Bruxelas: capital belga tem ótimos spots e vida cultural

Quem acha que a capital da União Europeia é apenas uma passagem entre França e Holanda se engana em cheio

by Cibele Maciet
Cibele Maciet em Bruxelas - Foto: Arquivo Pessoal

Cibele Maciet em Bruxelas – Foto: Arquivo Pessoal

Muitos dizem que Bruxelas é uma Paris menorzinha, outros, que é o tesouro mais discreto e bem escondido da Europa…A verdade é que essa cidade de 179 mil habitantes é uma verdadeira joia, pronta a ser desvendada por quem se aventurar para muito além da turística Grand Place. Capital da União Europeia, ela faz parte da região da Grande Bruxelas, que soma 19 comunas (entre elas, Ixelles, Uccle, Saint-Gilles, Koekelberg, Flandres, onde a língua oficial é o holandês, e Valônia-Bruxelas, onde fala-se o francês), num total de um milhão de habitantes. Por isso, muitas vezes vale a pena sair da cidade de Bruxelas propriamente dita, e visitar outros spots da região, porque tudo é muito próximo e de fácil acesso, seja com ônibus, metrô, carro ou Uber (que aqui é baratinho: os percursos dentro da cidade e nas proximidades ficam por volta de 7€).

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Bom, ok, para começar, vale a pena um tour pelo centrinho de Bruxelas, por mais turístico que ele possa ser! O Musée du Costume et de la Dentelle, é pequeno, mas interessante, com coleções que valorizam o patrimônio têxtil de Bruxelas desde o século 18 ao 19. O Musée Jacques Brel mostra a obra do grande artista através de vários documentos, desde um percurso itinerante até a projeção de filmes. A Grand Place? Ok, dê uma passada e boa olhada, é uma das praças mais bonitas da Europa. Mas existe vida fora da multidão de turistas, leia as próximas linhas e inspire-se nas dicas da Bazaar!

Nos arredores de Bruxelas

Saint-Gilles

Aegidium - Foto: Divulgação

Aegidium – Foto: Divulgação

O bairro de Saint-Gilles, a apenas 15 minutos de ônibus do centro, é uma delícia para entornar uma cerveja vinho nos terraços dos bares do Parvis de Saint-Gilles. Tente o Café Maison du Peuple, com gente apinhada nas mesas nos meses mais quentes do ano: ambiente simpático, descontraído e paquera que rola solta são garantidos. Bem em frente ao café, um lugar mítico, o Aegidium, antiga sala de espetáculos, festas e cinema construída em 1905, obrigada a fechar suas portas oitenta anos depois em estado de quase abandono. Com uma decoração grandiosa em estilo Art Nouveau, o local, tombado pelo Patrimônio Histórico, reabriu no térreo nesse ano o legendário Café Flora, que segue, desde então, lotando suas 200 mesas no terraço (o restante do complexo reabrirá em breve).

Ixelles

La Case Creole - Foto: Divulgação

La Case Creole – Foto: Divulgação

O bairro de Ixelles é um dos mais hipados da cidade. A Avenue Louise, que ocupa uma grande parte da região com seus comércios de luxo e restaurantes bacanudos, é sua artéria principal, tudo acontece e torno dela. Mas tem espaço para todos: Urban Outfitters, Weekday, H&M e Zara também estão lá, ao lado de bares cool e vegans. A Place Flagey é o bairro ideal para sair à noite, tomar o apéro a bordo dos lagos locais. O Café Belga é uma instituição, obrigatório dar uma parada para mais uma vez, entornar uma boa cerveja belga. Para comer, duas opções para todos os bolsos, o La Case Créole, um restaurante com cara e jeito de casa de mãe. A proprietária, a portuguesa Telma Frechaut, recebe os clientes com sorriso e rum envelhecido, além de propor pratos exóticos, oriundos da Ilha de Reunião, na França. Vale a pena uma parada, com direito a conversa e beijinhos!

La Villa in the Sky - Foto: Divulgação

La Villa in the Sky – Foto: Divulgação

Outro local a ser visitado é o Villa in the Sky, com duas estrelas bem merecidas no Michelin. A 120 metros de altura, numa torre instalada em um dos prédios de escritórios da região, com apenas algumas poucas mesas, é um privilégio desfrutar de um serviço impecável e de dois menus do chef Alexandre Dionisio, almoço e jantar. Nos dois, pratos de degustação de comer ajoelhado, rezando e embaixo da mesa, quietinho, sem ninguém ver…Os vinhos propostos pela sommelier da casa completam o ritual, que começa com champanhe no terraço, com uma vista 360º espetacular de Bruxelas. Santé!

Outros bairros

La Fabrique en Ville - Foto: Reprodução/Instagram

La Fabrique en Ville – Foto: Reprodução/Instagram

O Marolles é o antro dos antiquários e também onde acontece, todo santo dia, um mercado das pulgas bem interessante. Artistas de rua, camelôs e, claro, a rua de Brabant, com música marroquina, tapetes, coisas para casa e roupas de segunda mão, além de bares modernos. O Sablon é um dos cantos mais chiques da cidade, com suas galerias de arte, brasseries, e, claro, lojas de chocolate, produto nacional. A igreja Notre-Dame au Sablon é de uma beleza ímpar: seus vitrais são de encher os olhos, além de duas capelas divinas (literalmente). O parque Petit Sablon é um oásis no meio da cidade, onde muita gente devora um sanduíche acompanhado de fritas na hora do almoço. Com 48 estatuetas que representam as profissões da Idade Média, o local é altamente « instagramável » para os mais conectados. Um outro espaço verde, o Parc d’Egmont é um convite ao chill nos finais de semana, quando acontece o brunch no La Fabrique en Ville, restaurante hype bem no meio do parque com mesinhas no exterior e bolos de cenoura, pains au chocolat, ovos mexidos e, claro, opções glúten free no interior. Dá para passar horas ali com um copo de chá gelado com gengibre e limão na mão, sem olhar o relógio (mas olhando o celular, claro, com conexão internet de graça!).

Desfile da La Cambre Mode - Foto: Divulgação

Desfile da La Cambre Mode – Foto: Divulgação

Para quem estiver na cidade em meados de junho, acontece o desfile de formatura da La Cambre, escola de moda das mais bem reputadas de Bruxelas. Para quem pensa que só existe moda na Antuérpia, vale a pena dar uma espiada por essas bandas. Nesse ano, ele aconteceu no Kanal Pompidou, um antigo galpão da Citröen transformado em museu de arte moderna e espaço para eventos.

Onde ficar

Rocco Amigo - Foto: Divulgação

Rocco Amigo – Foto: Divulgação

Para quem prefere o centro de Bruxelas, de onde todos os caminhos levam à Roma, a opção ideal é o Rocco Amigo, um charmoso hotel bem localizado, ao lado da Grand Place. Com 154 quartos e suítes, a decoração é uma graça, ou como se diz por aqui, representa a própria “belgitude “. Papeis de parede verde, mobiliário em madeira, e, nas paredes, nada mais, nada menos, que litografias originais de Magritte, de desenhos de Tintin feitos por Hergé, além de obras de Goossens, Moulinsart e Broodthaers. O serviço é impecável, e o café da manhã, no, mínimo, curioso: cereais variados, boa oferta de glúten free, pães diversos, e pasmem, chocolates de todos os tipos. E por que não? A palavra de ordem é: jo-gue-se! Diárias a partir de 215€.

Pillow Hotel - Foto: Divulgação

Pillow Hotel – Foto: Divulgação

Mas quem quiser experimentar um hotel butique dos mais graciosos fora do centrão, o Pillows Grand Hotel Place Rouppe oferece tudo e um pouco mais. Inteiramente renovado, o local, com apenas 43 quartos, tem inspiração nos anos 1950, com toques pelo verde mint na decoração, nas pantufas e até nos amenities. Aqui dorme-se como um anjo nos lençóis brancos, nas camas king-size e cortinas de voil branco. Bem localizado (ao lado de Place Rouppe), o Pillows é um daqueles segredos bem guardados que divido com vocês nessas linhas… O pessoal é agradável e o café da manhã é correto, com frutas frescas e cesta de pãezinhos deliciosos. As diárias começam a partir de 140€.

Site oficial

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