A arquiteta Daniela Kurc – Foto: Reprodução/Harper’s Bazaar


Em depoimento a Catrina Carta

Sempre me interessei por filosofias e religiões que fizessem me sentir conectada comigo e com a natureza. Então surgiu a ideia de passar duas semanas na Índia. Decidi ficar dois meses lá, a partir de dezembro de 2011. Só não sabia que, no fim das contas, a jornada duraria oito meses.

Minha primeira parada foi na Turquia. Já havia visitado Istambul e ali foi o início perfeito para começar a me desligar do mundo ocidental. Depois de dois dias, passei por Bangkok, na Tailândia. A mudança total de ares aconteceu na tailandesa Koh Phangan, em um pequeno resort-spa chamado The Sanctuary. A praia é deslumbrante e reúne praticantes prontos para um detox, aulas de yoga e um pouco de festa.

Ilha Koh Nang Yuan, com águas transparentes e perfeitas para o mergulho – Foto: Reprodução/Harper’s Bazaar

Da Tailândia, segui para uma rápida semana na charmosa Luang Prabang, no Laos. Pequena e simples, a cidade é cercada por templos e cavernas milenares, mercados de artesanato e pessoas superconectadas com a religião budista. Pela manhã, acompanhávamos uma caminhada dos monges e distribuíamos oferendas. Cenário inspirador para o que viria pela frente.

Desembarquei na Índia na segunda semana de janeiro, mais precisamente na caótica Déli, que me deixou confusa com tanto trânsito e poluição. Passei por Jaipur, a cidade rosa repleta de palácios maravilhosos; e Varanasi, onde o contraste social é comovente e seus habitantes se purificam em rituais hindus à beira do poluído rio Ganges. Em Khajuraho, visitei um dos maiores e mais impressionantes conjuntos de templos famosos pelas esculturas eróticas do Kama Sutra.

Trecho do rio Ganges a 20 km de Rishkesh – Foto: Reprodução/Harper’s Bazaar

Segui sozinha para a pequenina Rishikesh, que me fez perceber que eu precisava de pouca coisa para viver no dia a dia. Frequentei o ashram de Sri Prem Baba, guru brasileiro que recebe seguidores do mundo todo. Fiz meu primeiro retiro importante ali. Passei três dias quieta e realizando atividades intensas para reconhecer e abandonar as máscaras e personagens que adotamos para sobreviver.

Em seguida, fui para o meio das montanhas com José Ruguê, médico brasileiro especializado em medicina ayurvédica. Parti para um mês no resort do famoso Osho, em Puna, e visitei ashram da guru Amma, em meio à natureza impressionante de Kerala. Ela atrai milhares de pessoas em busca de seu abraço que, dizem, transforma tudo. Entrei na fila duas vezes e, ainda que rapidamente, pude sentir sua forte energia.

Grupo de amigas na mesquita Jami Masjid, em Déli, Índia – Foto: Reprodução/Harper’s Bazaar

Então, decidi me jogar em algo mais radical: em Dharamsala, cidade cravada no meio das espetaculares montanhas do Himalaia e onde o Dalai Lama mora, fiz um curso de introdução ao budismo e passei dez dias em silêncio. Pratiquei um dos ensinamentos máximos da religião: “limpar” as causas de nossa infelicidade. Nessa lista estão incluídos sentimentos como raiva, angústia e vingança.

Depois de quatro meses e meio perambulando pela Índia, meus pais me convidaram para visitar o Egito e Israel com um grupo de estudiosos da cabala. Nessa jornada, fiz uma amiga de Tel Aviv, que me convidou para passar um tempo com ela. Troquei a data da minha passagem pela terceira vez para poder desfrutar da cidade.

No fim de junho, parti para Barcelona, na Espanha. Nessa etapa, comecei a voltar para a realidade ocidental e realizar alguns desejos antigos: aprendi uma nova língua e estudei fotografia. Finalizei o roteiro na Croácia e em Montenegro, com duas semanas de praias paradisíacas. Só então voei para o Brasil, e para a minha realidade, em agosto deste ano.