Yayoi Kusama – Foto: Divulgação

Desde a infância, as flores sempre serviram de inspiração e tiveram uma relação carinhosa com Yayoi Kusama. Ela nasceu em uma casa com viveiro de sementes e mudas, na região provinciana e rural de Matsumoto. Ali, desenhou a flora que conhecia do Japão. O universo cósmico arquitetado pela princesa das bolinhas – como é conhecida a artista de 90 anos – ganha uma exposição ao ar livre no Jardim Botânico de Nova York. São mais de 50 obras exibidas nas galerias e nos jardins do espaço dedicado à natureza.

“À medida que ela evoluiu como artista, flores, sementes, folhagens e até padrões que sugerem a estrutura celular das plantas continuaram a se repetir”, afirma à Bazaar a diretora de envolvimento público e curadora de exposições do parque, Joanna Groarke. Ela conta que a missão do Jardim Botânico é entender como os artistas se inspiram na natureza. Quem assina a curadoria de “Kusama: Cosmic Nature” é Mika Yoshitake, profunda conhecedora da arte de Yayoi e autora de um livro sobre o trabalho da artista japonesa.

frame do vídeo Flower Obsession (Sunflower), dos anos 2000 – Foto: Divulgação

Exibidos do MoMa ao Inhotim, os famosos espelhos em formato de esfera da instalação “Narcissus Garden” – criação da década de 1960 – tomam a piscina do Native Plant Garden, refletindo a água, a grama e as árvores ao seu redor. Uma abóbora gigante, intitulada “Dancing Pumpkin”, com mais de 5 metros de altura, é exibida pela primeira vez no gramado que desemboca no Conservatório Enid A. Haupt, uma das mais belas edificações do lugar.

A expo é um pot-pourri de esculturas de flores, pinturas e instalações pontilhadas de bolinhas, incluindo uma verde e interativa, chamada “Obliteration Room”, em que os visitantes cobrem o espaço com adesivos em formato de flor. Outra inédita deste ano, “Illusion Inside the Heart”, faz parte das imersivas salas-espetáculo, com espelhos infinitos cheios de pontinhos de luz.

Frame do vídeo “Flower Obsession (Sunflower)”, dos anos 2000 – Foto: Divulgação

Yayoi usa a arte como fuga da realidade, o que a ajudou a enfrentar seu quadro de transtorno mental e tentativas de suicídio. “Seu trabalho é ousado e, às vezes, enganosamente simples. As imagens são reconhecíveis e familiares, mas suas mensagens de amor, paz, celebração da vida e reconhecimento da morte demoram um pouco para serem reveladas”, destaca Joanna.

O título desse panorama Yayoi versus natureza tem a ver com a perspectiva sobre o mundo: a ideia de que estamos todos conectados. “Elementos encontrados na natureza ganham forma, mas a profundidade de seu envolvimento com o assunto foi pouco explorada (até agora). Por isso, vamos ter a oportunidade de oferecer uma nova perspectiva sobre suas obras”, pontua.

Várias peças estreiam nesta mostra, que também apresenta ícones da adolescência e parte da produção dos tempos em que viveu na cidade que nunca dorme, nos anos 1960. As criações de Yayoi fazem pensar sobre nosso papel no universo, relacionamentos com a natureza e uns com os outros, que devem ganhar forte protagonismo após períodos de autoisolamento e quarentena, provocados pelo novo coronavírus.

“Kusama: Cosmic Nature”: Até 31 de outubro de 2021. Ingressos à venda até 30 de junho. Entrada apenas com hora marcada