Caftan da coleção Royalty Kaftans, da Nour, by Adriana Bittencourt, pulseira que ganhou de presente da condessa Marta Marzzoto e foulard vintage - Foto: Lamia Lahbabi/reprodução
Caftan da coleção Royalty Kaftans, da Nour, by Adriana Bittencourt, pulseira que ganhou de presente da condessa Marta Marzzoto e foulard vintage – Foto: Lamia Lahbabi/reprodução

Por Matheus Evangelista

A vida de Adriana Bittencourt é, literalmente, uma viagem. Há dez anos, ela vive entre Marrakesh e São Paulo, onde mantém uma loja nos Jardins. Só em 2015 celebrou a chegada do ano nas Maldivas, passou temporada de 45 dias em Trancoso, Carnaval no Rio de Janeiro e fez seu pouso habitual em Nova York. Na sequência, com um daqueles convites irrecusáveis, ficou um tempo em Tânger e Essaouira, no Marrocos, na casa de Pierre Bergé e Madison Cox, paisagista que cuida dos jardins da princesa italiana Marella Agnelli e também do magnata Michael Bloomberg.

É assim que a estilista passa seus dias, num constante embarque imediato. E essa rotina gypset está no DNA do que faz. Suas criações contam histórias, e nada na marca homoônima nasceu por acaso. A exemplo das peças feitas com fios egípcios e bordados em estilo rabat – padronagem típica que leva o nome da capital do Marrocos – por costureiras que moram nas montanhas e foram abandonadas pelos maridos.“Em um país muçulmano, uma mulher sozinha não tem voz. Elas bordam para cuidar dos filhos e são verdadeiras guerreiras”, diz Adriana, que criou recentemente uma coleção de lenços para a Scarf Me. Pelo sétimo ano seguido, abriu uma pop up store de verão no shopping Iguatemi, e, agora, inaugura um corner no hotel Mandarin oriental, na cidade onde mora.

Adriana usa vestido Aisha, bordado com desenho vintage, usado pelos bérberes, povo das montanhas do Marrocos. Tudo Nour, by Adriana Bittencourt. Pulseira de ônix e ouro da Gioielleria Zendrini, comprada no hotel Cala Di Volpe, na Sardenha, e botas Brian Atwood - Foto: Lamia Lahbabi/reprodução
Adriana usa vestido Aisha, bordado com desenho vintage, usado pelos bérberes, povo das montanhas do Marrocos. Tudo Nour, by Adriana Bittencourt. Pulseira de ônix e ouro da Gioielleria Zendrini, comprada no hotel Cala Di Volpe, na Sardenha, e botas Brian Atwood – Foto: Lamia Lahbabi/reprodução

Outro hotel que costuma frequentar – e onde foram feitas as fotos que ilustram estas páginas – é o Royal Mansour, pertencente ao rei Mohammed VI. Distante dez minutos da casa de Adriana, em Marrakesh, no Riad Nour, é por lá que ela relaxa entre uma viagem e outra.“Adoro o spa e faço sempre o hamman, espécie de banho turco, que dura umas duas horas e é divino. Também gosto da hidroterapia e do tratamento com pedras quentes. A sala de repouso é maravilhosa”, conta a estilista, que passou dois meses em Hong Kong em 2014 e, entre idas e vindas da Ásia, aprendeu a lidar com o que ,para muitos, é um incômodo – o fuso horário.

“Jet lag é para amadores, não tenho problema. Dentro do avião, já ajusto o relógio com o horário local e, assim que desembarco, corro para uma massagem”, conta, lembrando que a temporada de verão no hemisfério norte foi das mais animadas, com dias al mare em Ibiza, passando por Côte d’Azur e St.Tropez, balneário que frequenta desde 1994. No roteiro, ainda visitou amigos em Mônaco e mergulhou na Sardenha.“Não é por acaso que, na etiqueta dos caftans que produzo, está escrito globe trotter lifestyle”, ressalta ela, que, na maioria das vezes viaja acompanhada do namorado, o norte-americano Christopher Getty (neto do bilionário Paul Getty), um habitué do Rio de Janeiro.

Estilista veste caftan de seda feito à mão e colar-pingente de seda italiana, tudo Nour, by Adriana Bittencourt.Joias de seu acervo pessoal e foulard vintage comprado em Marrakesh - Foto: Lamia Lahbabi/reprodução
Estilista veste caftan de seda feito à mão e colar-pingente de seda italiana, tudo Nour, by Adriana Bittencourt.Joias de seu acervo pessoal e foulard vintage comprado em Marrakesh – Foto: Lamia Lahbabi/reprodução

Adriana aposta no azul-turquesa, sua cor preferida, e garimpa em mercados e bazares os acessórios que usa com as peças que cria. Ela desenvolve coleções limitadas, desenha as próprias joias e tem como cliente a princesa do Marrocos, Lalla Hasna.“Fui a precursora dos caftans de praia no Brasil. Não entendia a moda das cangas e camisas com estampas iguais às dos biquínis. Ficava désolé”, diz, ao se lembrar do início da marca, em 1994. Agora, Adriana entra em 2016 participando do tradicional almoço que Pierre Bergé oferece, todo dia 1o de janeiro, na casa de Yves Saint Laurent, em Paris.E já começa a pensar nas viagens que sonha em fazer: Butaão, Tóquio e África do Sul – destinos que estão na lista de espera, mas não por muito tempo. Bon voyage!