Foto: Divulgação
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Por Luísa Graça

Provavelmente o casal mais célebre da cultura popular, John Lennon e Yoko Ono se conheceram durante uma exibição de trabalhos dela em uma galeria de arte no porão de uma livraria em Londres, em novembro de 1966. Quase 50 anos depois do primeiro encontro dos dois,os trabalhos de Yoko realizados entre 1960 e 1971 serão exibidos no MoMA, em NovaYork, pela primeira vez em uma mostra solo, a partir deste mês. “Estou muito animada com essa exposição – um pouco obcecada talvez? Ao mesmo tempo, me sinto nervosa. Coloquei minha vida toda nisso. Seria ótimo ver meu trabalho sendo aceito de braços abertos. Mas já tive muita dificuldade em ser aceita antes, não vou desmaiar caso não seja”, diz em entrevista à Bazaar.

Quando foi aceita por Lennon, nos anos 1960, ela era uma artista de vanguarda que, expondo suas pinturas inacabadas e objetos-instalação, conquistou o músico com uma obra: uma escada portátil que levava a uma tela em branco suspensa, com uma lupa pendurada. Subindo a escada e olhando pela lupa, uma palavra escrita em letras bem pequenas: YES. Um lampejo de positividade entre os tantos movimentos “anti” da época, que fez o beatle permanecer em um ambiente em que sacos cheios de unhas e uma maçã sobre um pedestal de pixelglass eram vendidos como arte. Algo que, na época, parecia uma bobagem para ele.“Eu e John conversávamos sobre arte o tempo todo – nos conhecemos nesse contexto”, conta Yoko. “Não falávamos tanto sobre outros artistas, mas sobre o que deveríamos fazer e como. Acho que influenciamos bastante o trabalho um do outro nesse sentido, apesar de nossas abordagens serem tão diferentes.”

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De fato, o legado de Yoko tem inúmeras abordagens. Entre as obras expostas, trabalhos idealistas, poéticos ou simplesmente espirituosos em diferentes linguagens. São papéis, instalações, performances, gravações em áudio, 125 objetos e mate- riais de arquivo raramente vistos, que, de alguma forma, foram importantes internacionalmente para a arte conceitual.

Multimídia, diz que arte é uma forma de sobrevivência e encontra, em toda e qualquer plataforma, uma maneira de se expressar artisticamente. Ela, que dava instruções escritas para o público interagir com sua obra no início da carreira – como no livro Grapefruit (1964) e em Painting to Be Stepped On (1960/61), peça que estará em One Woman Show, no MoMA–, dá, nas devidas proporções, instruções via Twitter. De postagens como “Ligue para sua mãe e diga que está pensando nela” ao clássico “Imagine a paz”, passando por “Desenhe uma janela na parede para se lembrar da névoa que cobre suas preocupações” e “Escreva todas as coisas que você quer fazer. Peça a outras pessoas que as façam e siga em frente. Continue dançando”. Aliás, o verbo dançar está em grande parte de suas instruções virtuais.“Dançar é muito importante. Precisamos continuar a dançar, caso contrário, ficamos congelados.” Parece baboseira, mas tal qual a arte que fazia nos anos 1960, seus tweets são, por vezes, idealistas, poéticos ou simplesmente espirituosos. “O Twitter pode ser uma ferramenta artística, sem dúvida. É uma maneira de nos comunicarmos verdadeiramente”, diz Yoko Ono, aos 82 anos, sem um pingo de ironia.

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Ouça a playlist que fizemos para comemorar a exposição: