Foto: Svenja Blobel

Ao cantar um passado recente cheio de conflitos, Zoe Wees faz de sua carreira ascendente uma espécie de terapia. A artista de 18 anos, dona de vocais marcantes, não quer soar como a garota perfeitinha, mas sim a que enfrenta os problemas (ela sofre de epilepsia) e desconta nas composições toda essa tensão.

“Não sou uma pessoa sombria, mas passei por algumas situações ruins e por isso minha música soa tão obscura”, conta a cantora alemã à Bazaar via Zoom. Sua estreia, a balada emotiva “Control”, viralizou no TikTok e o vídeo acumula milhões de plays no YouTube. Em outros tempos de Brasil, com certeza estaria na trilha sonora de uma novela em horário nobre, tema de um amor impossível e que a gente torce para dar certo no final – tamanha a vocação para o choro.

A letra fala sobre transtorno de ansiedade e ressoa como alerta contra problemas relacionados ao corpo. “Estou muito feliz que as pessoas gostem da minha música. Sou grata por elas se identificarem com a minha história e perceberem que posso ajudá-las”, resume.

Se a letra é deprê, Zoe está rindo à toa no que diz respeito aos números. “É muito louco porque o single já passou dos 20 milhões de plays e tem mais de cinco milhões de ouvintes mensalmente nas plataformas de streaming”, empolga-se. Mas ela não se deixa inebriar. Zoe está pronta para dilacerar ainda mais nossos corações.

Por este motivo, quer se manter conectada com sua verdade e sabe que a música pode salvar. “Apesar de parecer super fácil se sentir sozinho, quero que meus fãs saibam que estou sempre aqui. Seja através da música ou para aqueles que me escrevem no Instagram. Estou aqui”, prega, reforçando outra mensagem que foi eternizada em canções de outros artistas. “Ame-se do jeito que é porque você é perfeito.”

Trajetória

A carreira solo está em ascensão, mas Zoe não é uma novata. Canta desde os tempos de escola, fez covers na internet. Participou do The Voice Kids da Alemanha, mas a trajetória não saiu como o esperado. “Fui para o programa sem pensar muito. Tinha uns 13 anos e achei que poderia ser legal”, recorda. “Conheci muitas pessoas bacanas, mas isso só me mostrou que queria construir minha carreira sozinha e não participar de uma seleção em um programa de talentos.”

Na audição às cegas, que lhe rendeu passe para o reality, Zoe cantou a libertadora Get Away, de Jessie J. “Tudo o que ela canta é sobre realidade, coisas que aconteceram em sua vida e cabe a ela aprender com isso e seguir em frente. Essa é a inspiração para mim, a maior mensagem”, reforça.

Seus outros ídolos são Lewis Capaldi, Dermot Kennedy e Alec Benjamin, artistas cujas narrativas catárticas e vulneráveis são fáceis de se identificar. E tem mais: todos têm hits queridinhos de um público fiel no YouTube, que lhes garantem milhares e milhões de views. Coincidência? Antes do smash hit, Zoe até arriscou um som mais eletrônico e solar. Divertiu-se ao lado de Moonbootica em Hibernating, mas não é o que realmente gosta de fazer. “Foi uma experiência ótima, a música é legal. Mas não sei… Control foi totalmente inesperada, totalmente diferente”, defende-se.

Quando o mundo estava em lockdown, em meio à pandemia do novo coronavírus, esse sentimento de tristeza serviu de inspiração para a jovem de Hamburgo, cidade portuária no norte da Alemanha. “Escrevi muitas músicas boas durante a quarentena porque foi aspiracional. Queria me manter criativa, não só ficar em casa assistindo Netflix. Ou ficar jogada na cama sem fazer nada”, explica.

Ela queria se manter ativa e assim fez as faixas que devem compor o álbum de estreia, empurrado para o ano que vem pelo mesmo motivo que a fez se trancar.

Quando está no estúdio, ou mesmo fora dele, Zoe abusa do estilo comfy urbano: peças oversized, camisetas e óculos estilosos, como os de armação amarela que usava nesta entrevista. “Acho essa mistura muito boa, sobreposições e óculos de sol”, diz sobre seu outfit – encantador e divertido como a própria, ainda que ela use seu talento para nos levar às lágrimas.