Selfie em Black Sand Beach - Foto: arquivo pessoal de Marcella
Selfie em Black Sand Beach – Foto: arquivo pessoal de Marcella

Era hora do jantar no hotel Rangá, uma casa toda de madeira no meio do nada, no sul da Islândia, e o gerente nos avisou que tínhamos grandes chances de ver, naquela noite, a aurora boreal.A expectativa era grande e, antes mesmo da sobremesa (o bolo quente de chocolate era uma delícia!), ele apareceu anunciando: “Northern lights!”.Todos saíram correndo para vestir as roupas especiais que são oferecidas aos hóspedes – um macacão gigante, felpudo por dentro – para sair sob um frio de -2oC. Nas regiões próximas ao Círculo Polar Ártico, entre o final de setembro e março, é onde o espetáculo de luzes e cores se forma, quando as partículas energizadas vindas do Sol bombardeiam a Terra. O fenômeno durou 40 minutos, muito mais tempo do que eu imaginava: primeiro, riscos verdes de luz, do lado direito e esquerdo. Depois, os riscos foram se alargando até se unirem no meio do céu, sobre nós. Fiquei chocada com tanta beleza. Quando achávamos que estava acabando, o staff disse para irmos para trás do hotel, onde vimos as dancing lights, luzes que parecem dançar no céu.

Hotel Rangá durante a aurora boreal - Foto: divulgação
Hotel Rangá durante a aurora boreal – Foto: divulgação

Meu roteiro no país nórdico foi pensado como um workshop com o fotógrafo Feco Hamburger, organizado pela Casa Neo 10 (das sócias Dani Tranchesi e Paula Rocha) com a agência Viajan. Mais do que paisagens incríveis, a grandiosidade dos lugares impressionava. Passamos a viagem brincando que estávamos andando pelo fundo de tela do Windows, que tudo era uma enorme pintura e que, se chegássemos perto, veríamos que se tratava de um quadro. Essa era a sensação.

Marcella em pausa na rota de 4x4 - Foto: arquivo pessoal de Marcella
Marcella em pausa na rota de 4×4 – Foto: arquivo pessoal de Marcella

Começamos pela capital, Reykjavik, e já no primeiro dia fomos à Blue Lagoon – lagoa natural de água quente e bem azul, com uma lama branca no fundo. Naquele frio, a ideia de entrar não parecia animadora, mas, chegando lá, tudo facilita. É como um spa, supermoderno, com vestiários bem equipados.Você ganha roupões, chinelos, uma pulseira digital de identificação e pode até pedir um drink no bar que fica dentro da lagoa. Na cidade, charmosa e pequena, o legal é andar a pé e conhecer as lojinhas. As minhas preferidas foram a Aurun, de objetos de design (comprei um anel de onça de porcelana), a Icewear, 66o North e Cintamani – as três de roupa. O Harpa Concert Hall é para- da obrigatória, com uma arquitetura contemporânea surreal. E como comi bem! The Steakhouse tem decoração rústica, carne deliciosa, servida em uma tábua de madeira, além de aperitivos e bebidas com muitas variaçòes de gin tônica.Amei a com morango e berries. No Bæjarins Beztu Pylsur, experimentei o melhor hot dog do mundo (pão simples e macio, salsicha, cebola frita cortadinha, mostarda e molho especial – peça o completo!). E o Fish Company, supercool e com drinks maravilhosos. Na Islândia, os pratos são deliciosos e têm apresentação caprichada até mesmo em pontos remotos.Todos os lugares tinham gravlax, salmão com dill. Aliás, peixe é sempre a melhor pedida. Muito fresco, feito de forma simples, mas saborosa.

Quarto do hotel Rangá - Foto: divulgação
Quarto do hotel Rangá – Foto: divulgação

De Reykjavik,o itinerário pelo país foi de carro.Amei Haifoss e Glymur, cachoeiras cinematográficas, para ficar admirando; Ice Lagoon, linda e impressionante, com icebergs azuis se soltando da geleira e indo em direção ao mar; Black Sand Beach, praia igual a Noronha, mas em preto e branco; e Land- mannalaugar, região mais deserta e a parte da viagem que fizemos em veículo 4×4, com paisagens únicas. Difícil não ser repetitiva em um país de imagens tão surreais. Mas, mais difícil ainda, é olhar para o céu sem relembrar a noite mais ilumina- da que jáAVENTURA NÓRDICA vivi.