalipse, e tivesse acabado. Ela teve uma ótima repercussão, foi exibida, primeiro, como minissérie, na TVE, e depois como filme. 

Foto: Fernanda Garcia

Como é sua família?

Sou eu, meu pai, minha mãe e uma irmã mais velha, ela tem 27 anos, e somos muito amigas. Mas se contar a família toda, tios, é muito grande, eu tenho 32 primos (risos), e sou a caçula dos dois lados. Mas todo mundo participa, os grupos [no WhatsApp] estão  explodindo, quando dá 19h horas já escrevem que estão apostos para assistir à novela, porque todo mundo sabe que eu quis isso a minha vida toda.

Você é uma mulher bonita, cogitou em algum momento outra carreira, como modelo, por exemplo?

Lá no começo eu quis ser modelo, sim, mas fiquei baixinha, tenho 1,62 m de altura. E logo comecei a fazer os comerciais e essa coisa de TV. Foi só no início mesmo, o que já foi descartado na adolescência. Depois disso nunca pensei em outra profissão. Eu quero ser atriz e apresentadora, quero muito.

E beleza, você é ligada em skincare, essas coisas, cuida do corpo?

Super. Eu penso no cuidado com o corpo mas com foco na saúde mesmo, e desde pequena eu faço muitos esportes. Eu corro na rua, uma coisa pela qual me apaixonei desde os 15 anos. A corrida é algo muito estimulante, tem muitos desafios, e eu gosto de me desafiar. Estou me preparando para fazer uma maratona uma hora dessas, mas não sei  quando. E sobre beleza eu não sou a louca do skincare, mas sou disciplinada, tenho muita frequência nas coisas. Eu faço o top 3, que é limpar, hidratar e proteger. 

Foto: Fernanda Garcia

Quais são seus próximos projetos? Tem vontade de fazer teatro, cinema, streaming?

Eu quero muito fazer personagens diferentes. Tenho muita vontade de fazer uma vilã, muita. Mas depois do fim da novela eu quero continuar estudando, porque isso é uma coisa que acho que nunca acaba.