Foto: reprodução
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Por Cibele Maciet

Parte do litoral mediterrâneo da França, a região da Côte d’Azur é de uma beleza imensurável, banhada com uma mistura de azuis encantadora. Com uma linha de delimitação meio indefinida, ela vai mais ou menos de Hyères (onde rola o badalado festival de fotografia) até Menton, na fronteira com a Itália.

Berço da burguesia literária e artística nos anos anos pós-guerra – devido à ótima luz, natureza abundante e clima favorável – a região abrigou desde Cocteau, Picasso, Chagall, Dubuffet, Vasarely a Monet, Renoir e Bonnard. Naquela época, os locais consideravam cafona e sem classe ir à praia durante o verão (é por isso que o Teatro Nacional de Nice tem até hoje a porta de entrada de costas para o mar). Foi com a chegada dessa tribo artística acompanhada de algumas centenas de turistas anglo saxões que tudo mudou. O fato deles passarem horas lagarteando no sol em torno de drinks e muito divertimento fez com que todo um pensamento da época mudasse e o local se tornasse uma fonte econômico-turística inabalável.

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Nice, charme azur
Nice, a maior cidade da área, com oito quilômetros de praia, é uma metrópole com 348 mil habitantes, com um centro velho charmoso e alcunha de Miami do mediterrâneo. O Vieux-Nice, parte antiga da cidade, data do século XVII e é recheada de ruelas estreitas com casinhas ocre, amarelas e janelas verdes. Cute ao nível máximo. Os varais na janela fazem parte da cena niçoise: antes habitada sobretudo por imigrantes, o local foi gentrificado, trazendo uma população jovem e hispter para a cena. Atenção para a pegadinha: aqui os predinhos são extremamente estreitos e quentes, e, claro, sem elevador. As escadas tem degraus super altos, uma tarefa árdua para quem chega com malas, crianças, carrinhos e seja mais o que for. Ideal para casais sem filhos e solteiros em busca de fexxxxta: apesar do local ser muito turístico, existem muitos bares, restaurantes, galerias de arte e clubes por aqui. Então, se jogue se for o caso! Senão, procure por bairros mais modernos e distantes. Mas sobretudo não deixe de flanar por esse centro velho e se deparar com detalhes arquiteturais de babar: na rue Condamine, por exemplo, tem um lintel (parte superior da porta) medieval que data de 1485: trata-se do detalhe mais antigo do pedaço.

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Quesito beleza de tirar o fôlego: vá ao Mont Boron, parte alta da cidade localizada nas montanhas, região do Château e do Jardin Albert I. A vista do porto e do mar, com esse melange de azuis é simplesmente divina e apaixonante (daqui podemos avistar as cidades próximas de Saint-Jean-Cap-Ferrat e Villefranche-sur-mer, por quem me apaixonei!). Área de grandes villas e de tranquilidade, aqui se encontram as casas de Sean Connery, Elton John, entre outros.

O que fazer na cidade durante a alta temporada (junho, julho e agosto)? Vá à famosa place Masséna com seu mirroir d’eau que despeja jatos de água nas centenas de crianças que vêm em busca de um pouco de refresco para as temperaturas quentes, que, pasmem, podem chegar a 43 graus na sombra! Ou se jogue nas praias, mas muita atenção: aqui elas não têm areia, e, sim, pedras, que doem as costas e queimam os pés. Prefira as praias das cidades vizinhas.

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Arredores: Peymeinade, Villefranche-sur-mer e Saint-Jean-Cap Ferrat
Para quem quer sair um pouco de Nice, existem cidades próximas que valem muito a pena visitar, como Peymeinade, um vilarejo nas montanhas com sete mil habitantes (aliás, muito próximo do castelo da Jollie-Pitt family). Um lugar calmo e perdido com uma vista esplendida de Cannes e Nice, para quem está fim de sossego e distância das multidões da praia (lógico, se você alugar uma casa com piscina por aqui via Airbnb.

Uma das cidades mais bonitas que eu ja vi na vida: a quase-ilha Saint-Jean-Cap-Ferrat, situada entre Nice e Mônaco, cercada por 500 villas, entre coqueiros, flores, mar, pinheiros de Alepo, oliveiras e montanhas. Um paraíso de luxo acessível em trem, partindo de Nice: a estação mais próxima da cidade é a de Beaulieu-sur-mer, e o resto do trajeto pode ser feito em carro ou ônibus. Lugares a visitar absolutamente: o Grand Hôtel du Cap-Ferrat, que faz parte do grupo Four Seasons, um palácio construído em 1908 no coração de um jardim de sete hectares, com spa, piscina com água do mar – com a vista mais incrível do Mar Mediterrâneo que eu já vi! -, três restaurantes (um com uma estrela Michelin), 74 quartos ( dentre eles 24 suites e uma villa), um bar e aquele ambiente luxuoso e descontraído que dá vontade de morar lá dentro. Outro spot incrível é a Villa Santo Sospir, villa construída em 1931 onde Jean-Cocteau morou por algum tempo, toda pintada por ele. Atualmente a casa é habitada por um mecenas e a visitação é feita com hora marcada.

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A última cidade que recomendo nível master é Villefranche-sur-mer, meu coup de foudre. Sabe o tipo de cidadezinha litorânea incrustada nas montanhas, cercada por uma bacia do Mediterrâneo de um azul tão profundo que até dói? Fica aqui, nesse paraíso do ladinho de Nice. Flane por suas ruazinhas medievais (tem uma que se chama Rua Obscura, que data do ano de 1260!), passeie pelos barquinhos que saem de seu porto charmoso, tome um spritz com vista para o mar, se banhe no mar com águas cristalinas, ceda ao dolce far niente e agradeça a Deus por essa belle vie.